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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 121

POV: SKY BITTENCOURT

Quando passei pelas portas do banheiro, o saguão da Blackwood & Co. pareceu ter encolhido. O ar-condicionado continuava no máximo, mas o vento que batia no meu pescoço era abafado, pesado. A Moon e a Sakura foram até a lanchonete da empresa tentar pegar alguma coisa, insistindo para que eu comesse, mas eu neguei com um aceno curto.

Minhas pernas estavam frias, dormentes de cima a baixo, e meu estômago embrulhava de um jeito tão violento que a simples ideia de engolir um gole de café me dava náuseas. Da última vez eu tinha batizado o terno do CEO; se eu colocasse qualquer substância para dentro agora e falhasse, eu seria batizada de vez como a vomitadora oficial da empresa. Me recusei. Fiquei apenas sentada no banco estofado, engolindo a saliva amarga e esperando o relógio correr.

Foram duas horas de uma agonia arrastada, onde cada minuto parecia uma eternidade de concreto armado.

Às duas horas em ponto, o sinal somoro ecoou pelo saguão. A Cecília aproximou-se do centro e convocou os líderes de cada equipe para a frente do telão principal. Levantei-me, sentindo o mundo dar uma guinada zonza, e me posicionei como a representante oficial da Zênite Arch & Design. No segundo em que parei na marcação, o Paulo Gouveia e o Sérgio Lacerda colaram ao meu lado.

— Olhem só... a poça de lama tentando se misturar com o acabamento de luxo — Lacerda sussurrou, alto o suficiente para os meus ouvidos captarem. O hálito dele fedia a charuto e café.

— Deixa, Lacerda. Quanto maior a altura, mais alta vai ser a queda.

O cerco deles começou a esmagar o meu psicológico. Minhas mãos tremiam tanto que precisei cravar as unhas na palma da mão para não perder os sentidos. O suor gelado escorria pela minha espinha, colando a blusinha social contra as minhas costas. Fechei os olhos com força quando o painel de LED começou a piscar. Minha cabeça girava em um carrossel maluco. Juntei as mãos em frente ao corpo e comeei uma oração silenciosa, desesperada, implorando por qualquer milagre.

Era a chance da minha vida, o oxigênio do meu pai, o futuro da Moon. Sem que eu pudesse controlar, as lágrimas quentes começaram a vazar por entre os meus cílios fechados, molhando o meu rosto pálido.

— Olhem os números! — Cecília recomendou logo atrás de nós.

Abri os olhos num tranco. O gráfico de barras subiu na tela, computando a pontuação técnica, o design e a viabilidade. A linha vermelha subiu, estabilizou e o veredito da curadoria foi desenhado em alta definição: a equipe Garcia tinha ficado em quarto lugar.

Eliminada. Bem ao meu lado, vi a líder da equipe desclassificada, Liliane Garcia, passar a mão na cabeça, com um semblante profundamente desapontada com o resultado. Pensei comigo mesma: "Nossa, por muito pouco não fui eu ali". Mas a Zênite Arch & Design tinha garantido a pontuação necessária para ficar em terceiro lugar, sobrevivendo na disputa junto com a Gouveia e a Lacerda.

O impacto do alívio foi tão bruto que minhas funções motoras simplesmente desligaram. Minhas pernas perderam a sustentação e eu caí sentada direto no banco atrás de mim, soltando um choro convulsionado, sufocado pela falta de ar. Eu não queria chorar na frente deles, queria parecer forte, mas eu estava completamente sem estrutura física. Meus ombros sacudiam e eu mal conseguia puxar o oxigênio para os pulmões.

— Isso é um absurdo! Uma fraude descarada! — o berro do Sérgio Lacerda ecoou pelo auditório, quebrando os aplausos. Ele avançou na direção da banca, com o rosto redondo vermelho de fúria e o suor escorrendo pelas costeletas. — Essa curadoria está cega? Eu exijo uma auditoria nesse resultado agora mesmo! Todos sabemos que essa startup de fundo de quintal não tem capacidade técnica para entregar essa volumetria!

O Nathan Beaumont estreitou os olhos verdes, ajeitando a postura na cadeira da banca com uma paciência visivelmente no limite.

— O resultado é baseado em métricas exatas de pontuação, Lacerda. Se a empresa não conseguiu atingir o teto, o problema é da engenharia deles, não da nossa avaliação — Nathan rebateu, a voz fria e cortante.

— Não venha me falar de métricas, Beaumont! — Lacerda esbravejou, apontando o dedo na minha direção com um asco nojento. — Eu fiquei sabendo muito bem, por fontes seguras, que o projeto dessa garota é um plágio completo! Ela clonou a estrutura! E não me surpreende... tal pai, tal filha! O velho Otávio Bittencourt foi escorraçado do mercado em 2015 pelo mesmo motivo. Essa garota carrega o sangue de um ladrão de patentes e vocês estão colocando ela na final?

Ouvir o nome do meu pai sendo jogado no esgoto daquele saguão fez meus ouvidos começarem a zumbir. Um som agudo, lento, que me impediu de ouvir o resto dos murmúrios que tomaram conta dos funcionários ao redor. A humilhação era um peso físico que esmagava o meu peito.

— O que você está querendo dizer com isso, Lacerda? — Nathan levantou-se da cadeira, o tom de voz subindo perigosamente. — Meça as suas palavras antes de questionar a integridade da Blackwood & Co.

— Querendo dizer que nós, a Blackwood, somos uma instituição baseada em cálculos e fatos, não em picuinhas insignificantes entre terceiros que não têm nenhum significado para a nossa diretoria — a voz grossa e autoritária do Christian congelou o tumulto.

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