POV: SKY BITTENCOURT
Eu não tive tempo de responder. O Rocco simplesmente eliminou o pouco espaço que restava entre nós contra a geladeira. Os lábios dele, quentes e macios, grudaram nos meus com força. Antes que eu pudesse esboçar qualquer protesto, a língua dele invadiu a minha boca, profunda e dominadora. Eu nem sentia mais a minha língua queimada; o toque dele parecia curar tudo ali dentro, misturando o gosto do café com um calor absurdo que desceu direto para o meu ventre.
Minhas pernas derreteram na mesma hora, virando uma gelatina completa debaixo do vestido novo. Parecia que todo o meu corpo tinha virado água, desmanchando sob o aperto daquelas mãos enormes dele que me seguravam pela cintura, me colando contra o seu peito nu. Meu coração disparou tanto, mas tanto, que o impacto batia direto na minha garganta. Minha pele arrepiou inteira, cada pequeno pelo do meu corpo se esticou de nervoso, e uma queimação febril me possuiu. Eu tive a certeza real de que ia entrar em COMBUSTÃO ali mesmo, virando cinzas nos braços dele.
Esqueci o que era certo, esqueci o que era errado, esqueci a minha lista de problemas.
Eu simplesmente não conseguia pensar em mais nada. Enrosquei minhas mãos no pescoço dele, puxando os cabelos da nuca dele com força, correspondendo àquela boca com uma vontade que eu nem sabia que existia dentro de mim. Eu só queria ficar presa ali para sempre.
O Rocco soltou um resmungo abafado contra os meus lábios e começou a andar para trás, me arrastando junto sem tirar a boca da minha por um milésimo de segundo. O problema é que andar às cegas enquanto se está tendo um colapso de paixão não é uma boa ideia. O pé dele enroscou direto na perna de uma das banquetas de ferro da bancada.
O barulho do metal arrastando no porcelanato foi alto, e o Rocco deu um baita tropeção para trás. Para não cair no chão e me levar junto, ele deu um tranco desajeitado com o corpo, batendo de lado com tudo na mesa de jantar de vidro. O impacto fez as taças decorativas tremerem e a gente quase foi para o chão num bolo só, mas ele se recusou terminantemente a quebrar o beijo. O Rocco apenas firmou os pés, soltou um xingamento abafado direto na minha boca e continuou me beijando com ainda mais intensidade, me prensando agora contra a borda da mesa.
Eu estava tão fora de órbita que, em vez de parar para ver se ele tinha quebrado uma costela, apenas continuei agarrada no pescoço dele, puxando os cabelos da nuca dele porque eu simplesmente NÃO CONSEGUIA PARAR.
Um toque estridente começou a soar. Era o celular dele, em cima do balcão.
— Deixa tocando — o Rocco rosnou contra os meus lábios, a voz extremamente rouca, enquanto a mão dele descia pelas minhas costas sob o vestido, me apertando com força contra ele.
O beijo continuou profundo, urgente, cheio de um sentimento que fazia o meu peito doer de um jeito bom. O telefone dele parou. Dois segundos depois, outro toque começou a berrar na sala. O meu.
— Deixa tocar... — murmurei de volta, totalmente entregue, mordendo o lábio inferior dele.
O celular parou. E imediatamente começou a tocar de novo, insistentemente. O som cortou a névoa da minha cabeça e a realidade me deu um puxão estúpido de volta para a terra.
— Rocco... para... eu preciso atender — balbuciei, empurrando o peito dele de leve com as palmas das minhas mãos suadas.
Ele soltou um suspiro pesado, colando a testa na minha por um segundo antes de me deixar afastar. Caminhei até a sala com as pernas bambas, peguei o aparelho de cima da mesa de centro e atendi sem nem olhar a tela.
— Alô?
— Sky! Graças a Deus você atendeu! — a voz da Moon veio acelerada do outro lado, chorosa e eufórica ao mesmo tempo. — O médico acabou de ligar aqui do hospital. Conseguiram liberar uma vaga de urgência e vão fazer todos os exames avançados no pai hoje! Os resultados já vão estar prontos amanhã cedo.
Senti o meu corpo enrijecer na mesma hora.
— Hoje, Moon? Mas ele está entubado, como vão fazer isso?
— Eles vão transferir ele com toda a equipe para a ala de tomografia agora de manhã. Só que tem um detalhe... O médico avisou que, assim que os exames terminarem, o pai vai direto para o isolamento da UTI coronária e as visitas vão ser proibidas por um bom tempo por causa do risco de infecção. Sky, você precisa vir para o hospital AGORA se quiser ver ele antes de fecharem as portas da UTI.
— Estou indo. Chego aí em vinte minutos — disparei, sentindo o desespero voltar a tomar conta do meu peito.
Descliguei o telefone e olhei para o Rocco, que já tinha caminhado até a sala e me observava com o semblante sério.
— Não — teimei, o coração batendo na garganta.
Ele me puxou um pouco mais perto, segurando os meus fios ruivos com cuidado para trás, me obrigando a olhar direto nos olhos dele, e me beijou de novo, mais demorado, fazendo as minhas pernas fraquejarem outra vez.
— Entendeu agora? — ele sussurrou contra a minha pele.
— Não. Ainda não — respondi, o orgulho falando mais alto mesmo com o meu corpo inteiro implorando por mais.
Rocco soltou uma risada baixa, aquela risada gostosa que vibrava no peito dele, e me deu um último selinho demorado.
— Você é uma menina muito teimosa, Bittencourt. Mas eu adoro a sua teimosia.
— Dá para me soltar? — pedi, tentando fingir irritação, embora estivesse adorando aquilo tudo. — Você precisa colocar uma camisa e se trocar para a gente ir para o hospital. E depois eu preciso almoçar, porque estou morta de fome.
— É uma boa ideia. Vamos almoçar juntos depois do hospital — ele concordou, finalmente me soltando.
Girei nos calcanhares e rumei direto para o quarto. Assim que passei pela porta, fechei a madeira atrás de mim e passei o trinco três vezes seguidas. Minhas costas bateram contra a superfície e eu simplesmente escorreguei até o chão, caindo sentada no tapete, com as mãos no peito.
Minha cabeça estava zunindo, o coração parecia que ia quebrar as minhas costelas de tão forte que batia e a ficha finalmente estava começando a cair dentro do meu cérebro.
QUE PORRA ACABOU DE ACONTECER AQUI?

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