POV/ SKY
No milésimo de segundo em que ele se moveu e o calor do corpo dele se afastou do meu, o meu cérebro parou de funcionar e o meu corpo reagiu por puro instinto de sobrevivência. Estiquei o braço num tranco e agarrei o pulso firme dele, impedindo que ele desse mais um passo para longe de mim.
Rocco parou imediatamente. Ele olhou para os meus dedos cravados no braço dele e depois virou o rosto na minha direção, exibindo aquele sorriso vitorioso, arrogante e letal de canto de boca que mostrava que ele sabia exatamente o poder que tinha sobre mim.
— Exatamente como eu imaginei — ele murmurou.
Antes que eu pudesse formular qualquer xingamento, ele segurou a minha cintura com força e me puxou para a frente, colando o meu corpo ao dele em um abraço apertado e esmagador. Enterrei o rosto no peito dele, sentindo o rastro do meu próprio choro começar a molhar a pele dele enquanto ele depositava um beijo demorado e terno no topo da minha testa.
— Isso é muito confuso... — balbucei contra a pele dele, sentindo os meus ombros tremerem sob o peso do cansaço e do medo. — É tudo muito estranho. Eu nem sei o que fazer, eu sou um desastre ambulante de constrangimento.
Rocco exalou um suspiro pesado, os braços me apertando ainda mais contra ele, me transformando em uma extensão do seu próprio corpo.
— Está tudo bem, Bittencourt — a voz dele vibrou contra a minha bochecha. — Não tem absolutamente nada que você faça ou passe que vá me fazer recuar ou me deixar constrangido. Eu já vi todos os seus piores lados, os seus piores dias.
Fechei os punhos e dei um murro leve e frustrado contra as costelas dele, sem força real. Ele soltou uma risada abafada e completou, a voz descendo para um registro perigosamente confessional:
— E eu gosto de todos eles.
Afastei a cabeça do peito dele, virando o meu rosto para cima para encará-lo de frente, com os olhos arregalados e o coração dando saltos desordenados no peito. Minhas mãos começaram a suar frio e as minhas pernas fraquejaram tanto contra o corpo dele que pareceram não me sustentar mais.
— A minha vida é uma bagunça completa, Rocco — desabei, as palavras saindo atropeladas pela minha boca. — Eu sou um poço de problemas.
— Eu sei — ele respondeu, firme.
— Eu não tenho nada a te oferecer! Olha para a minha situação, o meu pai está preso àquela cama de hospital, eu tenho uma audiência na sexta-feira, não tenho um centavo no banco e no passado todo mundo me chamava de "lunática da favela". Eu sou pobre, fodida e cheia de problemas! Não faz o menor sentido você querer alguém como eu por perto!
— E você acha mesmo que eu dou a mínima para a sua conta bancária ou para o que diziam de você no passado, Bittencourt? — ele rebateu, os olhos verdes fuzilando os meus com uma intensidade absurda. — Eu tenho dinheiro para comprar aquela favela inteira e o Gouveia junto se eu quiser. Eu não ligo para o seu status social. Não preciso de nada disso.
— Mas eu sou insuportável! — insisti, o desespero fazendo a minha voz falhar. — Eu sou grossa, sou desastrada, não tenho educação perto das pessoas do seu meio, eu vivo te agredindo... e, inferno, eu até ronco feito um porco quando durmo de tão cansada!
Rocco soltou uma risada curta, mas o semblante dele continuou focado, sem desviar um milímetro. Ele levantou a mão devagar e passou os dedos pela minha bochecha, subindo até a lateral do meu rosto com uma calmaria que fez o meu corpo inteiro arrepiar.
— Eu já disse que não me importo, Bittencourt. Eu não ligo se você grita comigo, se me b**e ou se me acerta o olho.
— Tem certeza? A minha personalidade é um pouco... difícil.
— Eu já descobri que você tem um temperamento terrível e orgulhoso desde o primeiro dia.
Mordi os lábios, sem saber o que dizer.
— Eu prefiro um milhão de vezes o seu temperamento terrível do que a falsidade de qualquer mulher perfeita que tenta me agradar. Para mi, você é alguém absurdamente inteligente, talentosa... você é perfeita.

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