POV: SKY BITTENCOURT
Dei um gole longo no suco de uva para tentar engolir a minha vergonha junto. O Rocco me olhou de um jeito intenso, inclinou a cabeça e sorriu com aqueles lábios perfeitos enquanto coçava a barba rala com os dedos.
— O que foi? — perguntei, tentando manter a pose enquanto bebia um pouco mais de suco.
— O que nós somos de verdade, Bittencourt? — ele soltou, a voz grave cortando o ambiente de bofetão. — O que a gente é?
O IMPACTO da pergunta me pegou totalmente desprevenida. O líquido entrou direto pelo canal errado. Comecei a tossir feito uma condenada, esmurrando o próprio peito com força enquanto o oxigênio sumia da minha boca e o meu rosto ficava completamente vermelho de tanto engasgar, perdendo o resto da minha dignidade na frente dele.
— Você fez isso de propósito, Bittencourt? — ele zombou, levantando-se da cadeira com aquela calmaria irritante e batendo de leve nas minhas costas com a mão grande. — Se engasgar desse jeito só para fugir das minhas perguntas ou comentários?
— Não! — consegui responder, a voz saindo falhada, rouca e ardendo por causa do sufoco. — É porque você não pode disparar uma bomba dessas enquanto a pessoa está bebendo! Você quase me matou engasgada de novo, Blackwood!
O Rocco soltou uma risada alta, balançando a cabeça com deboche.
— Tudo bem, tudo bem. Eu vou respeitar o seu tempo de mastigação a partir de agora para não responder por um homicídio culposo. Você já acabou de comer?
— Não — respondi na defensiva, pegando mais um pedaço de pizza completamente contra a minha vontade, mastigando devagar só para ganhar tempo e tentar reorganizar os meus pensamentos destruídos.
Dei mais um gole no suco, mantendo os olhos bem longe dele. O Rocco continuou me monitorando com os braços cruzados na mesa, me deixando totalmente encurralada.
— Desse jeito você vai acabar vomitando tudo, Sky — ele avisou, erguendo a sobrancelha com aquele tom autoritário de sempre. — E eu já adianto que não estou com a mínima paciência para limpar vômito de moletom hoje.
Soltei um risinho abafado com a boca cheia de pizza, achando graça da total falta de jeito da situação. Bebi o resto do suco com pressa, me levantei da cadeira segurando o meu prato vazio e caminhei em direção à pia da cozinha para tentar escapar do foco daqueles olhos verdes.
Só que o Rocco se levantou da mesa, me seguiu a passos largos e segurou o meu braço antes que eu pudesse ligar a torneira para lavar o prato. Ele tomou o objeto da minha mão com firmeza, colocou na pia e girou o meu corpo devagar, me prensando de leve contra o mármore frio. Ele me olhou direto nas pupilas, sem joguinhos, sem piada.
— Não foge não, Bittencourt — ele pressionou, o hálito quente batendo direto no meu rosto, me deixando com as pernas bambas. — O que a gente é? Eu fiz uma pergunta.
Engoli o seco, sentindo o suor frio ameaçar voltar para a minha nuca.
— Ai, Rocco... eu não sei.
— Não sabe?
— Eu que te pergunto. O que você quer de mim?
— Bom, eu já te falei — ele respondeu, a voz descendo para aquele tom sério e possessivo que me deixava totalmente desarmada. — Eu já te disse que gosto de todas as suas imperfeições, seus defeitos, seus fiascos no boliche e essa sua cabeça dura.
Olhei para o peito dele, sentindo o meu coração martelar feito um condenado contra as minhas costelas. Ele estava falando sério. O Imperador estava se abrindo de verdade na minha frente.
— Então isso significa que você está... tipo... apaixonado por mim? — joguei a palavra no ar, com o peito subindo e descendo rápido.
O Rocco sustentou o meu olhar por longos segundos, o maxilar dele travando de leve antes de responder.

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