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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 147

POV: SKY BITTENCOURT

O Rocco se levantou da quina do colchão devagar, ajeitando a camisa preta no corpo sem tirar aquele olhar carregado de deboche de cima de mim. Eu continuei parada no meio do quarto, dura feito uma estátua, parecendo um robô com defeito na fiação. Minha mente tentava calcular o tamanho do meu vexame, esperando que ele começasse a disparar piadas ou que fizesse um interrogatório completo sobre as minhas cinco viagens de ida e volta de dentro do banheiro.

Em vez disso, ele apenas caminhou até a porta do quarto e apontou com o polegar para o corredor.

— Vambora, Bittencourt. A comida já deve estar esfriando lá na mesa da cozinha.

Pisquei, surpresa por ele não ter tocado no assunto de primeira. Dei dois passos acanhados, ainda segurando as mangas do meu moletom velho, desconfiada até da sombra dele.

— Você não vai falar nada? — acabei soltando, incapaz de segurar a minha própria boca grande. — Vai fingir que não viu nada?

O Rocco parou no batente da porta, girou o corpo largo na minha direção e cruzou os braços, soltando um suspiro divertido pelo nariz.

— Não. Eu já sei que você é estranha de nascença.

Arregalei os olhos, indignada.

— Isso era para ser um elogio?

— Era para te confortar. E não te deixar com vergonha.

— Me confortar, Blackwood?

— Uai. Claro que sim — ele respondeu com a maior naturalidade do mundo, dando de ombros.

— Pois saiba que você é completamente PÉSSIMO nisso.

— Eu sei — o canto da boca dele se ergueu naquele sorriso ladino que fazia o meu estômago dar voltas completas. — Mas em compensação, tem um milhão de outras coisas na vida em que eu sou bizarramente bom.

Antes que eu pudesse processar a resposta ou soltar algum xingamento, o Rocco deu um passo rápido à frente, reduzindo a distância entre nós a quase nada. O perfume forte de madeira dele me atingiu em cheio, me deixando tonta no mesmo segundo. Dei um passo para trás, mas minhas costas bateram direto na parede fria da suíte.

O Rocco avançou mais, espalhando as duas mãos na parede, uma de cada lado da minha cabeça, me cercando por completo. Ele inclinou o tronco largo para a frente, descendo o rosto até ficar com os olhos verdes colados nos meus. A proximidade era tanta que dava para sentir o calor da pele dele flutuando contra a minha.

— E você, Bittencourt? — ele sussurrou, a voz descendo para aquele registro rouco e arrastado que fazia as minhas pernas virarem gelatina. — Você é boa em quê? Porque mentir você é horrorosa. Jogar é terrível. Você é completamente atrapalhada. Acho que a única coisa em que você realmente se sobressai e tem algum controle é no seu trabalho. No resto, você é um desastre perigoso.

O sangue subiu direto para as minhas bochechas, mas o meu orgulho bateu mais forte do que a minha vergonha.

Eu terminei de engolir o meu último pedaço de massa que estava no meu prato, limpei a boca com o guardanapo e olhei para ele. O meu estômago deu um nó, lembrando do combinado que eu tinha feito comigo mesma dentro do banheiro. Era a hora de saber a verdade. De colocar ele contra a parede e arrancar uma definição real sobre nós dois.

Eu precisava ser firme. Precisava olhar no fundo dos olhos dele e perguntar o que a gente era.

Respirei fundo. Juntei todo o ar nos meus pulmões. Inclinei o corpo para a frente. Foquei intensamente naquelas pupilas verdes.

E soltei a pergunta de uma vez:

— Tem sobremesa?

PÁRA TUDO. QUE PORRA É ESSA, SKY?

O meu cérebro simplesmente entrou em pane geral. Deu tela azul. O comando principal evaporou no caminho entre os meus neurônios e a minha boca. Eu passei quase meia hora tendo uma crise existencial, discutindo com a fechadura do banheiro e ensaiando um ultimato emocional histórico para terminar perguntando se tinha doce.

A minha boca esqueceu completamente o combinado com o meu cérebro.

Me enterra. De preferência embaixo desse piso de mármore.

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