Entrar Via

A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 168

POV: SKY BITTENCOURT

O relógio digital na cabeceira marcava pouco mais de três horas da manhã quando rolei na cama pela vigésima vez, sentindo o tecido do lençol grudar na pele úmida do meu suor. Minhas pernas se enroscavam na coberta bagunçada enquanto a minha mente girava em um turbilhão que eu não conseguia parar.

Eu não conseguia dormir. Cada centímetro do meu corpo ainda parecia vibrar com o rastro do toque do Rocco na parede do escritório, e a lembrança da voz dele ecoando aquele EU TE AMO fazia o meu estômago contrair em um nó apertado. Que inferno.

Fiquei encarando o teto escuro do quarto, tentando colocar uma lógica técnica na minha vida, mas era impossível. Eu passava os minutos pesando o que compensava e o que não compensava naquela loucura. Eu sabia o tamanho do abismo que existia entre nós. Ele era o topo da Blackwood CO, o homem que comandava o subsolo com punho de ferro, e eu era apenas uma arquiteta afundada em dívidas, com um processo judicial me espreitando na sexta-feira e o meu pai preso a um leito de hospital.

Era um erro me entregar desse jeito? Eu não sabia. Mas a verdade é que eu já estava afogada naquele sentimento. Eu amava o controle dele, amava a sensação física de pertencer àquela fúria possessiva. Por respeito a tudo isso, eu já tinha decidido que na quinta-feira eu colocaria um fim definitivo no meu contrato com o Hades no Ambrosia Club.

Eu queria estar totalmente limpa para o Rocco. E quando ele não me rejeitou depois da minha confissão na calçada, eu me senti tão aliviada que o meu peito até doeu. Eu aceitava o lado sombrio dele com todos os defeitos, e queria jogar o jogo mais limpo da minha vida com o homem que eu amava.

Quando os primeiros raios de sol cinzentos começaram a cortar a fresta da janela, por volta das sete da manhã, desisti de tentar pegar no sono. Levantei da cama com uma disposição repentina, impulsionada por uma vontade boba de fazer uma surpresa para ele. Lembrei de como o nosso misto quente tinha ficado frio na chapa no dia anterior, e decidi que hoje seria diferente.

Eu sabia pela rotina da empresa que o Rocco costumava aparecer na diretoria por volta das dez horas, de segunda a quinta, então planejei fazer uma visita surpresa no apartamento dele bem cedo, por volta das oito.

Caminhei até o guarda-roupa e escolhi uma lingerie preta de renda, a peça mais provocante e cara que eu tinha guardada. Tomei banho, sequei meus cabelos, passei uma leve maquiagem, ajustei as alças finas contra os meus ombros e senti o tecido desenhar as curvas das minhas nádegas fartas e dos meus seios. Se alguma coisa acontecesse naquela cobertura antes de ele ir trabalhar, eu queria estar deslumbrante para ele. Vesti um vestido leve por cima, peguei a minha bolsa e saí.

Parei na padaria da esquina do prédio dele e comprei pães doces e um pão recheado que tinha acabado de sair do forno. O calor do saco de papel pardo queimava a ponta dos meus dedos, exalando um aroma gostoso de manteiga e café fresco.

Eu segurava aquela embalagem contra o meu peito como se estivesse carregando o troféu da minha felicidade inédita.

Cheguei na portaria do edifício de luxo antes das oito horas. O porteiro, um homem de meia-idade que cuidava da segurança do saguão de mármore, ergueu os olhos do painel e abriu um sorriso largo assim que me viu cruzar a porta giratória de vidro.

— Bom dia, Senhorita. Vai subir para ver o Senhor Blackwood? — ele perguntou, já esticando a mão para liberar a biometria do elevador privativo.

— Bom dia. Vou sim, vim trazer um café para ele — respondi, sentindo o meu rosto queimar de timidez, dando um sorriso contido.

O Rocco estava de pé no meio do tapete da sala, vestindo apenas a calça do terno, com o peito largo e nu exposto. Enroscada no pescoço dele, com os braços apertados e o corpo colado com total intimidade contra a pele dele, estava uma mulher morena. Ela estava inclinada, com os lábios cravados nos dele, enfiando a língua na boca do Rocco em um beijo profundo, selvagem e barulhento.

Minhas mãos perderam totalmente a fiação dos músculos. O saco de papel da padaria escorregou dos meus dedos, desabando no chão com um baque surdo. Os pães quentes rolaram pelo piso polido, espalhando o cheiro que segundos atrás me trazia felicidade.

— Sky? — Rocco gritou meu nome, ficando estático no meio da sala e empurrando a mulher pelos ombros com força.

Uma dor física lancinante, como uma facada em brasa, rasgou o centro do meu peito, me fazendo perder o oxigênio de uma vez só. Minhas lágrimas brotaram quentes, pesadas e desesperadas, inundando os meus olhos e borrando a imagem daquela traição no meio da sala. Eu não consegui gritar. Minha garganta travou em um bolo sufocante de nojo e humilhação. Palavras não seriam possíveis de descrever o que eu estava sentindo naquele momento. Eu me senti a criatura mais insignificante da face da terra.

Girei o corpo em um solavanco, esticando as minhas mãos trêmulas contra o painel do elevador. Comecei a esmurrar o botão do TÉRREO com a palma da mão, chorando alto, os soluços quebrando o meu peito enquanto as travas de segurança pareciam demorar uma eternidade para fechar. Eu só queria sumir. Eu só queria que o chão me engolisse.

Através das portas de metal que finalmente começavam a se fechar, bloqueando a visão, vi o Rocco vindo correndo descalço na minha direção, com o rosto tomado pelo desespero.

— Sky... Sky... não é o que você está pensando! — o grito dele ecoou no vão antes do metal selar o espaço.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário