POV: ROCCO BLACKWOOD
Voltei para dentro do prédio arrastando os pés descalços pelo concreto, sentindo a textura áspera queimar a sola da minha pele, mas a dor lá fora não era nada comparada ao descompasso violento que esmurrava o lado de dentro do meu peito. Meu coração batia tão forte e desordenado contra as costelas que eu conseguia ouvir o som abafado ecoando nos meus ouvidos.
Voltei para o apartamento peguei o celular com os dedos trêmulos e disquei o número da Sky. Uma, duas, três vezes seguidas.
Nada.
Só a gravação maldita da caixa postal. A rejeição imediata fez a minha garganta fechar em um nó seco e doloroso. Aquela ruiva tinha desligado o aparelho ou me bloqueado de vez.
Eu estava enlouquecendo, sentindo uma tontura leve fazer a sala girar em zigue-zague.
Mas eu não sou um homem de ficar cego sem respostas.
Eu tinha mandado instalar um rastreador GPS no celular dela semanas atrás, por pura obsessão possessiva e segurança. Abri o aplicativo de monitoramento no meu aparelho secundário e puxei a localização em tempo real. O ponto piscando na tela indicava que o táxi dela estava se deslocando pela avenida principal, se afastando do meu quadrante a cada segundo.
Senti uma pontada aguda, uma opressão sufocante no centro do peito, como se uma mão gigante estivesse esmagando o meu esterno, tirando o meu oxigênio.
A Jussara ainda estava terminando de fechar a mala menor no hall da sala. Ela me olhou de soslaio, ajeitando a alça da bolsa no ombro.
— Eu vou sair agora, Rocco. Vou encontrar sua avó e Christian para o café da manhã, mas a nossa conversa sobre o Grupo STAR e o casamento ainda não acabou — ela avisou, a voz saindo naquele tom manso que me dava nos nervos. Ela apontou com o queixo para a porta por onde a Sky tinha sumido. — Aquela garota... você gosta dela de verdade?
— Sim — respondi curto, a minha voz saindo grossa, sem espaço para o debate, sentindo o meu maxilar estalar de tanta força que eu fazia nos dentes.
Jussara soltou um riso seco e caminhou até a entrada, parando antes de acionar o elevador.
— Mas ela tem sobrenome? Ela tem história, Rocco? O que essa mulher pode agregar para o seu império?
— Isso não importa — sibilei, sentindo o ódio queimar o fundo da minha garganta.
— Isso é a única coisa que importa. Mas o que está acontecendo com você?
— Nada — passei por ela em direção à geladeira, ignorando a presença dela e focando na queimação de azia que subia do meu estômago.
— Você nunca foi um salvador, nunca foi um homem gentil. Acho melhor você rever os seus conceitos e pensar no que está em jogo.
Cravei os meus olhos verdes nela, mantendo a boca fechada enquanto a náusea violenta provocada pelo estresse me deixava com vontade de vomitar ali mesmo no chão.
— Não me olha assim, gatinho. Eu também não queria me casar — ela provocou, dando um sorriso de canto.

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