Entrar Via

A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 178

POV / SKY

Cruzei o corredor do Ambrosia Club com passos rápidos e desengonçados, sentindo as paredes escuras girarem ao meu redor como um redemoinho. Minha cabeça estava completamente dormente, um vazio claustrofóbico onde o som de "Bittencourt" saindo da boca do Rocco ecoava sem parar, quebrando o meu cérebro em pedaços. Alguns funcionários com ternos alinhados e impecáveis tentaram segurar o meu braço, perguntando se eu precisava de apoio ou se estava passando mal, mas passei direto por eles feito um bicho acuado que corre para morrer na toca.

Só parei quando alcancei o meio-fio da calçada e me joguei para dentro do primeiro táxi que vinha descendo a avenida.

Bati a porta com uma força que estremeceu o carro. O motorista arrancou. Encostei a testa contra o vidro gélido da janela, vendo as luzes dos postes virarem borrões embaçados pelas lágrimas que eu me recusava a soltar.

Tudo aquilo parecia um espelho maldito, uma piada de mau gosto do universo com a noite em que descobri a traição do Victor. O mesmo estofado gasto do banco, o mesmo cheiro enjoativo de aromatizante barato, o mesmo vazio rasgando as minhas entranhas de cima a baixo.

Só que agora a raiva não veio para me defender. O que subiu pela minha garganta foi um asco profundo, uma repulsa violenta de mim mesma.

Levei a manga grossa do moletom cinza até os lips e comecei a esfregar o tecido contra a pele com força, aplicando uma pressão mecânica desesperada, até sentir a boca arder, cortar e queimar.

Eu queria arrancar o gosto do Rocco de mim. Queria esfregar até sangrar para tirar o cheiro dele, o rastro daquela mentira perversa da minha boca, do meu corpo e da minha alma.

Ele sabia. O tempo todo, enquanto eu chorava me achando um lixo por mentir para o homem que eu amava, ele sabia que os dois eram ele.

Ele assistiu à minha culpa. Ele se alimentou do meu desespero.

Tentei puxar o oxigênio, mas o ar entrava rasgando as minhas vias respiratórias, machucando o peito como se eu estivesse engolindo cimento seco. Cada expiração era uma pontada física real que pesava no centro do meu tórax.

Meu coração doía tanto, mas tanto, que parecia apertar a minha garganta em um nó sufocante. Uma náusea forte bateu contra a boca do meu estômago, um amargor de azia que me obrigou a engolir em seco várias vezes para conter o vômito bem ali, no banco de trás.

Como eu pude ser tão burra?

Como eu fui capaz de acreditar que um homem como ele sentiria alguma coisa por mim?

Logo eu. Um nada. Uma coitada que ele comprou por hora.

Cheguei em casa de madrugada, arrastando o corpo pelas escadas do prédio velho porque as minhas pernas pareciam feitas de gelatina podre. O apartamento estava em um silêncio sepulcral. Frio. Escuro. Caminhei pelo corredor estreito, pisando nos tacos de madeira que estalavam sob os meus pés como ossos se quebrando, e empurrei a porta do quarto do meu pai.

Olhei para aquela cama de solteiro vazia, os lençóis esticados e sem vida, o cheiro de remédio velho e doença que ainda insistia em flutuar pelo cômodo.

Nós não tínhamos nada.

Estávamos atoladas em promissórias, devendo até os dentes. Eu não tinha dinheiro para pagar os exames que o hospital exigia, não tinha recursos para garantir uma enfermeira particular, nem para dar o mínimo de dignidade para ele não morrer naquele leito público.

Era por isso que a Moon estava lá agora, virando a noite acordada em uma cadeira desconfortável de plástico de hospital, rasgando a própria juventude porque nós éramos miseráveis demais para bancar um profissional. E eu... eu achando que o amor ia me salvar.

Corri para a cozinha, com as mãos trêmulas, e abri as portas do armário. Quase não havia comida. Mas lá no fundo, escondida para as emergências da alma, estava uma garrafa de vodka barata.

Girei a tampa com os dentes, rasgando o lábio, e virei o gargalo na boca.

Dei três goles longos, desesperados, sentindo o líquido barato queimar a minha garganta e descer rasgando até o estômago, se misturando ao suco gástrico e à azia.

— Burra... Burra. Muito burra. Você é tão burra, Sky — sussurrei para as paredes descascadas.

Bati as mãos várias vezes contra a parede.

Bati a cabeça incessantemente contra o reboco até sentir a pele da testa arder e o sangue latejar. Escorreguei pelas paredes, desabando no chão frio da cozinha, e virei mais um gole da garrafa.

— Que grande merda. Que piada de mau gosto!!

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário