POV/ ROCCO
Caminhamos em direção ao corredor de acesso. Eu segui para as suítes de domínio no subsolo, em busca da minha dose de controle, enquanto Nathan se dirigia para a ala de swing, o seu habitat natural de depravação.
Antes de entrar, dei uma última olhada no prontuário de Caqui. Já tinha lido o contrato de degustação e verificado quais práticas ela estava disponível para realizar; os termos de consentimento estavam assinados e revisados. Eu ia entrar naquela sala e, pelas próximas horas, eu não seria o herdeiro da Blackwood ou o homem que foi deixado por uma ruiva maluca.
Eu seria o Dominador. O Imperador. E nada, nem mesmo uma memória, ousaria me interromper.
Entrei na suíte VIP 1 e o som da porta pesada se fechando atrás de mim pareceu selar o mundo exterior. O ambiente era climatizado, com cheiro de couro novo e um silêncio que impunha reverência. Caqui já estava lá. Ela estava ajoelhada no centro do tapete escuro, com as mãos repousadas sobre as coxas e a coluna perfeitamente ereta.
Ajustei minha máscara, garantindo que o couro estivesse firme contra o meu rosto, e caminhei lentamente até ela. Parei a poucos centímetros.
— Bem-vindo, meu senhor — ela disse, a voz suave, mas carregada de uma expectativa contida.
Pousei o polegar sob o queixo dela, forçando-a a erguer o rosto. Ela não usava máscara. Os olhos azuis estavam dilatados, fixos nos meus. Analisei cada traço daquela beleza nórdica, comparando-a mentalmente com a ruiva que me assombrava.
— Você é muito bonita — murmurei, a voz modulada pela frieza.
— Obrigada, senhor.
— Há quanto tempo está no Ambrósia?
— Vai fazer quatro anos, senhor — ela respondeu sem hesitar.
— Mesmo após o clube ter mudado a gestão, você continuou. Por quê?
— Eu gosto de desafios. Gosto de como o senhor desenhou as novas regras. É mais... intenso.
Soltei o rosto dela e comecei a caminhar ao seu redor, como um predador avaliando a presa.
— Tem namorado?
— Não, senhor.
— Ótimo saber.
Parei na frente dela novamente. Notei um leve tremor nas mãos dela, um sinal de ansiedade que eu conhecia bem.
— Você parece ansiosa. Leonora me disse que você já experimentou algumas coisas aqui. O que te traz tanta curiosidade hoje?
— Quando a Leonora disse que eu encontraria o Imperador, fiquei empolgada. Eu tive um encontro com o Imperador anterior... antes de ele se apaixonar. Ele era intenso. Eu queria saber se o novo trono carrega a mesma força.
Dei um riso seco, desprovido de qualquer humor.
— Você não precisa se preocupar com paixões. Diferente do meu antecessor, eu não tenho coração. O que você vai encontrar aqui é técnica, controle e o peso da minha mão. Nada mais.
— Vou te vendar — disse, já cobrindo os olhos dela com um tecido escuro. — Quero que seu corpo aprenda sensações que você ainda não conhece. Sem a visão para se preparar, cada toque será uma surpresa.
— Sim, meu senhor — a voz dela saiu trêmula.
Comecei por baixo. Sem aviso, desferi dois golpes rápidos com a varinha na planta do pé esquerdo dela. O som de estalo foi seguido por um gemido agudo. Repeti o processo no pé direito. As solas dos pés dela, pequenas e rosadas, começaram a ganhar um tom mais vivo. Subi para as coxas, deixando que o bambu marcasse a pele branca com vergões finos e vermelhos.
— Mais forte, senhor... — ela suplicou, arqueando as costas. — Eu quero sentir.
Eu não respondi. Em vez disso, segurei a coleira por trás e a puxei com força, restringindo o fluxo de ar por alguns segundos. Observei a luta dela, o peito subindo e descendo freneticamente, a boca entreaberta buscando oxigênio. Ela não pediu arrego. Ela não usou a palavra de segurança. Aquela resistência era o que eu precisava; o controle absoluto sobre o fôlego alheio era o ápice da minha paz.
Soltei a coleira e ela tossiu, recuperando o ar com uma urgência ruidosa. Abri o fecho do sutiã, expondo os seios. Peguei dois prendedores de pressão pesada da minha maleta.
— Isso vai fazer pressão, mas a dor é necessária para o equilíbrio.
Prendi cada um nos mamilos dela.
— Está doendo... senhor, está ardendo — ela choramingou, balançando a cabeça.
— Eu sei. Concentre-se em outra coisa.
Desferi um golpe violento com a cana de bambu na planta do pé dela. O choque da nova dor foi tão intenso que o cérebro dela foi obrigado a ignorar a pressão nos seios para processar o impacto nos pés. É a ciência da saturação sensorial: quando o corpo recebe estímulos demais em pontos diferentes, a mente se esvazia.

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