(CAP. MAIOR)
POV: MOON BITTENCOURT
O hall de entrada estava na penumbra, quebrando a claridade da tarde que eu tinha deixado lá fora. Meu peito subia e descia rápido, o ar custando a entrar pelos meus pulmões de tanto nervoso. Dei um passo para trás por puro instinto, sentindo as minhas costas baterem contra a parede fria.
Ajustei as alças da minha jardineira jeans por cima da blusa azul, tentando disfarçar o tremor que tinha tomado conta das minhas mãos. Caminhei direto em direção à área do bar. O espaço estava completamente vazio, sem a movimentação e o luxo que as meninas da faculdade tanto descreviam. Quase não havia ninguém ali, exceto por uma música instrumental muito baixa que tocava ao fundo, ecoando pelo teto alto.
Um funcionário que polia alguns copos atrás do balcão ergueu os olhos na minha direção.
— Estou aqui para conversar com a Eleonora — soltei, a minha voz saindo mais firme do que eu esperava, embora as minhas pernas parecessem feitas de gelatina.
— A dona Eleonora está resolvendo um problema interno, mas já vem — o homem respondeu, apontando para uma das banquetas estofadas. — Pode sentar e esperar ali.
Apontei para o balcão e me acomodei na cadeira rígida.
— Me vê uma garrafa de água, por favor.
Ele assentiu, pegou a garrafa no frigobar e colocou na minha frente junto com um copo de vidro. Virei a água direto na boca, sentindo o líquido gelado rasgar a minha garganta seca. Eu não tinha comido nada desde o dia anterior, e o estômago vazio começava a protestar com uma pontada incômoda de dor.
Olhei ao redor, tentando absorver os detalhes daquele lugar. Passou pouco menos de dois minutos quando percebi um movimento no canto escuro do salão, perto das áreas VIPs.
Um homem estava de pé ali.
A iluminação era muito fraca, me impossibilitando de ver o rosto dele ou os detalhes das roupas que vestia, mas o porte físico era imponente, alto, grande e musculoso. Senti um calafrio violento subir pela minha espinha, arrepiando os pelos dos meus braços no mesmo segundo. O sujeito estava me encarando. Dava para sentir o peso daquele olhar fixo, uma intensidade que me causou um desconforto físico imediato.
Mudei de posição na banqueta, mexendo as pernas para aliviar o travamento do corpo, e virei as costas na direção oposta, encarando as garrafas de bebida atrás do balcão para fugir daquela mira.
O homem se moveu de volta para a escuridão do corredor exatamente no instante em que os passos firmes de salto alto ecoaram pelo granito.
Eleonora surgiu da mesma direção. Ela usava um vestido social vermelho perfeitamente ajustado, os cabelos loiros escuros alinhados e uma expressão de quem comandava cada centímetro daquele subsolo. Ela se aproximou e parou bem do meu lado, me medindo de cima a baixo com o mesmo olhar clínico de semanas atrás.
— Olha só. Você veio mesmo — ela comentou, abrindo um sorriso contido que não chegava aos olhos.
— Precisamos conversar — respondi, deixando o copo de água sobre o balcão. — Deixa eu explicar o motivo de estar aqui.
— Vamos até a minha sala — ela ditou, apontando para um dos sofás reservados no canto do bar. — E claro que eu sei o motivo de você estar aqui, Moon. Garotas com o seu perfil não costumam vir ao Ambrosia no meio da tarde para nada.
Entrei atrás dela e me sentei no estofado escuro.
O meu coração estava tão acelerado, que pensei que iria infartar.
Não estava fazendo nada errado. Mas será que minha mãe do céu pensaria o quê de mim?
Droga!!! Para de pensar Moon, desse jeito você fica parecendo a SKY com esses pensamentos. — disse a mim mesma mentalmente, enquanto tentava puxar o ar e enxugar as mãos suadas na minha perna.
— Estou com muitos problemas, Eleonora — confessei, engolindo em seco para afastar a náusea da fome. — Eu conheço algumas meninas da faculdade que frequentam o clube. Sei como as coisas funcionam aqui dentro. Estou aqui para me tornar uma submissa também. Só que eu não tenho experiência nenhuma. Não tenho nada.
Eleonora inclinou o corpo para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos. Ela avaliou o meu rosto por alguns segundos, focando nos meus olhos verdes e na linha do meu maxilar, antes de soltar uma risada baixa.

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