POV: MOON BITTENCOURT
Já imaginou olhar para si mesma no espelho e nem se reconhecer?
Olhar para o próprio rosto no reflexo e não saber o que veio fazer no mundo, perdendo completamente a noção de quem você era antes da ruína começar?
Essa sou eu.
Uma menina que um dia teve tudo e que hoje em dia não tem absolutamente nada.
Tudo o que me restou foi assistir à morte da minha mãe, ver o meu pai preso em uma cama de hospital público e testemunhar a minha irmã mais velha se afundar em dívidas, correndo atrás do próprio rabo em um desespero diário.
A Sky é uma pessoa extremamente orgulhosa. E eu também sou.
O orgulho de merda foi a única coisa que sobrou para nós duas depois de tanta gente fazer mal na nossa vida. Foi a nossa única herança contra a miséria.
Às vezes, parece que a nossa existência é como uma esteira rolante que está constantemente ligada na velocidade máxima. Por mais que a gente corra, caminhe ou tente sentar para descansar, a lona continua seguindo em frente sob os nossos pés, nos arrastando de volta.
A gente simplesmente não consegue sair do lugar.
Nos impossibilitando de continuar ou de desistir.
É uma sensação de sufocamento absurda. Uma falta de ar que aperta a base do meu pescoço.
Eu estudei o máximo que pude. Saí da escola e fui direto para a faculdade de Design para tentar fazer alguma coisa produtiva da minha vida. Consegui uma bolsa integral pelo ProUni. Eu gostava da ideia de ter uma vida um pouco mais tranquila, morando com a minha irmã e desenhando as minhas estampas em paz.
Mas agora a Sky está toda lascada.
Ver a minha irmã desse jeito, a pessoa que sempre fez de tudo para me ver feliz, a pessoa que era obrigada a cuidar de mim desde a adolescência... é degradante. É doloroso demais ver a pose de protetora dela desabar no chão de uma cela de tribunal.
Eu nunca tive tempo para namorado, para festas ou para imprimir memórias normais de juventude. Minha rotina sempre foi muito triste, muito sofrida e cheia de sacrifícios para sobrar espaço para qualquer romance.
O táxi reduziu a velocidade e parou no meio-fio da calçada escura.
Olhei pela janela para a fachada discreta e imponente do Ambrosia Club, com as luzes fracas iluminando a entrada de serviço do subsolo.
Estou descendo desse carro para vender a minha virgindade.
Vou entregar a única coisa intocada que me resta para tentar salvar quem eu amo. É a melhor forma que encontrei. É a única cartada que nós temos agora, diante de uma dívida milionária que o Paulo Gouveia jogou no nosso peito.
A Sky está exausta. Ela está completamente esgotada emocionalmente. Ela faz de tudo para não demonstrar o cansaço diante de mim, mas eu sei que, no fundo, ela já desistiu.
Minha irmã tenta, tenta e tenta de todas as formas, mas ela acaba não conseguindo vencer o peso bruto das promissórias. Ela falha em algumas coisas que faz, mas não como irmã mais velha. Ela falha porque o mundo é injusto e cruel com quem está desamparado.
O mundo é uma roda gigante desgovernada, nós estamos presas na pior parte e eu já sei disso. Infelizmente, eu aceitei a nossa ruína.
Só que eu não posso aceitar esse massacre para sempre.
Eu entendi que se eu não tomar uma decisão drástica para mudar o nosso destino, nada vai mudar. Ninguém vai ter pena de nós duas.
Abri a porta do táxi e pisei no asfalto, tentando respirar fundo para não desmaiar bem ali.
A pressão no meu crânio era tão grande que me deixava zonza e surda. Ou talvez fosse o reflexo do fato de eu não ter comido nada ontem à noite, nem tomado café, e pelo jeito nem almoçado também.
Entreguei os meus últimos trocados para o motorista e bati a porta do carro, caminhando com passos meio firmes em direção ao clube. Meu corpo inteiro tremia de medo, o estômago revirava e o suor frio colava a minha blusa na pele, mas mantive o queixo erguido.
Na faculdade de Design, cercada pelas garotas mais ricas da alta sociedade de Porto Alegre, eu sempre fui um peixe fora dágua com a minha bolsa do ProUni. Elas passavam os intervalos no pátio conversando sobre roupas de grife, viagens para a Europa e, surpreendentemente, sobre o que faziam no escuro para passar o tempo.
Eu ficava quieta no meu canto, fingindo focar nos meus esboços, mas ouvia cada palavra.
A Eleonora, a mulher que gerenciava os contratos do subsolo, tinha me visto na recepção da diretoria há algumas semanas atrás. Ela me mediu de cima a baixo com um olhar clínico e comentou com uma secretária que eu seria um ótimo achado para o catálogo deles. Disse que eu era uma mina de ouro. Me entregou o seu cartão e avisou que, quando a minha barriga doesse de verdade, não sobraria espaço para consciência ou qualquer outra bobagem.
Eu sabia que era bonita.
Não sou magrela e nem baixa demais. Tenho a pele limpa, sem marcas de espinhas, olhos verdes marcantes e o meu cabelo tem um tom de castanho claro puxado para o louro. Na época do elogio, uma colega da faculdade chegou a dizer que eu conseguiria um patrocinador rico em menos de uma hora se pisasse ali dentro.
Hoje eu estou aqui.
Senti o suor frio escorrer pela minha nuca, colando alguns fios de cabelo no pescoço de tanto nervoso. Meu coração batia de forma desordenada, uma pulsação acelerada que subia direto para a minha garganta, me deixando quase sem ar.
Parei em frente à pesada porta de ferro da entrada de serviço do Ambrosia Club.
Eu não estava ali para fazer graça.
Não estava ali para brincar de fetiche ou buscar adrenalina como as meninas ricas da minha sala.
Eu estava ali para viver, para garantir a sobrevivência da minha família. Se o corpo era a única moeda que os Bittencourt tinham guardada, eu ia entregar a minha virgindade para quem pagasse mais.
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NOTA DE AUTORA OIEE MEUS AMORASS🚨🤩 💣
Chegamos a um momento super especial da nossa história! A partir de agora, vamos ter alguns capítulos pelo ponto de vista da MOON! 🌙✨ Quero muito que vocês conheçam ela de perto, entendam a cabeça dela e comecem a se apaixonar por essa personagem.
Para quem ainda não sabe, esse livro funciona como um BOX onde nós vamos acompanhar a história de vários personagens, agora teremos os cap. da Moon no futuro também, da SAKURA e de mais uma personagem surpresa que eu ainda não apresentei para vocês! 🤭 🤫 - Mas com casal princpal Rocco e Sky.
Esse é o meu jeitinho de escrever. Eu acho muito melhor desenvolver todos os personagens juntos, já que eles são do mesmo universo, a história se passa no mesmo periodo, do que escrever uma história, finalizar tudo e só depois começar outra. Funcionou super bem nos meus livros de MÁFIA e eu espero que funcione assim aqui também e que vocês gostem! 👑 de 🦅
Não fiquem confusas e não achem que vai virar bagunça: nós vamos voltar para a SKY em breve, tá bom? 🦊❤️ Mas, por enquanto, espero que vocês possam gostar e acolher a Moon também porque ela precisa de forças e apoio.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário