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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 188

(FLASHBACK — HÁ 9 ANOS)

POV: CHRISTIAN

O primeiro impacto acertou o lado esquerdo da minha mandíbula. Minha cabeça bateu contra o chão de cimento batido atrás do ginásio, e o gosto de ferro do sangue inundou a minha boca imediatamente. Tentei encolher as pernas, protegendo o estômago, mas uma botina de couro estalou direto contra as minhas costelas, me tirando todo o ar dos pulmões.

— Você não devia estar aqui, seu lixo — a voz do Maurício ecoou por cima de mim, seguida por mais um chute que pegou na minha coxa. — Esse colégio não é lugar para morto de fome.

Outro chute acertou a boca do meu estômago.

— Pega a sua bolsa de estudos e esvazia o armário antes que a gente quebre o resto dos seus dentes — Luan esbravejou enquanto chutava o meu rosto.

Prendi os braços em volta da minha cabeça, encolhendo o corpo inteiro na tentativa de absorver os impactos físicos. A dor se espalhava em pontadas quentes pelo meu tórax, mas a humilhação doía muito mais. Eu odiava cada segundo naquele colégio de playboys.

Eu odiava o fato de estar ali apenas por uma bolsa de estudos por mérito, sendo a minha única chance real de mudar o meu destino miserável.

— Para com isso! Para com isso agora, seus covardes! — um grito agudo cortou o barulho dos chutes.

Abri uma fresta dos olhos, limpando o sangue que escorria da minha testa. Uma menina magrela, de pernas compridas e olhos verdes enormes, vinha correndo na nossa direção. Parecia uma siriema desengonçada. Ela não hesitou. Pegou impulso no chão e acertou uma voadora direto no peito do Maurício, fazendo o brutamontes tombar para trás e bater as costas no latão de lixo.

— Sai daqui, maluca! — Luan gritou. — Vai embora, sua lunática!

A menina não parou. Ela avançou contra o segundo rapaz e deu vários chutes na canela dele. O GRATO soltou um gemido agudo, tentando empurrar ela para trás.

Ela rosnou mostrando os dentes, parecendo um chihuahua.

— Maluca!!!! — Maurício disse, gemendo ainda no chão.

— Vem! Vem mais um se vocês quiserem apanhar também! — ela berrou, empurrando o terceiro menino pelo peito, o corpo miúdo dela tremendo inteiramente de raiva.

Maurício se levantou do chão, limpando o uniforme sujo, e olhou para ela com uma careta de desdém.

— Olha só se não é a garota que vive no mundo da lua — Maurício desdenhou, soltando uma risada sem graça para tentar recuperar a postura na frente dos amigos. — Você é maluca, Bittencourt.

— Eu vou contar tudo para a diretora agora mesmo! — ela rebateu, erguendo o queixo com uma autoridade absurda, sem recuar um único milímetro. — Sumam daqui antes que eu conte para o meu pai.

Os meninos se entreolharam. Maurício cuspiu no chão, apontou na minha direção e deu as costas.

— Vamos embora. Deixa esse monte de estrume aí jogado — ele ditou, caminhando rápido em direção ao pátio principal junto com o resto do grupo.

Fiquei caído de lado, com a mão na costela dolorida, observando os quatro se afastarem em direção ao pátio até sumirem de vista. A menina limpou as palmas das mãos na saia do uniforme e caminhou até mim. Os olhos verdes dela pareciam gigantescos naquelas feições miúdas.

— Você tá bem? — ela perguntou, estendendo a mão pequena na minha direção.

Apoiei o meu peso no braço dela e me forcei a levantar, sentindo uma pontada aguda no estômago. Assim que fiquei de pé, curvei o meu corpo miúdo e magricelo, sentindo cada osso da minha estrutura fina protestar. Eu era apenas um garoto negro, de pele mais clara, mas mesmo assism preto, fraco demais perto daqueles agressores.

— Estou — resmunguei, limpando o canto da boca com as costas da mão e encarando o sangue avermelhado nos meus dedos.

— Você não pode ficar deixando os meninos fazerem tudo isso com você — ela disparou, criando uma barreira e me dando um sermão com total seriedade. — Quando você deita no chão, as pessoas rolam por cima. Tem que revidar.

Deixamos a área de chão batido de trás do ginásio e entramos no prédio da escola. Caminhei devagar ao lado dela pelo corredor interno, sentindo o meu corpo inteiro latejar.

— Por que eles correram de você? — perguntei baixo, intrigado com a facilidade com que ela desandou os playboys do terceiro ano.

— Ah, sei lá. Acho que é porque a minha família tem muito dinheiro, por minha mãe ser a diretora da escola, ou porque eles sabem que eu sou doida — ela deu de ombros, sem dar muita importância.

— Ah, deve ser por todos esses motivos aí — disse, apontando o dedo para ela.

Gargalhei da fala dela, gargalhei tanto que fez a minha barriga doer.

— Tá rindo de quê?

— Você é engraçada.

— Eu não sou engraçada — ela disse, bufando e cruzando os braços.

— Tá bom, menina não engraçada. Qual o seu nome?

— Moon. E se for perguntar, sim, Moon como a lua — ela explicou, passando as mãos pelo cabelo que estava todo bagunçado. Os cabelos dela eram loiros claros, principalmente nas pontas, uma cor bonita que, quando o sol bateu pelas janelas do corredor, pareceu iluminar ela, a tornando a versão do Sid mais bonita que já tinha visto. — Foi ela quem escolheu o meu nome por causa disso também. E o seu?

Ela fez toda a explicação, mas eu não prestei atenção. Estava fascinado.

— Ouuu? Lua chamando você???

Sorri de novo, ela era engraçada.

— Meu nome é... — Travei por um instante. Olhei para o chão, lembrando do registro que a minha mãe biológica deixou no meu papel e de toda a desgraça que aquele nome carregava. — Felipe — menti,extirpando o peso do registro real e sustentando o olhar verde dela. — Meu nome é Felipe.

— Prazer, Felipe. Eu sou a Moon.

Ela sorriu enquanto apertava a minha mão.

— Perfeito — disse, sorrindo, enquanto na minha mente ecoava: minha Moon, minha Lua.

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