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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 189

CAPÍTULO 202: O DONO DA SOMBRA (POV: CHRISTIAN BLACKWOOD)

Girei o volante do carro com força, fazendo os pneus cantarem no asfalto quente da avenida. Eu estava no meio de uma reunião de diretoria da mineradora quando o meu celular vibrou no bolso do paletó com a mensagem curta do Rocco: "A sua garota acabou de sair do fórum desgovernada. Ela tá indo pro clube fazer uma estupidez. Dá um jeito".

Larguei os papéis na mesa sem dar nenhuma explicação aos acionistas e saí da sala.

Eu sabia exatamente o que aquilo significava. Garotas como a Moon, quando são empurradas para o fundo do poço e inseridas nesse tipo de ambiente de ruína, não possuem muitas escolhas. O desespero estipula o limite delas. E eu estava cruzando a cidade naquela velocidade justamente para garantir que eu seria a única escolha disponível para ela.

Acelerei o utilitário, cortando os carros enquanto o motor roncava.

Olhar para o asfalto trazia também os fantasmas da minha própria história, o motivo de eu ser o garoto que não tinha nada naquele colégio de elite.

Minha mãe biológica tinha sido a amante de um homem famoso e podre de rico. Ela era uma mulher negra, moradora da favela que trabalhava como empregada doméstica na casa dele. Quando engravidou, foi demitida na mesma hora, jogada na rua sem um centavo. Mesmo assim, o meu nome veio em homenagem a ele, e por isso eu odiava o nome Christian. Ela teve que trabalhar em faxinas brutas logo após o parto, sem direito ao repouso da cesárea.

O corpo dela não aguentou o desgaste. Ela adoeceu gravemente e acabou morrendo quando eu tinha apenas os meus primeiros oito anos de idade.

Fiquei com a minha tia, que conseguiu um emprego de governanta no casarão da família Blackwood. Nos fins de semana eu ia junto com ela para o trabalho e brincava com o filho dos patrões. Graças à generosidade dos Blackwood, eu tinha conseguido aquela bolsa de estudos por mérito na escola particular. Mas eu continuava sendo o menino pobre no meio dos herdeiros arrogantes.

Foi durante esse período que sofri bullying, até conhecer a minha lua.

Nossa rotina se amarrou no dia a dia da escola em tempo integral. Tomávamos o café da manhã na mesma mesa do refeitório, dividíamos o prato no almoço e passávamos as horas vagas conversando e lendo livros juntos na biblioteca. Eu via de perto o quanto ela era inteligente, decifrando os exercícios complexos antes de qualquer um. Depois das aulas, eu ia direto para a casa dela fazer as tarefas escolares.

Foi assim, visitando aquele palácio verdadeiro, que conheci cada centímetro daquela propriedade gigantesca com coqueiros altos e imponentes no jardim de entrada. A Moon era uma menina de doze anos dona de um otimismo contagiante, sempre alegre, rindo alto e espalhando uma energia barulhenta por onde passava. Mas aquele comportamento expansivo era uma defesa.

Eu via a dinâmica daquela família de longe. A irmã mais velha, Sky, era uma garota mais tímida, séria e compenetrada, mas andava para cima e para baixo grudada com o herdeiro da família Gouveia. Eles eram melhores amigos, inseparáveis. A Moon acabava sobrando nos cantos, isolada, alimentando um sentimento invisível de inferioridade em relação à irmã. Para compensar essa rejeição silenciosa, ela desandava a ser o centro das atenções, forçando uma alegria que tentava preencher os vazios daquela casa. E eu era o único que passava os dias ao lado dela.

Eu mudei muito ao lado dela durante aqueles meses. Minha voz começou a falhar e engrossou de vez por causa da puberdade, os meus ombros alargaram, e eu assisti o rosto miúdo dela se encher de espinhas inflamadas na testa para, logo depois, ver cada uma daquelas marcas sumir por completo, deixando a pele limpa de novo, aguente seus surtos de TPM por longos dias. Minha vida funcionava em um ciclo exato: passava os dias da semana inteiros com ela na escola e na mansão Bittencourt, e guardava os sábados e domingos para ir até a casa dos patrões da minha tia.

Quando a Moon completou treze anos, o império dos Bittencourt começou a desmoronar e a mãe dela faleceu em um acidente de carro. Eu quis dar apoio, quis correr até o casarão dos coqueiros para segurar a mão dela, mas o meu próprio mundo pegou fogo exatamente ao mesmo tempo.

O filho dos Blackwood morreu em um acidente terrível. Logo em seguida, a minha tia ficou gravemente doente. No meio daquele luto duplo, os patrões decidiram me adotar legalmente para preencher o vazio do filho perdido. Minha tia passou por tratamentos intensos, mas não resistiu e faleceu.

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