(POV: SKY BITTENCOURT)
O sábado tinha chegado e aqueles três dias desde a mensagem no escritório pareceram uma eternidade completa. Meu pai continuava estável no quarto do hospital, o que me dava um pouco de sossego, mas a minha cabeça não parava.
O sábado finalmente chegou.
Três dias.
Três dias sem discutir com o Rocco.
Três dias sem chamar aquele homem de manipulador, chantagista, ordinário, egocentrico, cretino ou qualquer outro adjetivo ofensivo que meu vocabulário generosamente oferecia.
Descobri, da pior forma possível, que sentir falta das brigas também era sentir falta da pessoa. E essa talvez fosse a maior humilhação da minha vida.
Minhas pernas tremiam e o meu estômago revirava em uma náusea pesada causada pelo nervosismo.
Eu não sabia como agir perto dele depois desse tempo longe, desde o dia em que ele me tirou daquela delegacia. Para piorar a situação, gastei os meus últimos centavos comprando um conjunto de lingerie vermelha de renda, porque o meu cérebro traidor lembrava perfeitamente que ele gostava daquela cor.
Passei quinze minutos encarando a sacola da loja.
Cogitei voltar lá e trocar por uma bege de vó só de raiva.
Não troquei.
Porque, aparentemente, até o meu subconsciente era um traidor infiltrado trabalhando para o Rocco.
No começo da noite a Moon saiu de casa primeiro. Ela estava toda arrumada para ir a uma festa com a Sakura. Fiquei feliz por ver a minha irmã saindo para se divertir um pouco, longe de todo esse clima de hospital.
A Sakura até me chamou para ir junto, mas eu tive que recusar. Eu tinha um compromisso marcado com o meu executor.
Tomei um banho longo, escovei os cabelos com calma, passei bastante óleo perfumado na pele e caprichei na maquiagem. Vesti um vestido totalmente vermelho, calcei as minhas botas pretas que subiam até o meio da coxa, soltei os fios loiros e saí de casa com o coração batendo na garganta.
Quando cheguei no prédio da cobertura do Rocco, o pânico bateu de verdade. Entrei no elevador privativo e, conforme ele subia, o meu ar começou a sumir.
Bateu um desespero tão grande que eu simplesmente agachei no chão metálico do elevador, enfiando as mãos na raiz do cabelo e puxando os fios, tentando fazer a minha mente parar de girar.
O elevador bipou e as portas se abriram direto no hall da cobertura. Entrei em pânico.
Olhei para a frente e comecei a esmurrar os botões do painel, tentando fazer o elevador fechar a porta e descer correndo comigo lá para dentro.
— Fecha. Fecha, desgraçado. Pelo amor de Deus. Eu prometo que nunca mais falo mal de elevador. FECHA!
As portas continuaram abertas.
— Está negociando com o elevador?
Dei um sobressalto, o coração quase saltando pela boca. O Rocco estava parado bem na minha frente, bloqueando o fechamento das portas com o próprio corpo. Ele estava ridículo de tão lindo.
Usava uma camisa social preta com as mangas dobradas até o antebraço, calça escura e o cabelo estava levemente bagunçado. Dava para sentir o cheiro forte de sabonete e perfume importado; ele tinha acabado de sair do banho. Uma tentação completa para os meus sentidos.
Ele estendeu a mão direita para me ajudar a levantar do chão.
Dei um tapa na mão dele.
Um tapa completamente desnecessário.
Porque quem estava sentada no chão igual a um guaxinim em crise existencial era eu.
Recusei a ajuda e me levantei sozinha, ajeitando a barra do vestido vermelho com um puxão ríspido.
— Estou ótima — respondi, tentando manter a pose.
— Achei que não estivesse — ele comentou com um meio sorriso de canto, me olhando de cima a baixo com aqueles olhos verdes intensos. — Já que estava aí agachada conversando sozinha com o painel.
— E o que você faz aqui? — perguntei séria.
— Bom... — ele arqueou a sombrancelha — Eu moro aqui. Né. — ele disse abrindo um sorriso sarcástico.
Fechei a cara para ele, dei um passo à frente e passei direto pelo seu corpo, jogando o meu cabelo bem na cara dele de propósito enquanto invadia o apartamento.
Caminhei pelo corredor, olhei para a cozinha e para a sala. Aquele lugar era um campo minado de lembranças para mim.
Por mais que eu tentasse focar no ódio que sentia pelas chantagens dele, as minhas pernas continuavam bambas.
Meu corpo parecia receber a frequência do Rocco de um jeito imediato, como se a presença dele preenchesse exatamente o espaço que faltava em mim. Era uma intensidade que me deixava sem ar.
Dei dois passos para trás.
A ideia era simples.
Fugir.
O problema era que havia um Rocco Blackwood exatamente entre mim e a porta.
Bati de frente com o peito dele.
Claro que bati.

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