POV/ Moon
— Sky, eu preciso te contar uma coisa — comecei, mantendo o tom de voz o mais firme que conseguia, apoiando as mãos na mesa para controlar a trepidação dos meus dedos.
— O que foi, Moon? Aconteceu alguma coisa com o papai? — a postura dela ficou rígida no mesmo segundo, o pânico de uma notícia ruim brilhando nos olhos.
— Não, não! O papai está bem. É sobre mim — respirei fundo, engolindo em seco para buscar coragem.
— Pode dizer — ela esticou o braço, buscando a minha mão e apertando-a com força. — Você está bem?
— Sim... — forcei o maior e mais convincente sorriso que consegui e acariciei os dedos dela. — Eu estou bem. É que... eu estou saindo com um homem. Um Dom. Eu entrei para o mundo da submissão no clube.
A Sky travou no lugar. O ar pareceu sumir dos pulmões dela e os seus olhos se arregalaram em um choque absoluto.
— O quê? Como assim, Moon? Um Dom? Por quê? Para que isso?
Sorri sem graça, sentindo o suor frio descer pela minha nuca. Cocei a cabeça, minha boca se abriu para tentar formular uma frase, mas fechou logo em seguida. Eu simplesmente não tinha palavras prontas.
— Você enlouqueceu? — a voz dela subiu um tom, completamente carregada de preocupação e pânico. — Você fez isso por causa de dinheiro, não foi? Por causa das dívidas do hospital? Me diz a verdade, Moon! É minha culpa, não é? Eu não consegui nos sustentar!
Descobri que mentiras também podem nascer do amor.
Existem verdades que libertam.
Mas existem outras que apenas esmagam quem a gente mais quer proteger.
Se carregar aquele peso sozinha impedisse minha irmã de desabar... Então eu mentiria quantas vezes fossem necessárias.
— Sky... Não! Não é culpa sua de jeito nenhum! — interrompi de imediato.
Forcei um meio sorriso descontraído, dando de ombros com uma naturalidade calculada que eu estava longe de sentir por dentro.
— Não tem absolutamente nada a ver com as contas ou com o dinheiro, Sky. Eu fiz isso única e exclusivamente porque eu quis — menti, sustentando o olhar dela sem desviar. — Eu estava curiosa faz tempo. Eu quis experimentar esse estilo de vida, quis sentir na pele como é a sensação de ser dominada por alguém. É uma escolha estritamente minha, pelo meu próprio prazer. Não tem nenhuma relação com o hospital ou com o nosso pai.
— Moon... — ela chamou, a voz falhando, tentando buscar uma mentira no meu rosto.
— Sky... está tudo bem, sério — respondi, mantendo a máscara limpa. Pela primeira vez, usei a minha própria voz para impor uma barreira protetora, mesmo que estivesse usando uma mentira para blindar o que restava do coração da minha irmã. — Eu estou gostando e estou feliz. Está sendo incrível.
— Você realmente o conhece? Quer conversar sobre ele?


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário