POV/ MOON
Duas semanas se passaram em um sopro de trabalho exaustivo. A Sky fez toda a planta técnica do novo parque de diversões, enquanto eu e a Sakura pesquisamos inspirações para os brinquedos. Nós conseguimos encomendar e achar equipamentos seguros e que ficavam perfeitamente dentro do orçamento estipulado. Eu finalizei o design completo da praça e dos brinquedos, e agora faltava apenas a parte da construção. Eu estava extremamente ansiosa por isso e esperava que as pessoas gostassem de verdade do que eu tinha feito.
Eu estava sentada em uma das cadeiras de plástico da recepção da ala médica, esperando o horário de visita terminar. A Sky tinha entrado antes para conversar com o médico responsável pelo caso e, quando ela cruzou a porta de vidro do corredor, vinha caminhando rápido e sorrindo.
— Moon, temos ótimas notícias! O papai está bem melhor, a fisioterapia está dando resultados incríveis e o médico disse que ele tem algo para nos mostrar — a Sky falou, parando na minha frente.
E, como sempre acontecia nos momentos de emoção, a Sky estava com os olhos brilhando por causa das lágrimas que inundavam suas pálpebras. Nos últimos dias, a minha irmã andava muito estressada. Ela mexia no celular a cada cinco minutos, bufando sem parar pelos cantos do apartamento e eu desconfiava que aquilo tinha alguma relação com o fato de o Rocco estar lá na Inglaterra.
Eu achava que ela estava com saudade dele, mas quando tentei perguntar de forma sutil, ela cortou o assunto na mesma hora e não quis admitir de jeito nenhum. Essa era a minha irmã, teimosa como sempre.
Nós duas entramos juntas no quarto do hospital. Segurei o fôlego quando vi o meu pai. Ele não estava deitado na cama de hospital; estava sentado em uma cadeira de rodas.
— Papai... você está sentado — a Sky soltou em um sussurro emocionado.
Uma equipe médica muito grande, incluindo a fisioterapeuta responsável pelos exercícios diários, estava ao redor do leito. Eles nos olharam sorrindo e a fisioterapeuta fez um sinal com a mão para o meu pai.
— Nós temos algo para mostrar para vocês duas — ela anunciou.
O meu pai piscou devagar. Ele concentrou a força do corpo e, com um esforço visível, mexeu os dedos das duas mãos e os dedos dos pés.
A Sky e eu soltamos um grito abafado de felicidade na mesma hora. Nós corremos em direção a ele, nos abaixamos e o envolvemos em um abraço coletivo, cobrindo o rosto dele de beijos e chorando de pura alegria. Foi aí que o meu coração quase parou. O meu pai, que tinha passado anos completamente travado, ergueu o braço esquerdo devagar e passou a palma da mão pelas minhas costas, retribuindo o abraço.
Nós choramos ainda mais com aquele toque. A Sky estava muito agradecida a toda a equipe médica, abraçando as enfermeiras e limpando o rosto molhado. Os médicos explicaram que, se ele continuasse evoluindo exatamente naquele ritmo diário, logo ele poderia ficar de pé e, quem sabe, até voltar a falar normalmente em alguns anos.
— O quê? Como assim? — perguntei, piscando atordoada.
Afinal, ele tinha ficado preso em uma cama por muito tempo, sem qualquer diagnóstico de melhora. O médico chefe pediu silêncio e nos chamou para o canto do quarto, com o semblante mais sério.
— O quadro dele era mantido de forma artificial por causa daquelas substâncias que detectamos no exame de sangue antes da cirurgia — o médico explicou em voz baixa. — O hospital já abriu uma investigação interna e está correndo um inquérito policial para descobrir quais eram exatamente esses remédios e rastrear todo o pessoal envolvido na clínica médica anterior. Eles estão sendo investigados para descobrirmos quem estava drogando o seu pai sistematicamente.
Ouvir aquilo fez o meu estômago revirar em um nó dolorido. Havia uma parte ruim em toda aquela história. Como a Sky e eu éramos as responsáveis legais pelo meu pai durante todo esse tempo, aquela investigação policial corria o risco iminente de respingar na gente. A polícia poderia achar que nós sabíamos de algo ou que fomos negligentes nas vistorias da antiga equipe médica. Senti o suor frio brotar na minha testa, o pânico subindo porque, se desse alguma coisa errada na justiça, tudo sobraria para a cabeça da Sky.
Apertei o ombro da Sky com força, sentindo o meu corpo tremer com o medo daquela situação. A minha irmã percebeu o meu pânico, segurou a minha mão com firmeza e olhou no fundo dos meus olhos.
— Está tudo bem, Moon. Vai ficar tudo bem — ela garantiu, tentando me acalmar.
Deixei a Sky no quarto com ele e saí para o corredor deserto do hospital. Eu precisava respirar ar puro. Encostei as costas na parede fria, peguei o celular com os dedos trêmulos e mandei uma mensagem direta para o Senhor C. Eu precisava contar sobre o milagre das mãos do meu pai e agradecer por tudo o que ele tinha feito por nós.
"O meu pai mexeu as mãos e os pés!! O tratamento está funcionando! Eu queria muito ver você para poder te agradecer pessoalmente... Quando nós vamos nos encontrar?" — escrevi.
A resposta dele piscou no visor quase na mesma hora, mantendo aquela autoridade ríspida:

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