(10 DIAS- Antes)
POV/ MOON
Após eu e Sky desabarmos no chão da cozinha, a nossa conversa lavou a alma e tirou um peso enorme das minhas costas.
Nós demos uma faxina violenta na casa inteira. Esfregamos as paredes, tiramos a poeira acumulada de meses e organizamos o quarto do meu pai nos mínimos detalhes, deixando o ambiente totalmente limpo para quando ele voltasse. Depois de passar o dia inteiro com os braços doloridos de tanto esfregar o chão, nós tomamos um banho demorado e fomos direto para o shopping.
Usei parte do dinheiro que eu tinha recebido para comprar uma cama nova e confortável para o quarto do meu pai e roupas de cama para minha, já que o senhor C tinha insistido tanto. Aproveitei e comprei algumas lingeries novas também, o que me deixou um pouco constrangida, mas com frio na barra de impressionar o meu dominador.
Não entrei em detalhes específicos sobre as minhas sessões e ordens com o Senhor C, e a Sky também recuou nos pontos mais profundos do que vivia. Nós duas tínhamos assinado contratos de confidencialidade com o clube, e a regra do silêncio precisava ser exercida por segurança. Em vez de quebrar o sigilo técnico dos papéis, nós estabelecemos limites claros e exercemos essa barreira com maturidade.
Nosso pacto foi selado em cima de Confiança e Irmandade, Maturidade e Segurança. O acordo era simples: se qualquer um daqueles homens passasse do limite, se nos machucasse de verdade ou se causasse um desconforto intolerável, nós quebraríamos o protocolo na mesma hora para conversar e nos proteger.
Sentada na beira do colchão novo, ouvi a Sky me contar sobre o Rocco, as omissões e as mentiras dele em relação a toda relação deles Dom & Chefe. Meu sangue ferveu por dentro. Eu não conseguia entender a cabeça daquele CEO e muito menos conseguia perdoá-lo por ter magoado a minha irmã daquele jeito. Mas, enquanto ouvia o relato, o semblante da Sky me entregou uma realidade completamente nova.
A fisionomia dela estava transformada. Ela nunca tinha ficado com aquele rosto desarmado quando falava do Victor, nem mesmo quando descobriu a traição na mesa de reuniões e ficou abatida.
A Sky sempre tinha sido brava, feroz, gritando pelos corredores quando a empurravam contra a parede. Diante da traição do ex, ela pichou o próprio vestido de seda, foi até a igreja e armou o escândalo no altar para dar o troco de forma cruel. Ela reagia com dentes e garras.
Mas agora, quando se tratava do Rocco, a minha irmã simplesmente se calava, chorava baixinho e ficava na dela, recolhendo os pedaços em silêncio.
Aquela mudança física drástica significava apenas uma coisa: a Sky estava apaixonada pelo Rocco.
Se eu estivesse no lugar dela, se eu fosse a Sky e o Senhor C demonstrasse algum arrependimento real, eu provavelmente daria uma chance para ele se explicar e deixaria nos dois se reconectarem. Mas a minha irmã era uma estrutura feita de extremo orgulho. Ela não ia perdoar o Rocco tão facíl, mesmo que ela morresse em agónia. O tamanho daquela teimosia me fez sentir até um pouco de pena do patrão.
O Rocco Blackwood estava completamente lascado nas mãos dela, e ele nem imaginava o tamanho do colapso que o esperava.
A Sky segurou os meus ombros antes de sairmos do quarto, o olhar firme focado nos meus olhos. Ela me deu conselhos sérios para tomar cuidado com o Senhor C, implorando para que eu protegesse os meus sentimentos e não deixasse a minha relação chegar àquele ponto de dor e quebra de expectativa. Eu engoli em seco e assenti, torcendo internamente para que a minha ligação com o meu mestre nunca atingisse aquele nível de sofrimento.
Mais tarde passamos no mercado para fazer compras de verdade, enchendo os armários que antes viviam vazios. O restante daquele final de semana, principalmente o domingo, foi o período mais calmo e tranquilo que a minha irmã e eu tivemos em anos.
A calmaria durou até a segunda-feira à noite, quando a Sakura bateu na nossa porta trazendo uma garrafa de vinho.
Abri a porta e a Sakura me envolveu em um abraço apertado, que eu retribui sentindo o cheiro de perfume adocicado dela. Ela se afastou um pouco, segurando os meus ombros e me mapeando de cima a baixo com o olhar.
— Como você está, Moon? — ela perguntou, com os olhos pretos focados nos meus.
— Estou bem, Sakura. Entra — respondi, dando espaço para ela passar.
Ela entrou na cozinha e colocou a garrafa em cima da mesa nova, com um sorriso de canto que indicava que ela sabia de algo importante.
— Vim aqui contar uma novidade para vocês duas em primeira mão. Fiquei sabendo pelo Diego agora pouco — Sakura disse, puxando uma cadeira e se sentando enquanto a Sky aparecia na porta da cozinha.
Nós abrimos a garrafa e começamos a tomar o vinho enquanto ouvíamos as explicações dela. A Sakura nos contou que a próxima etapa do concurso Blackwood Horizon ia ser adiada por tempo indefinido. O motivo oficial era que o Rocco Blackwood precisava viajar às pressas para fora do país, indo direto para a Inglaterra para resolver problemas e acompanhar o irmão caçula em uma terapia familiar intensiva.
Mas o adiamento não significava folga. A Sakura explicou que a prefeitura da cidade tinha enviado algumas licitações com valores de orçamento diferentes, e a diretoria da Blackwood resolveu pegar esses projetos menores de infraestrutura urbana para distribuir entre as três equipes que sobreviveram à eliminação.

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