POV/ Moon
— Não. Eu que fico feliz por você, de verdade — ela força um sorriso, mas a fisionomia dela continuava abatida. — Mas a minha vida acabou de virar um lixo completo.
— E o que você vai fazer sobre esse almoço de noivado amanhã? — perguntei, preocupada.
— Eu não tenho escolha, Moon. Se eu não for, o meu avô Alfonso corta a minha mesada, cancela os meus cartões, me expulsa da faculdade e me j**a na rua da amargura. Eu vou ter que ir. Não sei nada sobre o sujeito, só que o sobrenome dele é Zeiberg.
Soltei um riso baixo, tentando quebrar aquele clima pesado.
— Vai que o cara é um bilionário absurdamente gostoso e lindo?
— Eu não ligo para isso. Odeio a ideia de ser vendida como uma mercadoria para salvar o pescoço do meu pai.
Fiquei em silêncio por alguns segundos, batendo os dedos na madeira antes de ter uma ideia. Se o Senhor C queria que eu fizesse algo ousado, eu podia começar incentivando a rebeldia da minha amiga.
— Você é obrigada a ir ao almoço, certo? Mas você não é obrigada a fazer a sua futura sogra gostar de você. E se a mãe do noivo não gostar de você, se ela te odiar?
— Como assim? Tenho que ficar feia? — Charlotte arqueou a sobrancelha.
— Lottie, você é linda demais, você nunca vai ficar feia nem se tentar se estragar. Mas sua sogra deve ser tipo toda madame certinha, esperando uma boneca de porcelana.
— Isso significa que tenho que virar um monstro?
— Você tem que sei lá.... Faça ela te odiar.
Charlotte abriu um sorriso travesso que quase me deu medo. Aquela garota era verdadeiramente maluca.
— Eu já sei exatamente o que eu vou fazer.
Ela se levantou da cadeira num salto, agarrou a minha mão com força e me puxou pelos corredores do shopping em direção ao terceiro piso. Entramos direto em um estúdio de tatuagens e piercing.
Assisti de perto a Charlotte se sentar na cadeira. Ela pediu para o profissional colocar uma argola de prata no nariz. Vi a agulha perfurar a carne e a expressão de dor dela, enquanto uma lágrima escapava pelo canto do olho. Mas ela não parou por aí. Apontou para a lateral do pescoço e ordenou que o tatuador fizesse três passarinhos bem em cima da jugular. O barulho da máquina preencheu o cubículo e a Charlotte segurou o fôlego enquanto a agulha mordia a pele sensível.
Olhando para aquela loucura toda, senti a adrenalina correr pelo meu sangue. O Senhor C tinha me mandado fazer algo ousado no item seis, algo que eu sempre quis fazer mas nunca tive coragem. Eu era designer, amava desenhar, e sempre quis uma tatuagem. Aquela era a hora.
— Eu vou entrar nessa também — anunciei, fazendo a Charlotte arregalar os olhos.

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