(UM CAP. MAIOR PORQUE É A RECONTAGEM DOS ACONTECIMENTOS PELO O PONTO DE VISTA DELE- IMPORTANTE PARA VERMOS COMO ELE É POSSESSIVO.))
(POV: CHRISTIAN) --Dias antes.--
Eu estava sentado na ponta da mesa de jacarandá da sala de reuniões da Blackwood, em Porto Alegre, ignorando metade do relatório de auditoria fiscal que o diretor financeiro apresentava na tela do projetor. O meu foco não estava nos números. O meu celular pessoal, virado com a tela para baixo sobre a madeira polida, vibrou duas vezes em cima da mesa.
Deslizei o aparelho para o meu colo e acendi o visor. Ergui uma das sobrancelhas ao ver a notificação de mensagem. Era a Moon.
Abri os arquivos de imagem e encarei as fotos que ela tinha acabado de mandar do céu de dentro do avião, com as nuvens brancas cortando a janela. Embaixo das imagens, a legenda dizia: "Nunca viajei sozinha na minha vida... isso é a coisa mais incrível que eu já fiz!".
Um aperto pesado e incômodo se formou no centro do meu peito no mesmo segundo. O meu maxilar travou com força.
Aquela garota loira, pequena e cheia de traumas estava conseguindo bagunçar completamente a minha rotina e a minha cabeça. A vontade de largar tudo e ir atrás dela subiu pelo meu sangue de forma quase incontrolável.
Ergui o rosto na direção da minha secretária executiva, que estava parada perto da porta com a prancheta de horários.
— Cancele a nossa viagem de avaliação imobiliária no Espírito Santo — ordenei em um tom baixo, cortando a apresentação do diretor financeiro no meio. — Quero que transfira todas as reuniões presenciais da semana para a nossa filial de Porto Seguro, na Bahia. Mandem a equipe corporativa preparar o jato para embarque imediato.
— Agora mesmo, Senhor Blackwood? — ela perguntou, surpresa.
— Agora mesmo.
Eu precisava ir para o Nordeste. Precisava ver a minha ratinha de perto, garantir que nenhum oportunista se aproximasse dela e acompanhar cada passo da sua tentativa ingênua de ser feliz.
Cheguei a Porto Seguro no dia seguinte sob um calor abafado e constante. Despachei a minha equipe de executivos para os compromissos burocráticos nos hotéis da orla e tirei a tarde de sábado inteira livre para seguir os passos da Moon. Como ela tinha compartilhado a localização do seu celular comigo nas conversas do Senhor C, eu tinha o controle do mapa na palma da minha mão.
Acompanhei a movimentação dela até a marina principal. Descobri que ela tinha comprado um ingresso para um evento privativo em um iate de três andar que faria um passeio ao pôr do sol. Ajustei a minha postura, vesti uma camisa social de corte impecável e entrei no mesmo barco, mantendo o meu grupo de investidores reunido em um lounge VIP no andar superior do convés.
Fiquei de olho nela o tempo todo. A Moon estava encostada na mureta de proteção, vestindo um vestido azul claro simples, com o cabelo loiro balançando ao vento. Ela parecia encantada com tudo, rindo sozinha enquanto observava a paisagem do mar. Ver a leveza do rosto dela trazia uma sensação estranha e quente para o meu estômago. Mas a inexperiência dela com a bebida ficou clara rápido demais. Em menos de uma hora, vi a garota virar duas taças de champagne em sequência.
Ao tentar se virar para ir em direção ao bar, uma marola mais forte atingiu a lateral da embarcação. O barco deu um balanço bruto. O salto da sandália dela enganchou nas frestas da madeira e o corpo pequeno dela pendeu para o lado com violência, indo direto em direção ao chão duro.
Movi o meu corpo na velocidade do reflexo. Avancei pelo convés, passei no meio dos garçons e estiquei o braço direito, segurando o braço dela no ar antes que o seu quadril batesse no piso.
Sustentei o peso dela sem o menor esforço e puxei o seu corpo para cima. Encostar a minha mão limpa, sem as minhas luvas de couro habituais, na pele macia e quente do braço dela fez o meu sangue ferver no mesmo instante. A temperatura da pele dela parecia queimar os meus dedos. O meu coração disparou contra as costelas e os pelos dos meus braços se arrepioram inteiros sob o tecido da camisa.
Ao longo da minha vida, eu já tinha me deitado com dezenas de mulheres bonitas, refinadas e experientes. Mas nenhuma delas jamais tinha sido capaz de fazer o meu corpo inteiro tremer com um simples toque físico casual.
— Opa... devagar — murmurei perto da orelha dela, sentindo o cheiro doce do perfume do seu pescoço.
A Moon piscou os olhos devagar, visivelmente tonta por causa do álcool, e apoiou a mão pequena no meu ombro para não cair. Quando ela ergueu a cabeça para me encarar, vi o choque estampar a fisionomia dela.
— Você... — ela arrastou a voz, franzindo a testa. — Você é do escritório... da Blackwood?
— Christian — me apresentei com calma, mantendo a minha mão firme ao redor do cotovelo dela para garantir o seu equilíbrio. — Sou da diretoria executiva. E você é a moça do nome diferente, da equipe Zênite, não é? A arquiteta e designer assistente.
— É... sou eu, a Moon — ela respondeu, as bochechas ficando completamente vermelhas de vergonha. — Meu Deus, me desculpa... o chão balançou e eu perdi o equilíbrio. Eu te atropelei uma vez nos corredores da empresa, não foi?
— Exatamente.

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