POV: ROCCO
— Tá bom — segurei a gargalhada. — Escolhe outro.
— Eu te amo do tamanho... — ela fez uma pausa longa, pensando profundamente. — ...do hipopótamo.
Pisquei devagar na escuridão.
— Do hipopótamo, Sky?
— Não. Hipopótamo não — ela se corrigiu na hora, assustada. — Hipopótamo é brabo. Ele morde. Do tamanho da girafa!
— Do tamanho da girafa — repeti, sorrindo de orelha a orelha. — Entendi.
Um silêncio, um longo silêncio...
— Sky...? Você tá aí?
Nada. Silêncio absoluto do lado dela, só barulho de gente falando ao fundo.
De repente, a voz arfante do Arthur cortou a chamada, pegando o celular da mão dela:
— Rocco? É o Arthur. Mano, pelo amor de Deus, me ajuda aqui!
— O que foi, Arthur? — perguntei, me sentando na cama num pulo.
— Essa mulher tá querendo comer um cacto!
— O quê?!
— Meu Deus... — passei a mão pela cabeça, gargalhando alto na escuridão do quarto.
— Larga isso, Sky! Não morde a porra do cacto! — ouvi o Arthur berrar desesperado ao fundo, tentando arrancar a planta da mão dela.
— Arthur, pelo amor de Deus, leva essa doida para casa! — pedi, rindo sem conseguir parar.
De repente, ouvi um baque abafado pela ligação.
— O que aconteceu?
— Ela sentou no chão abraçando o vaso da planta — ele me explicou. — Sky, não morde. NÃO MORDE! — ele gritou.
— Eu prefiro molder o cacto do que ligar pro Rocco! — a voz dela veio arrastada, embaraçada, protestando do chão.
— Você já ligou, doida — o Arthur respondeu do lado dela.
— É... eu liguei... — ela resmungou, num fio de voz. — É...
Em seguida, percebi pelo áudio da chamada que ela reparou no Arthur segurando o aparelho.
— Me dá! Me dá! — ela começou a esbravejar ao fundo, tentando agarrar o telefone. — O Arthur é meu amigo! Solta!
— Rocco... — o Arthur riu baixo, se afastando um pouco dela.
— Passa para ela — ordenei.
— O Rocco quer falar com você, Sky — o Arthur disse.
— Não! Não quero falar com ele! — ela respondeu de imediato, emburrada.
— Tem certeza?
— Não! Me dá aqui! — ela arrancou o telefone da mão dele num solavanco.
Colei o aparelho no meu ouvido.
— Sky... — chamei carinhosamente.
— Hã? — ela fungou. — Você me ama?
—Sim... — brinquei, segurando o riso.
— Tem certeza?! — a voz dela subiu três tons.
— Eu te amo. Te amo muito — corrigi rápido, sorrindo na escuridão. — Mas você pode ir para casa agora, por favor?
— Não! — ela protestou na hora, a voz embolada. — Eu só vou se você for comigo! Se você me amar de verdade e me levar pra igreja pra casar!
— Tá bom. A gente vai falando no telefone.
— E o casamento?
— Vamos marcar assim que eu voltar.
— Promete.
— Sim, eu prometo. — E era uma promessa verdadeira, eu iria comprir com toda certeza do mundo!
— Você me ama de todo jeito? — ela disparou do nada.
— Sim, eu amo.
— Você me ama quando eu te dou trabalho?
— Sim, te amo ainda mais quando você me enlouquece.
— Então... você me ama até quando eu brigo com você?
— Eu amo você. Principalmente quando você faz aquela cara de brava.
— Você me ama quando eu falo palavrão?
— Sim, eu te amo inteira, até com essa boca suja.
— Então... — ela fez uma pausa, como se pensasse em alguma coisa. — Você me ama até quando eu vomito em você?
— Bom... essa parte não, mas eu amo você completamente e totalmente. Tá, eu amo você.
— Sei... e... — ela fez uma pausa. — Rocco?
— Sim.
— Você me ama quando a gente faz amor?
Senti o meu rosto esquentar na hora. Ajeitei o corpo na cama, imaginando o Arthur e quem mais estivesse no bar ouvindo aquilo.
— Cala a boca, Sky! — soltei baixinho, morto de vergonha. — A gente tá no meio do lugar, tem gente ouvindo!
— Mas você me ama?
— Sim, eu já disse. Te amo e te amo muito, tá?
— É que... eu adoro quando você passa a língua lá embaixo... — ela continuou sem dar a mínima, arrastando as palavras com pura malícia alcoólica. — ...quando você passa a língua em mim...

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