POV: SKY
As minhas mãos tremiam tanto no banco de trás do táxi que a minha coordenação motora tinha ido para o espaço. Enfiei a mão na bolsa, peguei a carteira e tentei abrir. Enfiei a unha no canto e comecei a puxar a dobra com força para tentar abrir o compartimento de moedas. Puxei, forcei, tentei enfiar o polegar na fresta, mas a peça parecia emperrada, dura, completamente travada.
O motorista me olhou pelo retrovisor com a testa franzida.
— Moça... isso aí é o seu celular.
Parei com os dedos cravados na lateral. Baixei os olhos, virei o objeto na mão e encarei a lente da câmera.
— Nossa... é meu celular mesmo.
Soltei o ar de uma vez e inclinei o corpo para a frente, batendo a testa direto no encosto de cabeça do banco do passageiro.
— Ai — murmurei contra o estofado.
— A senhora está bem?
— Tô ótima. Mentira, não tô. É que eu estou prestes a entrar em uma batalha sangrenta. Tipo a Rhaenyra Targaryen brigando pelo Trono de Ferro, só que sem dragões, sem trono, sem dignidade e usando sapato baixo.
O motorista me encarou com um olhar carregado de empatia humana.
— Eu não faço a mínima ideia do que você está dizendo, mas eu preciso chamar a polícia?
— Não, é só modo de falar.
— Força, moça. Você vai conseguir.
— É... eu vou conseguir — respondi, piscando.
Passei três segundos processando o fato de que estava tendo uma sessão de terapia improvisada com um motorista de aplicativo no meio do trânsito. Achei a carteira de verdade no fundo da bolsa, paguei a corrida, abri a porta e saí do carro.
Dei três passos rápidos na direção das portas de vidro gigantescas da sede da Blackwood, paralisei na calçada, dei meia-volta e corri de volta para a janela do táxi em pavor absoluto.
— Eu não consigo! — gritei pela janela aberta.
O motorista colocou a cabeça para fora, acenando para mim com firmeza:
— Você consegue sim! Vai lá e ganha essa guerra!
— Tô indo!
Girei nos calcanhares e atravessei a entrada do prédio antes que a coragem evaporasse de novo. O saguão principal era monumental, todo em mármore e vidro, com recepções elegantes e seguranças de terno. Senti os olhares de três recepcionistas caindo sobre mim, provavelmente tentando entender o que eu fazia ali.
Droga!
— Você trabalha aqui, Sky, aja normalmente — disse a mim mesma.
Olhei para o lado. Escadas? Nem pensar. Dezoito lances de degraus de saia lápis destruiriam o resto do meu pulmão. Eu poderia dizer que morri por subir escadas.
Caminhei em direção a elas, mas parei.
Eu vou suar. E se eu ficar fedendo? Droga! Por que eu me importo?!
Virei as costas e corri para o elevador social. Apertei o botão da diretoria e esperei as portas se fecharem. Conforme o indicador de andares subia, o meu estômago revirava.
As portas se abriram no andar da presidência. O corredor estava em um silêncio absoluto. Nenhum barulho de salto, nenhuma voz, nenhum som de teclado. Nada.
Olhei para um lado. Depois para o outro. Ninguém.
Meu coração começou a bater mais devagar.
Talvez...
Talvez o Rocco não estivesse ali.
Talvez a reunião tivesse terminado.
Talvez todo mundo tivesse ido embora.
Talvez Deus tivesse finalmente decidido colaborar.
Abaixei o corpo de leve e comecei a andar na ponta dos pés pela parede, entrando no modo espionagem total. Olhava para a esquerda, olhava para a direita, esticava o pescoço e me esgueirava pelas pilastras como se estivesse infiltrada em um filme de ação.
Cheguei à porta da sala de reuniões.
Olhei pelo vidro. Nada.
Abaixei. Olhei por baixo. Nada.
Levantei. Colei o ouvido na porta. Silêncio.
Meu coração se encheu de esperança.
— Ele não está aqui — abri um sorriso. — Meu Deus... a reunião acabou.
Quase pulei.
— EU SOBREVIVI!
— Meu Deus! — cochichei para o nada, com os olhos brilhando de felicidade. — Ele se enganou! A reunião não é hoje! Eu tô livre!
Girei nos calcanhares disposta a correr de volta para o elevador antes que o universo mudasse de ideia. Dei um passo. Depois outro.
— Sky?
O Rocco estava parado bem na minha frente.
Uma das mãos estava enfiada no bolso da calça social escura. A outra segurava um copo de papelão com café fumegante. As mangas da camisa social branca estavam dobradas até a metade dos antebraços, o cabelo perfeitamente arrumado, e ele me encarava do alto com aqueles olhos verdes absurdos, mantendo uma expressão tão calma que aquilo me ofendeu pessoalmente.
— Bom dia — ele disse.
— Não.

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