POV: SKY
Voltei para o banheiro resmungando, tomei um banho rápido, lavei o cabelo e voltei para o quarto disposta a resolver o problema da roupa.
A primeira opção foi uma blusa social branca com saia lápis preta. Vesti, olhei no espelho e balancei a cabeça na hora.
— Não. Se eu vestir branco, alguma coisa vai cair no meu peito.
— O quê? — a Moon perguntou da porta.
— Café. Molho. Ou alguma sujeira caindo do teto. Da última vez que tentei ser elegante, quase morri engasgada com macarrão.
Tirei a blusa e puxei o vestido preto. Lindo, elegante, estruturado, gola alta, uma fenda lateral e decote discreto. Calcei o salto e me olhei no espelho. Gostei por quatro segundos, até a Moon me encarar com o queixo caído.
— Você vai para uma reunião ou vai anunciar que herdou uma fortuna depois que o marido faleceu?
— Está exaggerated?
— Sky, você parece uma viúva negra rica. Quer que o Rocco pense que você passou uma hora escolhendo roupa para ele?
Tirei o vestido num sobressalto de pânico.
— NÃO! Ele não pode pensar isso!
A Moon respirou fundo.
Em um ato de desespero, montei a armadura perfeita: saia lápis preta, meia-calça escura, sapato baixo sem salto para o caso de precisar correr do homem, regata estruturada sem sutiã e um casaco social bem cortado por cima. Puxei o cabelo laranja para trás em um rabo de cavalo esticado e passei perfume suficiente para nocautear um mosquito a três metros.
— Pronto. Mulher de negócios. Séria. Competente. Inabalável e com saltos baixos para eu poder andar de pressa. — declarei.
— Você está pensando em fugir?
— Não, essa é uma roupa para uma reunião profissional.
— Você colocou sapato baixo porque disse que precisava correr.
— Estratégia.
— E esse casaco?
— Armadura.
— E esse cabelo preso?
— Controle.
— Você está maluca.
— Estou preparada.
Peguei o perfume e passei. Muito perfume. Perfume suficiente para matar um mosquito a três metros.
Olhei para o espelho.
— Pronto — murmurei.
A Moon olhou para mim.
— Você está bonita.
— Obrigada.
— Parece que vai processar alguém.
— Melhor ainda.
Peguei a bolsa e fui até a porta. Coloquei a mão na maçaneta. Parei. Voltei e corri até o espelho.
— Meu cabelo está torto?
A Moon me olhou como quem estava prestes a pedir ajuda médica.
— Não.
Voltei para a porta. Mão na maçaneta. Parei.
— E se o casaco estiver estranho atrás?
— Sky.
— Só estou conferindo.
Voltei ao espelho. Nada. Perfeito.
Porta. Mão. Girei. Abri. Fechei. Voltei.
— Minha bolsa!
A Moon abriu os braços.
— Essa ai que está no seu braço? — perguntou apontando para mim.
— E o meu Celular?
— Na sua mão.
Olhei para a minha mão. O celular estava ali.
— Certo.
Voltei para a porta. Abri. Dei dois passos. Parei. Virei.
— E se eu tiver esquecido a minha dignidade?
A Moon me encarou.
— Essa você perdeu faz anos.
— Não precisava ser cruel.
— Vai!
Saí. Dei dois passos no corredor e voltei.
— O que foi agora?
— Nada.
— Então por que voltou?
— Queria ter certeza de que você ainda estava aí.
— Por quê?

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