POV: SKY
Arregalei os olhos de leve, as lágrimas caindo mais rápido.
— Foi você...? — a minha voz saiu como um sopro quebrado, um sussurro rasgado.
— Fui eu — ele assentiu, as esmeraldas dos olhos verdes dele brilhando sob a luz fraca do elevador. — Quando vi que você estava participando do concurso da Empresa, achei que fosse o destino. Pensei em me aproximar, tirar uma onda com a sua cara, ver qual seria a sua reação. Mas aí você desmaiou e vomitou direto em mim.
Escondi a boca com a ponta dos dedos, soltando um soluço abafado.
— E você deve ter vomitado algum tipo de feromônio — ele continuou, sem se importar com a minha reação, colando a testa dele na minha —, porque depois de te ver tão frágil, tão indefesa nos meus braços, eu perdi o resto do controle que achava que tinha. Você virou o meu centro de gravidade. Toda vez que eu tentava me afastar, a vida me puxava direto para você.
O meu peito subia e descia descontrolado. O cheiro amadeirado do perfume dele invadia meus pulmões a cada respiração fraca. Olhar para aquele rosto perfeito de perto, com o contraste do cabelo preto desalinhado e aqueles olhos verdes intensos, era uma tortura física.
Ele parecia uma droga. A minha razão gritava na minha cabeça que nada daquilo justificava as mentiras, que o que ele fez não tinha desculpa, mas o meu corpo queimava inteiro perto dele, e o meu coração batia tão descontrolado contra as costelas que parecia ressoar uma única frase em cada pulsação: eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo.
— A gente brigava feito cão e gato — ele sussurrou contra o meu lábio. — Você tinha uma personalidade terrível, me xingava de todos os nomes possíveis, não abaixava a cabeça para mim em nada. Enquanto todas as outras mulheres faziam tudo o que eu mandava, você me enfrentava. Forte, resiliente, linda. Eu me apaixonei por você primeiro, Sky. Fui um idiota cabeça-dura que demorou para entender o que era esse sentimento, mas eu já estava completamente perdido por você.
Abaixei a cabeça, cobrindo o rosto com as duas mãos. O choro explodiu no meu peito em uma sequência de soluços altos e convulsivos. O meu corpo inteiro chacoalhava no chão de metal. Eu não queria chorar, odeio demonstrar fraqueza, mas os meus nervos tinham cedido. A física do meu corpo não obedecia mais à minha vontade.

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