POV: SKY BITTENCOURT
Meus ouvidos zumbiam. A plateia explodiu em aplausos, mas o som chegava distorcido. Moon me sacudia pelo ombro, eufórica, mas eu continuava grudada no banco.
"Avisa que eu morri. Me deixa aqui, eu morri", eu repetia mentalmente.
A vergonha era física, um peso que me impedia de levantar. O teto luxuoso da Blackwood parecia estar prestes a desabar sobre a minha cabeça. Um rapaz baixo, de óculos e olhos azuis, se aproximou com um sorriso profissional.
— As quatro equipes selecionadas podem me acompanhar, por favor? Teremos uma reunião de boas-vindas agora para explicar a próxima fase.
Moon começou a me puxar pela mão. Eu finquei os pés no chão, recusando-me a sair do lugar.
— Vamos, Sky! Levanta! — ela sibilou.
— Me deixa aqui, Moon. Avisa que eu morri — murmurei, encarando o nada.
— Algum problema, Céu?
A voz dele veio de cima. Olhei devagar. Rocco estava parado ali, a poucos centímetros. O pânico subiu pela minha garganta.
— Problema nenhum. Imagina — respondi, buscando um buraco no chão para me enfiar.
— Vocês já se conhecem? — Moon perguntou, alternando o olhar entre nós dois.
— Eu diria que nos conhecemos muito bem. Não é? — Ele soltou um riso baixo, predatório.
Encarei o rosto dele, depois o da minha irmã. A adrenalina deu um solavanco. Levantei-me de uma vez, ignorando a mão que ele ainda mantinha perto de mim.
— Você tem razão, Moon. Temos que ir.
Passei por ele sem olhar para trás, tentando ignorar a presença dele. Minhas pernas pareciam gelatina e meu coração batia na base do pescoço.
Entramos na sala de reunião. O ar-condicionado estava no máximo, mas eu sentia meu rosto queimar. Sentei-me na primeira cadeira que vi e só então reparei nos outros ocupantes. A família Gouveia estava lá. Vitor, Alex e Sofia ocupavam o lado oposto da mesa. O projeto que eu fiz tinha passado, mas nas mãos deles.
A náusea voltou. Avistei o Gael e fiz um aceno seco com a cabeça. Apoiei os cotovelos na mesa e escondi o rosto nas mãos, tentando bloquear o mundo. Senti um peso sobre mim. Olhei para a porta pelo vão dos dedos. Rocco estava escorado no batente, com o ombro relaxado, apenas me observando. Ele sabia que eu estava constrangida. E parecia apreciar cada segundo.
O rapaz de óculos pigarreou, assumindo o centro da sala.
— Olá, eu sou o Diego. Trabalho com a logística e faço parte da área de construção e projetos. Vou passar as diretrizes da seletiva. A partir de amanhã, todos vocês começam um estágio trainee aqui dentro. Três meses de imersão total para entenderem como a Blackwood opera, do material à execução.
Diego caminhava pela sala, entregando pastas.
— Após esses três meses, decidiremos qual empresa permanece. Apenas duas restarão para a final. A vencedora assume o projeto principal e a segunda poderá nos prestar serviços freelancer. É um período de experiência real.
Eu sentia o olhar de Rocco queimando minha pele, mas mantive os olhos fixos em Diego.
— Vocês terão criatividade, mas agora entra a infraestrutura de fato. Todos serão supervisionados pelo Nathan, que não pôde estar presente hoje devido a um acidente infeliz.
Fechei os olhos com força. "Acidente infeliz". O cara que eu achava que era um gigolô era meu chefe. O cara que eu atropelei com um copo de café era o meu gerente. Eu estava lascada.
— Teremos uma confraternização em breve para todos se habituarem — Diego finalizou, apontando para o fundo da sala. — Agora, serviremos um café para fecharmos os detalhes.


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