POV: ROCCO BLACKWOOD
O auditório estava mergulhado em um silêncio absoluto quando a Sky Bittencourt terminou de falar. O projeto dela não era apenas bom; era visionário. Enquanto ela explicava, a estrutura se erguia nitidamente na minha mente, peça por peça. Notei os outros presentes estáticos, sem argumentos diante da clareza daquela apresentação.
Eu comecei a bater palma, quebrando o silêncio. O restante da sala acompanhou o ritmo logo em seguida. Sky me olhou confusa, o corpo tenso sob o meu olhar enquanto eu fazia algumas perguntas técnicas. Ela respondeu todas com precisão. Ri divertido com a situação. Ela deve estar fritando por dentro agora.
Sentado ao meu lado, Nathan sibilou:
— Aquela maluca que derramou café em mim...
— Deu para notar — Diego comentou do outro lado, também sentado. — Acho que vou querer contratá-la só por isso.
Ele riu baixo, debochando do amigo. As outras apresentações passaram como um borrão necessário.
Saímos para o saguão e me preparei para subir ao palco improvisado. Diego e Jade organizavam as boas-vindas. Eu queria ver a reação dela quando descobrisse quem eu era de fato. Nathan se encostou em um pilar próximo enquanto eu pegava a pasta.
— O que foi? — Nathan perguntou.
— Nada — respondi, mantendo os olhos nela.
— Olha só... a maldita do café se classificou — ele disse.
— Eu sei, o projeto dela é incrível, mas não fala assim dela — retruquei sem pensar.
— Por quê? Ela ser boa não anula o fato de ser desastrada.
Ri me lembrando dela caindo da cama no meu apartamento. Olhei para ela sentada na cadeira, visivelmente agitada, as mãos não paravam quietas.
— É a Noiva Cadáver, Nathan. Lembra? Daquele dia da final do Gauchão? É ela.
Nathan arqueou as sobrancelhas.
— Nossa... que mundo pequeno, hein? — Ele soltou um riso curto, encarando a garota com um novo interesse. — Quem diria.
Subi ao palco. Fiz meu discurso de apresentação pesando cada palavra, listando cada título meu: CEO, Gerente, Harvard. Apenas para ver a expressão dela mudar. Eu queria que ela entendesse que eu não era um gigolô; eu era o dono do mundo dela.
Vi o momento exato em que o corpo dela cedeu. Ela caiu sentada no banco assim que anunciei o nome da empresa dela.
Fui até lá assim que desci do palco. Queria ver de perto o choque. Provocar a Sky era fácil demais, mas ela me ignorou e seguiu para a sala de reuniões. Fiquei escorado na porta, assistindo à palidez tomar conta do rosto dela enquanto o Diego explicava o estágio. Ela parecia estar prestes a explodir. Quando ela se levantou bruscamente e saiu, eu a barrei no corredor. Segurei o braço dela.
— Por que você está me olhando como se quisesse vomi...
O impacto foi morno e ácido. O terno, a camisa, tudo coberto pelos restos do café que ela não conseguiu segurar.
— Ai, caralho! — rosnei, sacudindo a mão suja enquanto o cheiro subia.
Ela tentou cobrir a boca, mas veio o segundo round, direto no meu pé, braço e relógio. Olhei para a Sky. Ela estava branca como papel.
— Por que você está me olhando assim agora? Como se fosse desmaiar?

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