POV: SKY
Fechei os olhos.
Claro.
Claro que ele tinha que aparecer naquele momento.
Era quase um dom sobrenatural.
Eu podia passar horas sozinha e nada acontecer.
Bastava o Rocco sair por dois minutos para eu entrar em uma discussão filosófica comigo mesma e perder uma briga para um móvel.
Olhei para ele, sentindo a minha cara queimar de vergonha.
— Você tem que parar de aparecer exatamente nesses momentos!
Ele deu um passo para dentro do quarto.
— Que momentos?
— Nesses momentos constrangedores em que eu estou discutindo comigo mesma, apanhando dos móveis da sua casa ou em dúvida se passo pela porta ou não!
O Rocco encostou o ombro no portal da porta e soltou uma risada gostosa.
Um sorriso lindo iluminou aquele rosto perfeito de pintura.
Os olhos verdes dele percorreram o meu corpo da cabeça aos pés com um afeto tão sincero que, contra toda a lógica, meu coração desacelerou um pouco.
— Você é linda demais, sabia? — ele disse. — Até quando está surtando sozinha com a mobília.
— Ai, Rocco... para de deboche.
Tentei manter a cara séria.
Não consegui.
O cantinho da minha boca subiu sozinho.
De repente, a brincadeira perdeu um pouco da força.
Porque havia uma pergunta presa na minha garganta.
Ele caminhou até a beirada da cama e se aproximou de mim. Puxei o lençol para me cobrir melhor e me sentei na borda, olhando para cima para encarar o rosto dele.
— Posso te perguntar mais uma coisa? — pedi, a minha voz saindo bem mais baixa do que eu planejava.

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