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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 290

POV: SKY

— Vou pedir comida na sala e preparar o nosso banho.

— Eu quero batata.

— Vou pedir arroz.

— Batata.

— Feijão.

— Batata.

— Carne.

— Batata.

Ele pegou o celular na mesa de cabeceira.

— Você vai comer comida de verdade.

— Eu odeio você.

— Não odeia.

— Odeio um pouquinho.

— Também não.

— Nossa, como você está convencido.

— Você acabou de dizer que me ama.

— Eu estava emocionalmente vulnerável.

— Não anula.

— Anula, sim.

— Não anula.

Fiquei encarando as costas dele enquanto ele saía. Aquele homem parecia uma pintura feita à mão, o trabalho mais perfeito que Da Vinci poderia ter concebido na vida. Cabelo preto alinhado, olhos verdes intensos, um rosto esculpido, podre de rico, absurdamente talentoso... e estava ali, pelado na minha frente, cuidando de mim.

Olhei para o lençol. Olhei para a porta. Olhei para o teto.

— Eu estou namorando um exibicionista.

A voz dele veio do corredor:

— Eu ouvi!

— ERA PARA OUVIR!

— Eu também te amo!

Meu coração apertou, dessa vez, não de medo. Levei a mão ao peito e me joguei de costas no colchão. O mundo não ficava perfeito, os problemas continuavam existindo, mas eu finalmente tinha parado de lutar contra aquilo que eu queria.

Colei os olhos no teto branco do quarto e deixei o silêncio tomar conta do espaço.

Por alguns segundos, fiquei ali, imóvel.

Só respirando.

O problema é que o meu corpo tinha decidido colaborar com a paz, mas a minha cabeça aparentemente tinha recebido um convite para uma reunião de emergência.

A minha mente, que tinha ficado anestesiada pelo prazer e pela descarga de adrenaline das últimas horas, começou a girar a mil por hora. Passei a mão pelo meu peito, sentindo a pele ainda sensível aos toques dele.

Pensar depois de uma situação emocionalmente intensa era uma atividade extremamente perigosa para mim.

Eu lembrava de tudo o que tinha dito no elevador. De como eu tinha me rasgado inteira, entregando as minhas vulnerabilidades em uma bandeja para ele, praticamente com um cartãozinho escrito:

“Olá, Rocco. Aqui estão todos os meus traumas. Favor não utilizar contra mim.”

Fechei os olhos.

Ótimo.

Eu tinha feito aquilo.

Tinha contado tudo.

Tinha chorado.

Tinha admitted que o amava.

Tinha deixado o homem me ver completamente desmontada.

E agora ele queria conversar.

Aí veio a dúvida.

Aquele nó gelado no fundo da minha barriga.

A conversa que estava por vir tinha a ver com a outra mulher.

Com a pessoa que eu vi nas fotos.

Ou com a mulher que me disseram que estava ligada ao nome dele.

Meu cérebro começou a ensaiar mil cenários diferentes, criando diálogos, tragédias e finais de relacionamento com uma eficiência que provavelmente poderia render um emprego em alguma emissora de televisão.

Cenário número um: Rocco entra no quarto e diz que beijou ela.

Eu respondo com maturidade.

— Tudo bem.

Depois vou para o banheiro chorar.

Cenário número dois: ele diz que teve alguma coisa com ela enquanto a gente estava afastado ou que transou com ela.

Eu respondo:

— Entendo.

Depois pego uma cadeira e jogo pela janela ou na cabeça dele.

Não.

Cadeira não.

A cadeira era bonita.

Talvez um vaso.

Também não. Aquela casa provavelmente tinha vasos mais caros do que o meu apartamento inteiro.

Talvez eu simplesmente gritasse.

Cenário número três: ele diz que não aconteceu nada, eu acredito, descubro que aconteceu alguma coisa e passo o resto da vida sendo a mulher que acreditou no bilionário bonitão.

Excelente.

Eu já conseguia até imaginar a manchete:

ARQUITETA DESASTRADA É ENGANADA POR BILIONÁRIO E DESCOBRE A VERDADE QUANDO JÁ ESTÁ EMOCIONALMENTE ENVOLVIDA DEMAIS PARA DEVOLVER O HOMEM.

Abri os olhos.

— Meu Deus, eu preciso de terapia.

Mas a pior parte era que eu realmente não sabia o que faria.

Eu aceitaria?

Como uma mulher madura e decidida deveria reagir a isso?

Eu fingiria que não me importava?

Faria um escândalo?

Iria embora de vez?

Ou faria aquele negócio extremamente adulto de dizer que estava tudo bem e depois passaria os próximos oito meses lembrando da situação enquanto lavava louça?

Balancei a cabeça contra o travesseiro, fechando os olhos com força.

— Para.

Pensei mais um pouco.

— Não.

Abri os olhos.

— Para de pensar.

O meu cérebro ignorou.

E se ele disser que beijou ela?

Meu estômago embrulhou.

E se ele disser que engravidou ela e que eu vou ser madrasta?

Apertei os olhos.

O que eu faço?

Silêncio.

Eu mato ele?

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