POV/ SKY
A voz saiu tão baixa que quase não reconheci.
Rocco não fez piada.
Não tentou me interromper.
Não veio com nenhuma solução milionária, nenhum advogado, nenhum plano mirabolante.
Apenas ficou me olhando.
— De quê?
Engoli em seco.
— De gostar tanto de você.
Ele ficou completamente imóvel.
— Porque, se eu não gostasse... — minha voz falhou. — Se eu não estivesse apaixonada por você desse jeito ridículo, eu podia simplesmente mandar você ir para o inferno, mandar a Jussara ir para o inferno, mandar o seu avô, a sua família, as empresas, as ações e todo o resto para a puta que pariu e ir embora.
Uma lágrima escorreu pela minha bochecha.
— Mas eu gosto.
Outra lágrima.
— Eu amo você.
Minha boca tremeu.
— E eu quero ficar.
Olhei para ele.
— Só não faço a menor ideia de como fazer isso sem destruir a vida de alguém no processo.
Rocco não respondeu imediatamente.
Eu não estava pensando em fugir.
Eu só estava ali.
Esperando.
Com a minha aliança brilhando no dedo, o coração completamente entregue e a sensação muito clara de que a minha cabeça ainda estava prestes a explodir como uma panela de pressão sem válvula.
Talvez amar alguém fosse justamente aquilo.
Não era só o beijo.
Não era só o sexo.
Não era só acordar usando a camiseta dele, encontrar o rosto dele no travesseiro ou descobrir que a bunda daquele homem tinha sido criada especificamente para acabar com a minha capacidade de raciocínio.
Não era só o fato do pau dele ser coisa mais gostosa que já senti na vida.
E que os lábios dele tem o melhor gosto do mundo.
Era isso também.
Era descobrir que a vida da pessoa que você amava vinha com um pacote completo de problemas que você jamais teria escolhido comprar.
E, mesmo assim, olhar para aquele pacote e pensar:
Eu quero.
Eu queria o Rocco.
Queria a vida com ele.
Queria o nome.
Queria o sobrenome.
Queria os domingos, as brigas, as reconciliações, as viagens, os cafés da manhã, os filhos que talvez um dia existissem, os cabelos brancos e até as discussões sobre quem tinha deixado a toalha molhada em cima da cama.
Queria tudo.
Só não queria a Jussara.
Aí também já era pedir demais da minha parte.
Respirei fundo.
— Tá.
Rocco piscou.
— Tá o quê?
Olhei para ele.
— Eu não vou fugir.
Os olhos verdes dele mudaram na mesma hora.
Mas levantei um dedo antes que ele pudesse comemorar.
— Ainda.
Ele fechou os olhos.
— Sky...
— Eu estou sendo sincera! Não posso prometer coisas que eu não sei se consigo cumprir. Minha estabilidade emocional acabou de ser atropelada por uma carreta que passou por cima de novo para garantir que não sobraria quase nada.
Rocco quase sorriu.
— Eu só quero você.
Meu coração apertou.
Droga.
Ele não podia falar essas coisas quando eu estava tentando manter algum neurônio funcionando.
— Não facilita — murmurei.
— Eu não estou tentando facilitar.
— Pois devia.
Ele deu um passo na minha direção.
Dessa vez, eu não recuei.
Olhei para ele.

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