POV/ SKY
— O que foi, meu amor? — O Rocco me puxou para o peito, me abraçando com força.
— Me desculpa! — comecei a soluçar contra o pescoço dele, a respiração ficando curta, o coração disparado na garganta e a pele inteira arrepiada. — Me desculpa por tá fazendo isso com você! Era você que devia tá chorando aqui, não eu! O seu avô vai morrer, Rocco!
Ele me apertou mais contra o corpo, passando a mão grande pelo meu cabelo e fazendo um carinho paciente nas minhas costas.
— Sky, escuta aqui — sussurrou no meu ouvido. — Só existe você. Só você importa. Nada mais importa neste mundo. Talvez eu esteja sendo um fodido de um egoísta, mas eu te amo. Eu te amo mais do que eu me amo. Eu preciso de você para ser feliz. Eu necessito de você...
A gente estava no topo do prédio, no andar mais alto da cobertura, onde barulho nenhum da rua deveria chegar.
E aí, do absoluto nada, aconteceu uma coisa inacreditável.
Mas, por algum milagre do universo ou surto coletivo do destino, o som abafado de um carro de som passando lá embaixo na avenida ecoou pela janela do apartamento, trazendo exatamente o trecho de uma música antiga que parecia ter sido contratado pelo próprio destino para me humilhar romanticamente.
""DO ROBERTO CARLOS 1981. --- Eu preciso de você
Porque tudo que eu pensei
Que pudesse desfrutar da vida
Sem você, não sei
Meu amanhecer é lindo
Se você comigo está
Tudo é mais bonito
No sorriso que você me dá
Eu não vivo sem você
Porque tudo que eu andei
Procurando pela vida
Agora eu sei
Que andei sabendo
Que em algum lugar te encontraria
Pois você já era minha
E eu sabia
Como a abelha necessita de uma flor
Eu preciso de você e desse amor
Como a terra necessita o sol e a chuva
Eu te preciso
E não vivo um só minuto sem você
Mas eu preciso de você
Porque em toda a minha vida
Nem por uma vez amei
Alguém assim
Você é tudo, é muito mais
Do que sonhei pra mim
E é por isso que eu preciso
De você...."
Eu nunca tinha acreditado em sinais, destino ou coincidências bregas.
Nunca.
Mas ouvir aquela música ridiculamente apaixonada tocando ao fundo, exatamente no segundo em que o homem da minha vida se declarava para mim, fez alguma coisa dentro do meu cérebro dar um estalo.
Talvez o universo estivesse tentando me dizer alguma coisa.
Ou talvez fosse só um carro de som ou um vizinho que também tinha perdido o amor da vida.
Não sei....
Naquele momento, eu preferi acreditar na versão romântica.
Funguei alto, limpando o rosto nas costas da mão, e fui me acalmando aos poucos no colo dele.
O Rocco afastou o meu rosto do peito e me encarou.
— Você tá bem?
— Tô bem — respondi, com a voz ainda meio anasalada pelo choro. — Agora eu queria te pedir uma coisa.
— O quê?
Olhei para ele.
Respirei fundo.
— Faz amor comigo.
O Rocco piscou, completamente pego de surpresa.
— O quê, Sky?
— Faz amor comigo, Rocco. Eu preciso liberar essa tensão toda agora, senão eu vou explodir.
Encarei os olhos dele.
— Você fez isso com a Jussara?
— Não! — respondeu no ato, quase ofendido.

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