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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 306

POV: SKY

Fiquei enrolando na cama macia até quase nove horas da manhã. O edredom ainda guardava o cheiro do perfume amadeirado do Rocco misturado com o calor da minha pele. Me espreguicei inteira até ouvir minhas costas estalarem.

Uma vez.

Duas.

Três.

— Meu Deus.

Fiquei imóvel.

— Tenho vinte e poucos anos ou oitenta e sete?

Estiquei mais um pouco o corpo, só para conferir se alguma outra parte minha pretendia fazer barulho.

Nada.

Ótimo.

O meu corpo estava dolorido da maratona de ontem, mas a sensação por dentro era de uma leveza sem tamanho. Parecia que eu estava flutuando numa nuvem de algodão. Nunca na minha vida inteira me senti tão leve, tão completa e tão boba.

Boba mesmo.

Daquelas perigosas.

Daquelas que sorriem sozinhas olhando para uma parede porque lembraram que o homem que amam disse eu te amo.

Eu estava exatamente assim.

Levantei arrastando os pés no chão gelado, entrei naquele banheiro gigante e tomei um banho demorado e morno. Me vesti com uma muda de roupa limpa que eu tinha deixado ali, peguei a minha calcinha lavei e fui até a área de serviço pendurar no pequeno varal que o Rocco tinha.

Olhei para a pecinha pendurada ali.

Depois olhei de novo.

Um sorriso nasceu devagar no meu rosto.

— Olha só...

Minha calcinha.

No apartamento dele.

Pendurada oficialmente.

Aquilo tinha uma importância histórica.

Agora eu tinha um cantinho oficial nessa casa.

— Pronto. Fui promovida.

Preciso urgentemente trazer mais roupas e minhas coisas para cá.

Mais roupas.

Mais calcinha para espalhar pela casa.

Mais sapatos.

Produtos de cabelo.

Maquiagem.

Muitos brincos para deixar largado por ai...

E.... Talvez uma panela.

Fui até a frente do espelho grande do quarto e encarei o meu próprio reflexo. Cabelo meio despenteado, boca ainda sensível de tanto beijo e uma cara estampada de quem tinha levado uma surra de carinho.

Ergui as duas mãos e dei dois tapinhas no meu próprio rosto para colocar a cabeça no lugar.

— Muito bem, Sky Bittencourt.

Apontei o dedo para o meu nariz.

— Nada de cometer besteira.

Apontei para o meu reflexo.

— Você vai ter paciência.

Mais um tapinha.

— Você não vai surtar.

Outro.

— Não vai terminar com aquele homem.

Mais um tapinha, para criar vergonha... ou melhor coragem.

— E não vai deixar ele escapar.

Aproximei o rosto do espelho.

— Aquele homem tá amarrado em você para sempre, entendeu?

Fiquei me encarando.

— Entendeu?

Meu reflexo continuou me olhando.

— Ótimo. Porque eu não vou repetir.

Pausa.

— Vou repetir, sim. Você me conhece.

Passei as mãos pelo rosto, puxando o ar com força.

— Xô pensamentos ruins. Xô insegurança. Xô qualquer paranoia torta.

Apontei para a minha cabeça.

— Ele te ama. Repetiu isso várias vezes e disse que repetiria mil vezes. Mil. Vezes.

Levantei um dedo.

— E é nisso que você vai se agarrar.

Outro dedo.

— Não na Jussara.

Outro.

— Não no noivado.

Outro.

— Não no avô cardíaco.

Parei.

— Meu Deus, eu preciso parar de pensar no avô cardíaco.

Fechei os olhos.

— Sai, avô cardíaco.

Abri.

— Desculpa, seu avô.

Respirei fundo.

— Mas sai.

É difícil manter a firmeza depois de tudo o que eu já passei, mas dessa vez eu vou lutar por nós dois. O Rocco não teve medo de se declarar e deixou tudo limpo. O que eu sinto por ele nem cabe mais na palavra paixão.

É mais que paixão.

É mais que amor.

É um amorzão apaixonado desgovernado, uma loucura boa que tomou conta de mim.

Ajeitei a blusa e respirei fundo mais uma vez.

Em algum momento dessa semana eu vou ter que engolir a tal da Jussara e a história do noivado de mentira.

Só de pensar nela, minha sobrancelha começou a subir sozinha.

— Não.

Apontei para mim mesma.

— Nem começa.

Respirei.

— Você vai ser madura.

Mais uma respiração.

— Você vai manter a classe.

Comecei a andar pelo quarto.

— Você não vai arrancar os cabelos de ninguém.

Mais uma volta.

— Não vai surtar.

Mais uma.

— Não vai surtar.

Mais uma.

— Não vai surtar.

Parei.

— E se ela me provocar?

Silêncio.

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