POV: ROCCO
O homem desabou de vez.
Apoiou os dois cotovelos na madeira, enfiou o rosto nas mãos e começou a chorar copiosamente, soluçando alto.
— Eu amo ela, cara... — ele gemeu, limpando o nariz na manga da camisa social. — Eu amo aquela garota com a minha vida toda! Por que eu tive que ser tão idiota?!
O Arthur desceu outra garrafa de uísque e encheu os copos de novo.
— Nathan, você já falou isso umas quinze vezes — o Chris tentou explicar.
— Porque eu amo ela!
— Eu entendi.
— Vocês não entendem! — ele resmungou, bebeu mais uma dose e bateu o copo na mesa. — Eu vi ela beijando outra pessoa!
O Chris parou de rir.
Eu parei de beber.
O Arthur também.
Nathan levantou a cabeça devagar, com os olhos vermelhos.
— E eu fiquei olhando.
— Por quê? — perguntei.
— Porque eu sou um idiota!
— Isso já ficou claro — o Chris comentou.
— Cala a boca, Chris!
Nathan voltou a chorar.
— Eu podia ter feito alguma coisa. Qualquer coisa!
— Você queria interromper o beijo? — perguntei.
— Eu não sei, caralho! EU QUERIA TER FEITO ALGUMA COISA!
— Tá bom, Nathan — o Arthur concordou, com a paciência de um homem que já tinha desistido. — Você queria ter feito alguma coisa.
Nathan soluçou.
— Eu queria ter sido o homem dela.
O Chris abaixou a cabeça, eu mordi o interior da bochecha segurando o riso e o Arthur respirou fundo.
— Bebe água.
— Eu não quero água!
— Então para de chorar no balcão.
— Eu não consigo!
De repente, o Nathan enfiou a mão no bolso, puxou o celular com os dedos trêmulos e começou a discar no desespero.
— Eu vou ligar para ela agora! Vou ligar e falar tudo!
— Nem fodendo!
O Chris se esticou por cima do balcão e arrancou o aparelho da mão dele de uma vez só.
— Você não vai passar essa vergonha bêbado desse jeito! Guarda essa porra!
— Me dá!
— Não.
— É o amor da minha vida!
— E você é o bêbado da minha vida neste momento. Senta!
Nathan tentou alcançar o aparelho, mas o Chris ergueu o braço bem alto.
— ME DÁ!
— NÃO!
— EU PRECISO FALAR COM ELA!
— VOCÊ PRECISA DE UM COPO DE ÁGUA!
— EU PRECISO DELA!
— VOCÊ PRECISA DE TERAPIA!
— EU PRECISO DO MEU CELULAR!
— ISSO É A ÚNICA COISA QUE VOCÊ NÃO PRECISA!
O Arthur bateu a mão no balcão.
— Vocês dois podem parar de gritar?
Os dois travaram na hora.
Nathan olhou para o Chris, o Chris olhou para o Nathan e eu fiquei olhando para os dois.
O Arthur voltou a limpar um copo.
— Obrigado.
Nathan sentou e voltou a se debruçar sobre as batatas fritas, choramingando baixinho.
Eu normalmente tinha um controle de ferro com bebida. Tomava decisões de milhões na empresa todos os dias e nunca perdia a linha.
Só que hoje tudo estava perfeito demais na minha vida.
Meu peito estava leve.
A Sky estava usando a minha aliança no dedo.
A gente tinha passado o dia inteiro colado.
Ela tinha dito que me amava e mandado uma mensagem dizendo que confiava em mim de olhos fechados.
Eu era um homem muito feliz. Feliz até demais.
E, com essa euforia toda na cabeça, fui virando uma dose atrás da outra para acompanhar a desgraça do meu amigo.
Uma. Outra. Mais uma.
Olhei para o copo. O copo olhou para mim.
— Mais uma — pedi.
O Arthur levantou a sobrancelha.
— Você acabou de beber.

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