POV: CHRISTIAN
Eu passei os últimos dias atolado até o pescoço com as burocracias da construtora.
O Rocco estava com a cabeça completamente virada por causa da Sky e das confusões da diretoria, então sobrou para mim analisar todas as minutas, os editais e as normativas técnicas da fase preliminar do concurso do resort. Foi um trabalho maçante, cansativo e que me custou noites inteiras de sono na frente do computador, mas valeu cada segundo só para ver o nome da equipe da Moon figurando em primeiro lugar na classificação oficial.
Eu estava doido para encerrar logo essa fase do concurso. Assim que aquele contrato estivesse assinado e sacramentado sem nenhuma brecha jurídica, eu não teria mais nenhuma amarra profissional me impedindo de assumir a minha ratinha para o mundo inteiro ver.
Eu sabia muito bem que uma tempestade pesada estava se armando no horizonte. A história do acidente que tirou a vida dos pais do Rocco e do meu irmão de consideração — o filho biológico dos meus pais adotivos, que abriu o vazio na família antes de me acolherem como filho — por culpa do pai das meninas era uma ferida aberta. A família Blackwood inteira entraria em combustão quando descobrisse que eu e o Rocco estávamos bancando o tratamento de ponta do velho no hospital.
Só que, diferente do Rocco, eu não carregava nenhum peso na consciência em relação às vontades do meu avô ou às regras arcaicas daquele clã. Eu amo a minha mãe adotiva com a minha vida e o meu pai é o homem que eu mais respeito no planeta, sou imensamente grato por tudo o que eles fizeram por mim desde o dia em que me tiraram do abrigo. Mas existe um limite muito claro: ninguém manda na minha vida pessoal. Eu nunca me casaria com uma mulher que não escolhi só para agradar sobrenome ou manter fachada de diretoria. Posso parecer frio e egoísta para os outros, mas quando eu decido o que quero, eu vou até o fim.
E o que eu mais queria estava sentado a dois metros de mim no bar, virando copos de bebida colorida.
A Moon estava um verdadeiro espetáculo. Mais cedo, no cartório, quando coloquei os olhos nela com aquele vestido branco delicado, os cabelos em um tom de loiro claro caindo em ondas perfeitas pelos ombros e aqueles olhos verdes brilhantes, a minha respiração tinha sumido do peito. Aquela mulher conseguia ser mais bonita do que qualquer modelo de passarela internacional. Parecia uma boneca feita sob medida para me enlouquecer. O meu pau tinha endurecido com uma pressão absurda dentro da calça social só de sentir o cheiro doce de baunilha da pele dela durante as fotos ou de lembrar do gosto quente da boca daquela garota na minha cama.
Depois do susto no cartório, onde o meu celular tocou no exato milésimo de segundo em que ela mandou mensagem e quase entregou todo o meu disfarce, eu tomei a primeira providência de sobrevivência: silenciei o aparelho particular e deixei no modo avião.
Agora, no Erotic Boys, ela estava com uma roupa comportada, mas completamente solta. A Moon bêbada era a coisa mais fofa e perigosa do mundo. Diferente do Nathan, que quando bebia arrumava confusão e quase destruía o ambiente com o próprio desespero, a minha garota só ficava espalhafatosa, falante, risonha e sem freio nenhum.
Ela dançou com a Charlotte, pulou com a Maressa, cantou no meio da pista e virou copos de tequila como se fosse água com gás.
Puxei uma banqueta alta e sentei ao lado dela no balcão, apenas para garantir que a minha ratinha desastrada não fosse de cara no chão de madeira. Fiquei assistindo de camarote ela puxar o celular da bolsa com os dedos trôpegos, rindo sozinha para a tela enquanto digitava toda estabanada.
Tirei o meu aparelho particular do bolso e vi a sequência de mensagens sem nexo chegando na tela, com ela me desafiando a jogar duas verdades e uma mentira. Tive que morder a parte interna da bochecha para não soltar uma gargalhada no meio do bar. Respondi as provocações dela mantendo a minha marra de sempre, mandando ela ir para casa antes que fizesse besteira, mas a teimosa simplesmente me deixou no vácuo com uma audácia que me deixou com o sangue fervendo de tesão.
Foi aí que a música eletrônica aumentou no salão, engatando uma batida pesada.
A Moon virou o corpo cambaleando, olhou para o tablado no canto do bar onde ficava o mastro de pole dance e abriu um sorriso travesso.
— Vou dançar ali naquele palco! — ela gritou para o vento, tropeçando nos próprios pés enquanto dava o primeiro passo.
— Moon, não faz besteira — avisei com a voz grossa, levantando da banqueta.
Ela me ignorou com a maior tranquilidade. Subiu o degrau do tablado, segurou a barra de ferro polida com as duas mãos pequenas e ameaçou jogar o corpo para o lado para tentar um giro completo no ar.

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