POV/ NATHAN
Sakura ergueu o rosto, os traços coreanos ainda mais nítidos na penumbra, e correspondeu devagar, os dedos subindo pelos meus ombros até a nuca, enfiando-se no cabelo úmido. A toalha na minha cintura era a única coisa entre nós. O short dela, a camiseta larga, o casaco. Quente demais para o que eu estava sentindo.
Ela se afastou só o suficiente para puxar o casaco pelos ombros. O tecido escorregou. Caiu no chão perto da porta, sem barulho. Por baixo, só a camiseta larga e o short de algodão. Os chinelos ela já tinha abandonado em algum lugar entre a escada e ali.
Voltei a beijá-la.
As mãos dela desceram pelas minhas costas nuas, pela cintura, e puxaram a toalha.
O nó cedeu.
A toalha caiu aos meus pés.
Sakura olhou para baixo. Depois para mim. Abriu a boca num “oups” silencioso, os olhos escuros brilhando, e mordeu o lábio para não rir.
Segurei o rosto dela e beijei aquela boca outra vez, mais fundo, o corpo dela contra o meu agora sem nada no caminho do meu lado. Ela riu no beijo, um sopro quente, e ajoelhou.
Fiquei olhando.
Sakura no chão do meu quarto, a camiseta larga caindo de um ombro, o cabelo preto escorrendo para a frente, os olhos erguidos para mim. A escrivaninha ficava logo atrás. Dei um passo para trás até a madeira encostar na parte baixa das minhas costas.
— Eu queria testar uma coisa — ela sussurrou.
Fechei os olhos um segundo.
Meu Deus do céu.
Tô lascado.
A mão dela me encontrou primeiro. Delicada. Sem jeito no começo, os dedos finos fechando em volta, subindo e descendo devagar, aprendendo o movimento, o polegar passando pela cabeça já úmida. Depois mais firme. Ávida. Eu segurei a beirada da escrivaninha com as duas mãos para não gemer.
A boca dela veio quente.
Quente demais. Úmida. Os lábios se fechando, a língua, o cabelo preto roçando minha coxa, e eu travei o maxilar com tanta força que doeu. O irmão dela dormia a dois cômodos dali. Eu não podia fazer barulho. Não podia. O ar saiu pelo nariz, preso, e minhas mãos foram sozinhas ao cabelo dela, não para puxar — para sentir. Os fios lisos entre os dedos. A cabeça dela se movendo. A boca subindo e descendo, as mãos massageando o que a boca não alcançava, e o quarto inteiro reduziu àquilo: a lâmpada baixa, a madeira na minha lombar, Sakura de joelhos, o som molhado baixo demais e mesmo assim alto demais na casa calada.
O prazer subiu rápido demais.
Aperto na base da coluna. Coxas tensas. Eu ia gozar.
Segurei o rosto dela e a levantei antes que acontecesse. Sakura ficou de pé ofegante, os lábios vermelhos, um fio de saliva no canto da boca, os olhos escuros me encarando de baixo mesmo em pé, porque eu era alto demais e ela continuava pequena na minha frente.
Ela franziu a testa, ainda sem ar.
Queria ter me feito gozar. Estava escrito na cara dela.
Balancei a cabeça. Beijei sua boca, o gosto de mim ainda nela, e falei no menor sussurro que consegui:
— Depois. Agora eu quero você.
Puxei a camiseta larga para cima. Sakura levantou os braços. O tecido saiu, o cabelo caiu de volta nas costas, e ela ficou só de short, os seios médios à mostra, a pele morena clara na luz do abajur. Encostei a testa na dela um segundo. As mãos nas costas nuas. O calor dela.
Depois a levei até a cama.
Ela caiu de costas no colchão.
O som foi seco. Alto.

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