( um cap. maior..... Desculpem a demora...)
POV: ROCCO BLACKWOOD
A boca dela descia pelo meu corpo, lenta, torturante. Eu sentia a umidade, o calor, a língua dela mapeando cada centímetro da minha pele. As mãos de Sky subiam e desciam pelo meu pau, um movimento rítmico que me fazia perder o juízo. Ela parou, olhou para cima com aquele olhar abusado e sussurrou:
— Hoje eu não vou só brincar com as mãos, Rocco... eu vou te engolir. Vou te devorar. Eu posso?
— Ah, porra... — gemi, apertando os lençóis, sentindo o ápice chegando.
BEEP. BEEP. BEEP.
O som cortou o sonho como uma navalha. Abri os olhos e o teto branco do meu quarto me encarou de volta. Inferno. Segunda-feira. Fechei os olhos com força, tentando puxar a Sky de volta, tentando forçar meu cérebro a retomar de onde ela parou, mas o barulho do celular era incessante.
Peguei o aparelho na cabeceira. Cinquenta e seis mensagens. Três ligações perdidas.
— Droga, droga, droga! — joguei o edredom para o lado, sentindo a frustração do sonho interrompido vibrar no meu corpo.
Abri a primeira mensagem. Era o Nathan. O print do zzzArch & Design ocupava a tela inteira. "Equipe Bittencourt acusada de plágio". Li as legendas, os comentários venenosos, a exposição do crachá. Fiquei perplexo.
"Rocco, a diretoria já sabe. Estão furiosos. Onde você está?" — Nathan escreveu.
— Que porra está acontecendo? — rosnei para o quarto vazio.
Levantei em um salto. A adrenalina substituiu o tesão em um segundo. Escovei os dentes às pressas, olhando no espelho e pensando que precisava estar impecável; não podia dar o mole de chegar com hálito de quem acabou de acordar de um sonho erótico, como se eu fosse um amador.
Vesti o terno, ajustei o relógio e voei para a empresa.
Abri a porta da sala de reuniões com um estrondo. Eu não estava com o rosto sarcástico de costume. Não havia espaço para brincadeiras. Encarei a Bittencourt por um segundo e vi o pânico nos olhos dela. Ela abaixou a cabeça, incapaz de sustentar meu olhar, e aquilo me deu um soco no estômago. Nathan entrou logo atrás de mim, com a mão enfaixada e o rosto tenso.
— Nathan, tire a Bittencourt da sala. Agora .
Caminhei até a mesa e bati as duas mãos na madeira, fazendo os papéis voarem.
— Que porra está acontecendo aqui?
O Conselho não perdeu tempo. Começaram a despejar os relatórios técnicos, citando a "mancha" incurável que o nome Bittencourt trazia para a Blackwood & Co. Eu ouvia tudo em silêncio absoluto.
Falaram sobre "ética", "imagem da empresa" e "escândalo nas redes sociais". Eu sabia que ela não tinha plagiado nada. Eu a vi naquela praia, vi o esforço dela, vi o talento bruto saindo de cada traço. Eu tinha provas de que ela era autêntica, mas se eu dissesse que a vi na praia, daria munição para eles me questionarem depois poderiam até falar que ajudei ou facilitei para ela.
Um dos conselheiros jogou uma pasta aberta na minha frente.
— Não é só a denúncia anônima, Rocco. Olhe o histórico. O pai dela, Otávio Bittencourt, foi processado pelo seu avô, Heitor. Foi uma guerra por patentes e tecnologia de arquitetura em 2015.
Meus olhos travaram no papel. O sobrenome "Bittencourt" martelava na minha cabeça. Eu sabia que já tinha ouvido isso, mas agora a peça se encaixava com a força de uma marreta.
O ano em que minha vida virou um inferno.
Minha mente deu uma guinada zonza. Eu lembrava daquele dia. Meus pais, meu primo... todos no carro. Eles estavam indo para o tribunal. Meu avô tinha comprado aquela ferramenta de merda, uma tecnologia que ele dizia ser a "salvação" da Blackwood & Co. Na época, parecia inovador, mas olhando hoje, com olhos de arquiteto de verdade, era uma ferramenta sem alma, algo que meu avô usou só para sair na frente e fechar contratos.
E o Otávio Bittencourt estava lá para contestar. O acidente que matou minha família aconteceu no caminho para aquela audiência.
— Senhor Blackwood? Você está bem? — Alguém perguntou, mas a voz parecia vir de outra galáxia.

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