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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 54

POV/ SKY

— Senhor Blackwood, o Conselho precisa terminar a ata agora — a secretária o chamou lá de dentro, quebrando o transe.

Ele me deu um último olhar furioso um olhar que eu interpretei como o mais puro e absoluto desprezo — e voltou para a sala, batendo a porta com tanta força que o som ecoou pelo corredor vazio como um ponto final na minha carreira.

— Vai ficar tudo bem, Sky — Nathan se aproximou, tentando ser o equilíbrio naquela loucura. — Eu vou conversar com eles de novo, vou explicar que foi uma denúncia vazia de quem quer te derrubar. Vá para casa, descanse. Moon, Sakura e eu vamos cuidar da parte técnica do projeto menor enquanto você se recupera. O trator Bittencourt precisa de um tempo fora da pista.

Eu apenas assenti, sentindo-me oca, enquanto Gael me guiava para longe daquele lugar.

Assenti, sentindo o corpo oco. Gael me guiou em direção à saída e eu não tive forças para recusar. Eu só queria fechar os olhos e fingir que aquele dia nunca tinha existido. As paredes de vidro da Blackwood & Co. pareciam estar se fechando sobre mim, um labirinto de luxo e julgamento que sugava meu ar. Mas o destino, esse roteirista sádico, ainda tinha um último ato para aquela manhã.

No caminho para o estacionamento, eu os vi. Vítor e Sofia. Eles estavam parados perto de um dos pilares, rindo com o celular na mão. O riso deles me atingiu como chicotadas na pele viva. A prima que me traiu e o ex que jogou dez anos da minha vida no lixo agora se divertiam com a minha ruína pública.

— Cuidado, hein, Gael! — Sofia gritou quando passamos, o sorriso dela era puro veneno destilado. — Essa aí tem olhos que não são dela.

Eu não entendi o que ela quis dizer. Quem tinha me denunciado? Víctor? Sofia? Os dois? Eles me odiavam o suficiente para isso, mas eu estava tão exausta, com tantos problemas reais acumulados, que não tive forças nem para rebater. A Sky que faz piada e tem resposta na ponta da língua tinha ficado enterrada na enfermaria. Eu só queria o silêncio.

Gael me ajudou a entrar no carro dele. Encostei a cabeça no vidro frio e vi Porto Alegre passar como um borrão cinzento. Ele parou em uma cafeteria no caminho e comprou um café para mim.

— Melhorou? — ele perguntou, colocando a mão sobre a minha enquanto eu segurava o copo.

— Um pouco. Obrigada, Gael. De verdade.

— Vai ficar tudo bem. Eu quero ser seu amigo, Sky. Quero estar do seu lado.

Amigo. Eu ouvi essa mesma palavra ontem, vinda de um par de olhos verdes e sarcásticos. Mas o "amigo" de ontem me olhou com um desprezo mortal na sala de reuniões, acreditando que meu pai era um fraudador e eu uma infiltrada. Eu já não sabia se essas amizades valiam de alguma coisa.

Passei meu endereço e ele me levou para casa. Quando paramos em frente ao portão, a cortesia me obrigou a perguntar:

— Quer entrar?

Ele aceitou prontamente. Ao entrarmos, o peso da minha realidade me atingiu. Eu me afundei em uma das cadeiras da cozinha, sentindo que se eu desse mais um passo, meus joelhos falhariam. Gael, percebendo meu estado, não esperou ser servido. Ele mesmo encontrou a chaleira e as ervas. Foi ele quem fez o chá dentro da minha própria casa, movimentando-se com uma calma que eu invejava.

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