( Deixem o like.. Cap. maior para vocês.)
POV / SKY
Eu não dormi. Cada vez que eu fechava os olhos, sentia a pressão das mãos do Rocco contra os meus pulsos e o gosto daquela boca maldita. O pior não era o beijo em si; era o fato de que, dessa vez, eu estava sóbria. Eu senti cada centímetro da língua dele explorando a minha, senti o calor do corpo dele me prensando contra a parede e, por um segundo de fraqueza absoluta, eu quase retribui com a mesma urgência.
Ainda bem que o ódio falou mais alto. Os t***s que eu dei nele ainda ardiam na palma da minha mão, mas não tanto quanto a minha consciência. Ele me chamou de filha de ladrão, aceitou a narrativa daqueles abutres e depois veio aqui me beijar? Canalha.
Terça-feira de manhã chegou cinzenta. Olhei o celular: nada. Nenhuma mensagem, nenhum pedido de desculpas, nada. Nathan me ligou na hora do almoço avisando que o Rocco tinha feito uma viagem de emergência para resolver problemas do resort e que eu deveria focar na reestruturação da equipe, já que o meu caso seguia sob investigação.
Graças a Deus eu não precisei olhar para a cara dele. Ele não me mandou nenhuma mensagem, mesmo tendo meu número. Eu não sabia se o que eu sentia era alívio ou uma decepção profunda por ele agir como se nada tivesse acontecido. No fim, a paz que eu sentia tinha um gosto amargo de descaso.
Passei a quarta e a quinta-feira em campo. Visitamos o local da revitalização da praça ao lado do Guaíba duas vezes, mapeando a destruição da última enchente. Enquanto eu analisava os restos da estrutura antiga — um projeto do Rocco —, a raiva subia. Ele era um desgraçado, mas sabia o que fazia. Os materiais, a lógica, a estética... era impecável. Admitir que ele era um engenheiro bom de verdade me irritava mais do que o beijo. Droga.
Na sexta-feira, finalizamos as medições. Sakura reorganizou o orçamento enquanto Moon e eu desenhávamos soluções que respeitassem a fundação original, mas com a nossa cara. Estava ficando realmente bom. Outras equipes haviam pegado projetos de revitalização espalhados pela cidade. Gael não me mandou mensagem, afinal não tinha o meu número, mas sabia meu endereço. E no fim eu me questionava: será que eu beijo tão ruim assim? Será que eu estava com mau hálito? Merda... Rocco me deixou traumatizada.
A noite caiu e o Alex finalmente apareceu com uma caixinha de cerveja. Estava impecável como sempre, mas dava para ver o peso do luto pelos olhos; a avó dele havia falecido e ele tinha viajado para o interior de Minas Gerais para o velório. Levantei-me do chão onde eu, Moon e Sakura estávamos jogadas terminando nossos desenhos e finalizando o orçamento entre fatias de pizza e suco de laranja. Fui na direção do meu amigo e o apertei em um abraço.
— Sinto muito pela sua avó, Alex. De verdade.
— Valeu, Sky — ele suspirou, abrindo uma cerveja. — Eu só preciso de um porre. Ou de um chicote.
— Você não toma jeito, né? — provoquei. — Quer dormir aqui em casa? A gente come pipoca e assiste Titanic.
Conheço o Alex há algum tempo. A mãe dele namorou meu tio, então nos considerávamos primos. Na verdade, somos mais que isso: em um dia de verão, cortamos nossas mãos, deixamos nosso sangue se misturar em uma caneca e bebemos. Nos tornamos irmãos de sangue.
— Que dormir o quê, mulher! — Alex exclamou, cortando meu convite com um gesto de mão. — Vou ao Ambrosia Club. Tem evento hoje e você vem comigo.
— Alex, eu nem gostei daquele lugar... — comecei, mas ele nem me deixou terminar.
— Exatamente por isso você vai. Passou a semana aqui enfurnada, cheirando a pó de grafite e se estressando. No Ambrosia, ninguém é arquiteta ou filha de ninguém. Você é só um corpo sentindo sensações. Eu cuido de você, fica tranquila.
Sakura soltou uma risadinha baixa e a Moon arregalou os olhos claros, subitamente interessada.
— Você já foi lá, Sakura? — Moon perguntou, inclinando o corpo para a frente.
— Eu não. Mas o meu irmão já foi, e sei que o Nathan e o Rocco gastam uma fortuna com as submissas deles lá — ela comentou, dando um gole na sua água com gás. — Me tratavam como uma garotinha, diziam que não era lugar para mim. Mas ouvi várias histórias... eles compram roupas, sapatos e pagam até salários para as Subs deles.
— Os Doms dizem que dominar é melhor do que transar — Alex completou, recostando na poltrona. — E, sendo honesto, às vezes eu mesmo concordo.
— Como assim? Pensei que lá fosse tipo um bordel de luxo, pelo que as meninas comentam na faculdade — Moon falou, com as bochechas rosadas pela curiosidade.
— Nem sempre a questão é só sexo, pequena. É controle — Alex sorriu de canto. — Eu mesmo vou lá hoje por isso. Preciso assumir o comando de algo ou vou enlouquecer com o peso dessa semana.
Olhei para ele, sentindo a curiosidade vencer qualquer filtro de etiqueta.

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