POV/ MOON
O motorista me olhou pelo retrovisor.
— Seu namorado está esperando?
— Está depois da ponte.
— Então vamos até ele.
Assenti, embora minhas pernas estivessem tremendo.
Pensei em pedir que voltássemos ao hospital. Rocco estava lá, e eu me sentiria mais segura perto dele. Mas Christian já estava esperando, e faltava apenas atravessar a ponte.
O táxi avançou.
Olhei para trás mais uma vez.
O veículo preto continuava ali.
— Ele ainda está seguindo a gente — murmurei.
— Eu estou ouvindo, Moon — Christian respondeu. — Já estou perto.
O motorista entrou na ponte.
Vi a proteção lateral e a água abaixo. A altura me causou um desconforto que não costumava sentir. Afastei os olhos da janela e procurei o final da travessia.
— Entramos na ponte — avisei.
— Estou no recuo depois dela. Você consegue ver meu carro?
Inclinei-me para a frente.
O trânsito tinha começado a andar mais depressa. Os veículos estavam espaçados, e consegui enxergar a saída da ponte.
Procurei Christian entre os carros.
Então o encontrei.
Seu veículo estava parado fora da pista. Ele tinha saído e permanecia ao lado da porta, com o telefone junto ao ouvido, olhando na nossa direção.
O alívio foi tão grande que meus olhos se encheram de lágrimas.
— Christian!
— Oi, Amor.
— Estou vendo você!
— Também estou vendo o táxi.
Soltei o ar e sorri.
Ele estava ali.
Faltava tão pouco para chegar até ele.
— Graças a Deus.
Apertei a bolsa contra o corpo e continuei olhando para Christian. Queria descer daquele carro, abraçá-lo e contar novamente que tinha lembrado a senha. Queria que ele me levasse até a Blackwood para finalmente descobrirmos o que havia naquele arquivo.
O motorista soltou um palavrão.
Virei o rosto.
O quatro por quatro preto estava ao nosso lado.
Ele se aproximou tanto que consegui enxergar o reflexo do táxi na lataria escura.
— Moça, segura firme!
O veículo preto avançou contra a lateral do táxi.
O motorista puxou o volante para evitar a colisão.
Ouvi uma buzina.
Um caminhão estava na faixa ao lado.
— CUIDADO!
O motorista tentou corrigir a direção, mas não havia espaço.
O primeiro impacto me lançou violentamente contra o cinto.
Gritei.
Meu telefone escapou da mão, e minha cabeça bateu na lateral do carro. Senti uma dor aguda perto da têmpora e levei a mão ao rosto, mas outro golpe me jogou para o lado contrário.
O caminhão atingiu o táxi.
Ouvi o motorista gritando.
Pneus arrastaram no asfalto.
O carro rodou.
Tentei segurar o encosto da frente, mas não consegui alcançar nada. Minha bolsa caiu no chão, e o cinto apertou meu peito com tanta força que perdi o ar.
— MEU DEUS!
A proteção da ponte apareceu pela janela.
O motorista tentou frear.
Ouvi metal raspando, um estrondo e o barulho de alguma coisa se partindo.
O táxi atravessou a proteção.
Meu corpo foi puxado contra o cinto enquanto o carro se inclinava.
Vi o céu.
Depois, a água.
— NÃO! NÃO! POR FAVOR!
O motorista gritou.
Eu também.
O carro caiu.

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