POV/ MOON
Ele começou a passar pela abertura.
Estendi a mão na direção dele.
— ESPERA! POR FAVOR, ME LEVA COM VOCÊ!
— Vou tentar por fora! Aguenta firme!
Seu corpo desapareceu.
A água entrou com mais força.
Tentei segui-lo.
Apoiei o joelho entre os bancos, segurei o encosto e me puxei para a frente.
Meu pé escorregou.
Bati a perna em alguma coisa e caí de volta no banco traseiro.
A água atingiu meu peito.
Gritei.
— NÃO! NÃO ME DEIXA SOZINHA!
Procurei o motorista pela abertura.
Não consegui vê-lo.
Tentei avançar novamente, mas a inclinação do carro dificultava meus movimentos. Meu joelho doía, e minhas mãos escorregavam no revestimento molhado.
A água continuava subindo.
Voltei para a porta.
Puxei a maçaneta.
Empurrei.
Chutei.
Nada.
— SOCORRO!
Bati no vidro com a palma da mão.
— TEM ALGUÉM AQUI! SOCORRO!
Olhei para fora.
Não conseguia enxergar a ponte.
A água estava turva, e os reflexos distorciam tudo.
Christian tinha me visto.
Ele estava esperando por mim.
Precisava saber que eu ainda estava dentro do carro.
— CHRISTIAN!
Bati novamente.
— CHRISTIAN, ME AJUDA!
Meu peito doía cada vez que gritava.
Tentei respirar fundo, mas a dor provocada pelo cinto me obrigou a interromper a inspiração.
A água atingiu meus ombros.
Subi no banco, tentando manter a cabeça perto do teto.
O carro se moveu.
Perdi o apoio e mergulhei o rosto.
Água entrou pelo meu nariz.
Voltei à superfície tossindo, com os olhos ardendo e a garganta queimando.
— Não... Por favor...
Cuspi água e tentei puxar ar.
Meu cabelo estava grudado no rosto. Afastei as mechas da boca e procurei apoio no encosto.
A água já estava perto do meu queixo.
Comecei a chorar com mais força.
Eu não queria morrer.
Não queria morrer dentro daquele carro.
Sky estava no hospital.
Eu tinha prometido que voltaria.
Tinha beijado sua testa e pedido que Rocco cuidasse dela.
Minha irmã podia acordar a qualquer momento e perguntar onde eu estava.
Eu precisava voltar.
Precisava encontrá-la.
— SOCORRO! ALGUÉM ME AJUDA!
Bati no vidro com as duas mãos.
Uma vez.
Outra.
Continuei até sentir os dedos doloridos.
— POR FAVOR!
Tentei empurrar a janela com os pés, mas não consegui me posicionar direito. O carro estava afundando, e a água já ocupava quase todo o espaço.
Ergui o queixo.
Meu rosto ficou pressionado perto do teto.
Restava uma pequena faixa de ar.
Respirei depressa.
Uma vez.
Outra.
Meu peito subia e descia com dificuldade.
Eu precisava sair antes que aquele espaço desaparecesse.
Olhei novamente para a abertura da frente.
Tentei alcançá-la.
Segurei o banco, puxei meu corpo e consegui avançar um pouco.
A água bateu no meu rosto.
Engasguei.
Perdi o apoio.
Voltei para trás, tossindo e procurando desesperadamente a superfície.
— CHRISTIAN!
Minha voz saiu rouca.
— POR FAVOR, AMOR!
Bati no vidro.
Não sabia se alguém conseguia me ouvir.
A água alcançou minha boca.
Inclinei a cabeça para trás.
Meu nariz quase encostou no teto.
Puxei outra respiração.
Então vi uma sombra se aproximando.
Uma mão apareceu do lado de fora da janela.
Depois, um rosto.
Christian.
Meu coração disparou ainda mais.
Era ele.

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