POV/CHRISTIAN
Eu ainda estava olhando para Moon quando o motorista do táxi tentou desviar.
Ela tinha me visto. Reconheci o movimento de seu braço através do para-brisa e ouvi o alívio em sua voz pelo telefone. Dei um passo na direção da pista, preparado para indicar o recuo onde poderiam parar, quando um veículo preto avançou pela lateral do táxi.
A buzina de um caminhão encobriu o que Moon disse.
O primeiro impacto fez meu corpo inteiro se contrair. Vi o táxi mudar bruscamente de direção, atingir a proteção da ponte e continuar avançando. Por um instante, fiquei esperando que parasse. Que o motorista conseguisse recuperar o controle. Que a estrutura de proteção suportasse o impacto.
Mas a proteção cedeu.
— MOON!
Corri na direção da ponte, ainda com o telefone junto ao ouvido. Ouvi um grito feminino, um estrondo e, logo depois, o barulho da água recebendo o veículo.
Quando alcancei a parte destruída da proteção, meu coração parecia estar batendo dentro da garganta.
O táxi estava na água.
A parte dianteira já começava a afundar.
E Moon estava dentro.
— NÃO! MEU DEUS, NÃO!
Procurei desesperadamente uma maneira de chegar até ela. Havia pessoas saindo dos carros, algumas apontando para o rio, outras tentando compreender o que tinha acontecido.
— CHAMEM UMA AMBULÂNCIA! — gritei. — TEM UMA MULHER PRESA NAQUELE CARRO! CHAMEM O RESGATE, PORRA!
Um homem levantou o telefone, mas não esperei para ouvir sua resposta.
Corri até o recuo, onde havia uma descida de terra e pedras que levava à margem. O terreno era irregular. Escorreguei nos primeiros passos e caí de joelhos, apoiando as mãos no chão para não rolar. Senti a pele da palma se abrir contra uma pedra, mas me levantei imediatamente.
Não conseguia parar de olhar para o táxi.
A água já cobria parte das janelas.
— Aguenta, amor! — gritei, embora soubesse que Moon não poderia me ouvir. — Eu estou indo!
Desci o restante quase tropeçando nos próprios pés. Meu peito doía, e eu respirava depressa demais, sem conseguir encher completamente os pulmões.
Na margem, arranquei os sapatos e deixei o telefone ao lado deles. Entrei na água antes mesmo de recuperar o equilíbrio.
O frio atingiu minhas pernas e subiu pelo corpo, arrancando o pouco ar que eu tinha conseguido puxar.
Mergulhei e comecei a nadar.
A roupa encharcada pesava. Minha calça dificultava os movimentos, e cada braçada exigia um esforço que eu não tinha previsto. A correnteza me empurrava para o lado, obrigando-me a corrigir a direção repetidamente.
Quando levantei o rosto para respirar, uma onda pequena atingiu minha boca. Engoli água, tossi e continuei.
Eu só conseguia pensar em Moon.
No sorriso dela quando me encontrou do outro lado da ponte.
Na voz aliviada dizendo que estava me vendo.
Ela estava tão perto de mim.
Tão perto.
E agora podia morrer antes que eu conseguisse alcançá-la.
— Por favor, meu Deus... Por favor...
Aproximei-me da lateral do táxi e procurei a janela traseira.
O veículo se moveu quando apoiei a mão na lataria. A dianteira afundou mais um pouco, e precisei me afastar para não ser atingido.
Então enxerguei Moon.
Ela estava junto ao vidro, com os cabelos loiros espalhados ao redor do rosto. Seus olhos estavam arregalados, e uma das mãos batia desesperadamente na janela.
Meu estômago se contraiu.
Nunca tinha visto tanto medo no rosto dela.
Aproximei a mão do vidro.
Moon colocou a palma sobre a minha.
Por um segundo, ficamos separados apenas por aquela janela.
Eu conseguia vê-la.
Conseguia tocar o vidro onde sua mão estava.
Mas não conseguia alcançá-la.
— Eu vou tirar você daí, amor! — gritei, mesmo sabendo que minha voz não atravessaria a água. — Eu prometo!
Puxei a maçaneta.
A porta não abriu.
Tentei novamente, apoiando um pé na lateral do veículo e usando toda a força que tinha.
Nada.
A pressão da água mantinha a porta presa.
Mergulhei o rosto e tentei encontrar outra maneira de abri-la. Meus dedos escorregaram pela maçaneta, e o carro se inclinou um pouco mais.
Quando voltei à superfície, estava ofegante.
— PORRA! ABRE!
Bati com o punho na janela, mas o vidro não cedeu.
Moon continuava me olhando.
A água estava chegando perto de seu rosto.
O desespero dela aumentou quando percebeu que eu não conseguia abrir.
Vi sua boca se mover.
Não ouvi o que disse.
Mas reconheci meu nome.
Ela estava me chamando.
E eu não conseguia fazer nada.
— Não, não, não... Aguenta, princesa. Só mais um pouco.
Um movimento perto da dianteira chamou minha atenção.
Era o motorista.
Ele tinha conseguido sair pela abertura da frente e se segurava na lataria. Havia sangue escorrendo perto de sua testa, e ele respirava com dificuldade.
— ELA ESTÁ ATRÁS! — gritou.
— EU SEI! NÃO CONSIGO ABRIR A PORTA!
Ele mergulhou parcialmente pela abertura e voltou tossindo, segurando uma pequena ferramenta.
— PEGA! É O MARTELO DE EMERGÊNCIA!
Agarrei o objeto.
Quase o deixei cair porque meus dedos estavam dormentes.
Voltei imediatamente à janela traseira.
Moon ainda estava ali.
Mas a água já cobria sua boca.
Fiz um gesto para que afastasse o rosto.
Ela tentou se mover, mas parecia não compreender o que eu queria.
Bati no canto do vidro.
Nada.
Bati outra vez.
A resistência da água diminuía a força dos golpes, e meu braço começava a doer.
Subi para respirar e mergulhei novamente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário