POV/ CHRISTIAN
O homem se ajoelhou com o telefone no viva-voz.
— O resgate está vindo. Eles vão orientar a gente!
Uma voz começou a fazer perguntas.
Eu mal conseguia compreender.
— Ela caiu na água... Estava presa no carro... Eu tirei ela, mas não está respirando!
— Senhor, preciso que siga minhas orientações.
Balancei a cabeça desesperadamente.
— Eu faço qualquer coisa. Só me ajuda a salvar ela.
A voz me orientou a abrir a passagem de ar e iniciar as ventilações de resgate.
Segui as instruções.
Minha boca tremia tanto que precisei corrigir a posição.
Fiz a primeira ventilação.
Observei seu peito subir.
Afastei o rosto imediatamente.
— Moon?
Esperei uma reação.
Nada.
Fiz a segunda.
Ela continuou imóvel.
A voz orientou as compressões.
Posicionei as mãos no centro do peito dela e comecei.
Um.
Dois.
Três.
Tentei acompanhar a contagem.
Meus braços tremiam.
A água escorria do meu cabelo sobre o rosto de Moon, misturando-se às lágrimas que eu não conseguia controlar.
— Acorda, amor... Por favor, acorda.
Continuei as compressões.
O homem ao meu lado repetia as orientações, ajudando-me a manter o ritmo.
Eu tentava prestar atenção.
Precisava fazer tudo certo.
Mas cada vez que olhava para o rosto imóvel de Moon, sentia uma vontade desesperada de agarrá-la e implorar que abrisse os olhos.
Voltei às ventilações.
Uma.
Outra.
Observei.
Nada.
— Meu Deus...
A voz saiu quebrada.
— Meu Deus, por favor...
Retomei as compressões.
Meu ombro doía, o corte no braço ardia e minhas mãos estavam perdendo a sensibilidade.
Mas a dor física não significava nada diante do medo que estava sentindo.
Moon não podia morrer.
Não daquele jeito.
Não depois de me dizer que estava me vendo.
Não depois de confiar que eu a encontraria.
— Você prometeu que ia ficar comigo — murmurei, mantendo as compressões. — Lembra? A gente ainda tem tanta coisa para viver, amor...
Minha garganta se fechou.
Pisquei repetidamente para conseguir enxergar.
— Não faz isso comigo, princesa. Por favor.
Continuei.
A cada sequência, esperava que ela tossisse.
Que movesse uma mão.
Que abrisse os olhos.
Qualquer coisa.
Mas Moon permanecia imóvel.
— POR FAVOR, MEU DEUS!
Voltei às ventilações.
Afastei o rosto.
Nada.
O motorista se ajoelhou do outro lado.
— Quer que eu continue? Você está machucado.
Balancei a cabeça.
— Não. Eu consigo.
Minha voz quase não saiu.
Eu não queria parar de tocá-la.
Não queria entregar aquela tarefa a outra pessoa.
Tinha medo de que, se parasse por um segundo, ela não voltasse.
A voz do telefone insistiu para que mantivéssemos o procedimento.
Continuei.
Minhas lágrimas caíam sobre o rosto dela.
— Acorda, Moon... Acorda, pelo amor de Deus.
Fiz outra sequência de compressões.
Depois as ventilações.
Meu peito estava apertado, e eu já não sabia se tremia pelo frio, pelo esforço ou pelo pânico.
— Eu te amo, princesa. Está ouvindo? Eu te amo tanto...
Minha voz falhou.
— Não me deixa aqui.
Foi quando seu corpo se contraiu.
Parei imediatamente.
Moon tossiu.
Um som áspero, fraco, mas real.
— MOON!
Ela tossiu novamente, e líquido saiu de sua boca.
O motorista me ajudou a virá-la cuidadosamente de lado, seguindo as orientações da equipe de emergência.
Moon apresentou outra contração e vomitou.
Sustentei sua cabeça enquanto ela tentava puxar ar.
— Isso, amor! Isso! Respira!
Ela tossiu outra vez.
O som fez minhas pernas perderem a força, mesmo estando ajoelhado.
Comecei a chorar de maneira descontrolada.
— Meu Deus... Obrigado, meu Deus...
Passei a mão pelo rosto dela.
— Moon? Amor, olha para mim.
Seus olhos se abriram por um instante.
Ela parecia confusa.
Não conseguiu fixar o olhar.
Mas estava viva.
Estava respirando.
— Sou eu, princesa. É o Christian. Eu estou aqui.
Acariciei sua bochecha com os dedos trêmulos.
— Você conseguiu, amor. Eu tirei você de lá.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário