POV/CHRISTIAN
Quando cheguei à emergência, Moon já estava sendo levada para dentro.
Reconheci a maca e acelerei o passo, sentindo a roupa molhada roçar nos ferimentos. Uma profissional me interceptou antes que eu atravessasse a porta junto da equipe.
— O senhor é familiar?
— Noivo. Sou o noivo dela.
Minha voz saiu rouca.
Ela pediu informações, e respondi olhando por cima de seu ombro. O rosto de Moon ficou visível por alguns segundos antes que a porta se fechasse.
Dei um passo involuntário.
— Agora o senhor precisa aguardar.
Parei.
Durante o caminho, eu tinha pensado apenas em chegar. Não tinha imaginado o que faria depois que a tirassem da minha vista.
— Ela voltou a respirar — expliquei. — Quando tiramos da água, não estava respirando direito. Depois tossiu. Eu fiz o que mandaram.
A profissional assentiu, mantendo a atenção em mim.
— Essas informações já foram transmitidas à equipe?
— Foram. Mas ela abriu os olhos. Só um pouco. Depois fechou de novo.
Eu precisava que alguém entendesse a importância daquilo, embora nem soubesse o que significava.
Ela indicou uma cadeira e me pediu que esperasse. Um funcionário trouxe uma manta. Demorei a perceber que meus dentes estavam batendo.
Sentei-me.
A água da roupa começou a se acumular no chão, perto dos meus pés. Olhei para ela e voltei imediatamente à porta.
Minha mão ainda parecia segurar Moon.
Quando abri os dedos, senti uma fisgada no antebraço.
Uma profissional se aproximou para avaliar os cortes. Perguntou se eu também tinha batido a cabeça, se estava com falta de ar, se tinha engolido água. Respondi, tentando organizar lembranças que não pareciam pertencer à mesma sequência.
Ela verificou meu estado, examinou os ferimentos e pediu que eu avisasse se sentisse qualquer piora. Aceitei a limpeza dos cortes, mas continuei me virando a cada movimento da porta.
— Meu primo está aqui no hospital — falei. — Rocco Blackwood. Está com Sky Bittencourt. Podem avisar que preciso dele?
A funcionária anotou os nomes.
Tentei apoiar as costas na cadeira.
O corpo não relaxou.
Sempre que fechava os olhos, via a mão de Moon descendo pelo vidro. Abri-os e fixei a atenção na parede, procurando alguma coisa que conseguisse olhar sem voltar à água.
— Christian?
Levantei a cabeça.
Rocco vinha em minha direção.
Ele diminuiu o passo quando me viu, e a expressão em seu rosto mudou antes mesmo de chegar perto.
— O que aconteceu?
Abri a boca.
Nenhuma frase saiu.
Ele olhou para os curativos, para a roupa encharcada e depois para a porta da emergência.
— Cadê a Moon?
Apontei.
Rocco se abaixou diante de mim.
— Ela sofreu um acidente?
Assenti.
— O táxi caiu.
Ele esperou.
— Da ponte — consegui acrescentar. — Eu estava esperando. Ela me viu, e o carro…
Minha respiração falhou.
Rocco segurou meu braço com cuidado.
— Christian, olha para mim.
Tentei.
Os olhos dele estavam muito perto, mas continuei vendo os de Moon através da janela.
— Ela ficou presa.
A frase saiu inteira. Depois dela, não consegui impedir o restante.
— Eu tentei abrir a porta, mas não dava. A água subiu e ela parou de se mexer.
Rocco se levantou, puxando-me com ele.
Quando me abraçou, segurei sua camisa.
Eu tinha conseguido nadar, quebrar o vidro, seguir as orientações, dirigir. Contra meu primo, perdi a força que vinha usando para continuar de pé.
— Ela quase morreu — falei. — Porra, Rocco, ela quase morreu.
Ele manteve a mão em minha nuca.
— Eu estou aqui.
— Quando tirei… Ela não respirava.
Apertei os dedos em suas costas.
Não sabia como descrever o que tinha sido olhar para Moon e não encontrar uma reação. Não queria contar o resgate inteiro. Queria apenas que ele entendesse por que eu não conseguia parar de tremer.
— Eu chamava, mas ela não voltava.
Rocco respirou fundo perto do meu ouvido.
Não prometeu que tudo terminaria bem.
Agradeci por isso sem conseguir dizer.
— Você tirou ela de lá — falou. — Agora tem uma equipe com ela. E você não vai esperar sozinho.
Afastei o rosto.

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