POV/CHRISTIAN
Dei um passo na direção da médica antes que ela chegasse.
— Como ela está?
A mulher confirmou minha relação com Moon e nos indicou um espaço um pouco mais afastado da circulação.
Eu não queria mudar de lugar.
Queria que respondesse.
Rocco permaneceu ao meu lado, e só então consegui escutar sem interromper.
— Moon está viva e recebendo os cuidados necessários. Estamos acompanhando a respiração e avaliando os efeitos da submersão e dos traumatismos.
Minha mão encontrou o encosto de uma cadeira.
— Ela acordou?
— Ainda apresenta alteração do nível de consciência. Precisamos continuar a observação e os exames para entender a evolução.
— Mas está respirando?
— Está recebendo suporte e acompanhamento da equipe. Ainda não está fora de perigo.
A última frase interrompeu o alívio que começava a sentir.
Eu sabia que ela não tinha saído daquele carro apenas assustada. Mesmo assim, alguma parte de mim tinha esperado que a chegada ao hospital resolvesse o que eu não consegui resolver na margem.
— A falta de ar pode ter machucado… — Parei, procurando uma forma de perguntar. — Pode ter deixado alguma coisa nela?
A médica explicou que precisavam avaliar as consequências da possível falta de oxigênio, além dos ferimentos provocados pela colisão e pela queda. Não me deu uma resposta definitiva, e eu percebi o cuidado que tinha para não prometer o que ainda não sabia.
Nathan fez uma pergunta que não consegui acompanhar por inteiro.
Continuei olhando para a médica.
Quando ela voltou a falar comigo, endireitei o corpo.
— Há outro resultado importante. Durante a avaliação, identificamos uma gestação inicial.
Esperei que concluísse.
Sakura se moveu ao meu lado.
— Uma o quê? — perguntei.
— Moon está grávida.
Olhei para Rocco.
Ele também estava encarando a médica.
Voltei a ela.
— Grávida?
A confirmação veio com um movimento de cabeça.
Meu corpo pareceu perder a firmeza. Puxei a cadeira e me sentei antes que minhas pernas decidissem por mim.
Moon estava grávida.
Eu tinha retirado minha noiva daquele carro sem saber que ela carregava um filho nosso.
— Ela não sabia — falei.
Ninguém respondeu de imediato.
— Ela teria me contado.
A médica se aproximou um pouco.
— É possível que ainda não tivesse percebido. Fizemos o teste dentro da avaliação, porque a existência de uma gestação é uma informação relevante para orientar os exames e os medicamentos.
Assenti sem conseguir acompanhar tudo.
— De quanto tempo?
— É muito inicial. A estimativa em torno de três semanas ainda precisa ser conferida com a história menstrual e os exames de acompanhamento. Esse número não permite determinar a data da concepção. A contagem obstétrica tem outra referência.
Passei a mão sobre a boca.
Três semanas.
Eu não tinha como organizar aquela informação na minha cabeça. Não enquanto continuava vendo Moon sem se mover dentro do táxi.
— E o bebê?
A palavra saiu quase sem voz.
A médica esperou que eu olhasse para ela.
— Neste momento, precisamos estabilizar e acompanhar Moon. A avaliação da gestação também exige seguimento. Não seria responsável garantir agora que não houve nenhuma consequência.
Meu estômago se contraiu.
— Ela ficou sem respirar.
— Eu sei.
— Eu não sei por quanto tempo. Eu estava tentando tirar…
Não consegui terminar.
A médica manteve a voz firme, sem me apressar.
— O socorro foi importante para que ela chegasse até aqui. Agora a equipe está avaliando o quadro completo.
Olhei para minhas mãos.
O curativo cobria parte do corte, mas ainda havia pequenas marcas entre os dedos. Eu tinha pressionado o peito de Moon, ventilado, esperado que voltasse.
E havia um bebê.
— Eu fiz as compressões — falei. — Isso pode ter…
— A reanimação necessária não podia esperar. Ela precisava voltar a respirar.
Fechei os olhos.
Não conseguia decidir se queria chorar, perguntar outra vez ou levantar e atravessar a porta para vê-la.
A médica respondeu às perguntas de Rocco sobre as próximas informações. Pediu que aguardássemos e explicou que uma visita dependeria das condições do atendimento.
Quando se afastou, continuei sentado.
Uma mão tocou meu ombro.
Rocco se abaixou diante de mim.
— Christian.
Olhei para ele.
Seus olhos estavam molhados.
— Você vai ser pai.
A frase me atingiu de uma maneira que o resultado do exame ainda não tinha conseguido.
Pai.
Senti meu rosto se contrair.

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