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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 59

POV/ ROCCO

Nada. Nem um sinal de vida. Ele parecia ter decidido que, se não fosse a ruiva abusada de Porto Alegre, ele não trabalharia para mais ninguém. Era um motim. Uma revolta na senzala. O "Big Black", que sempre foi meu aliado mais fiel, tinha se tornado um traidor da pior espécie, um desertor no meio da batalha.

Droga!! Só podia ser um maldito pesadelo. Tive que me segurar para não bater minha cabeça na parede ou arrancar todos os fios da minha cabeça. Eu sentia um calor subir pelo pescoço, uma mistura de humilhação e descrença. Eu, Rocco Blackwood, o homem que faz o mercado financeiro tremer, estava sendo ignorado pelo meu próprio corpo por causa de uma lembrança.

— Me desculpa, Letícia. Eu realmente não estou bem. Acho que peguei uma virose ou algo assim — menti, a voz saindo dois tons acima do normal, quase um falsete de tanto nervosismo. Eu parecia um adolescente sendo pego no flagra fazendo merda, e não um CEO bilionário.

Dispensei a moça com um pedido de desculpas constrangedor e uma promessa de jantar que eu nunca cumpriria na vida. Quando a porta do quarto dela se fechou, entrei no elevador e fiquei encarando minha figura bonita no espelho. Eu era um Deus grego por fora, mas por dentro, eu era um homem derrotado, fragilizado e completamente destruído por uma lembrança persistente.

— Que merda, Big Black... — resmunguei, batendo a mão no espelho com força, sentindo uma vontade imensa de gritar até os vidros quebrarem. Como eu pude chegar a esse ponto?

Peguei o celular e mandei uma mensagem para a Eleonora, do Ambrosia:

ELEONORA, CHEGO EM PORTO ALEGRE NA SEXTA. SE APARECER UMA RUIVA, QUALQUER UMA, PODE TER ATE O CABELO VERMELHO DO PICA-PAU, MAC RESERVA PARA MIM. EU ESTOU PRECISANDO.

A resposta dela veio quase instantânea, com um emoji de risada que me fez querer quebrar o aparelho contra a parede de mármore do elevador:

"Sua morena favorita não serve dessa vez, Blackwood?"

NAO. A MORENA NAO SERVE. — digitei, seco e amargo, sentindo o peso da minha própria derrota biológica.

Eu estava oficialmente em apuros. Se eu não resolvesse esse problema biológico na sexta-feira, eu teria que me internar em uma ala psiquiátrica de segurança máxima. O Imperador estava perdendo o trono para uma arquiteta gordinha, briguenta e abusada, e eu nem sabia como contra-atacar.

Merda!!! Minha mente era um carrossel de xingamentos e frustração.

— Inacreditável. Eu fui derrubado por uma Bittencourt sem ela nem estar no mesmo estado que eu. Isso é uma maldição, só pode ser.

Dirigi de volta para o hotel, mas no caminho parei em um posto e comprei um engradado de Heineken. Eu não queria luxo, não queria suíte presidencial, eu queria anestesia pura e gelada. No quarto, sentei-me na cadeira da escrivaninha e abri o notebook, tentando focar em algumas planilhas de custos para checar se estava tudo certo. Mas os números pareciam dançar na tela, se transformando em curvas e formando o contorno exato do rosto da Sky.

Peguei o celular e entrei na rede social dela pela milésima vez em uma hora. Nada. Zero. Estava em silêncio absoluto, o que era um pesadelo para um obcecado como eu. A falta de informação estava me corroendo, me deixando paranoico, imaginando o que ela estaria fazendo naquele exato momento.

Entrei no sistema da empresa três vezes por dia, monitorando cada movimento. Nada. Nenhuma entrada dela pelos torniquetes. "Menos mal", pensei, sentindo um alívio momentâneo. Pelo menos ela não estava desfilando na frente do Gael ou aceitando cafezinho de consolo pelos corredores da Blackwood & Co.

Encontrei o Christian no portão de embarque in Natal. Ele estava encostado em uma pilastra, com aquela aura de quem poderia comandar um exército ou ignorar o mundo inteiro com a mesma facilidade, sem mover um músculo da face.

Christian foi adotado pelo meu tio Lorenzo; ele veio de uma realidade pesada, de favela, e foi acolhido pela nossa família com todo o suporte. Hoje, ele é o braço direito do tio nos negócios de postos de combustível e logística, um cara implacável.

Ele é o oposto de mim em quase tudo. Enquanto eu sou o fogo, a explosão e a prepotência, o Christian é o gelo, o silêncio e a seriedade absoluta. Ele é seco, contido, e tem aquele olhar que parece ler sua alma e descobrir seus segredos mais sujos enquanto decide se vale a pena gastar saliva com você. Ali, parado com um terno que parecia ter sido esculpido no corpo, ele parecia o único ser humano funcional naquela manhã caótica.

Diferente de mim, que parecia um viciado em cafeína, com o cérebro fritando em uma obsessão ruiva que eu não conseguia mais controlar.

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Eita.... hein algum comentário?

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