POV/CHRISTIAN
Rocco continuava olhando para a passagem por onde tinham levado nosso avô. Quando alguém saía da área de atendimento, ele endireitava o corpo e acompanhava a pessoa até perceber que não vinha falar conosco. Depois voltava a apoiar as costas na parede.
Eu permanecia ao seu lado.
Tinha deixado Sakura com as meninas e confirmado que a equipe conseguiria nos localizar. Ainda assim, conferi o telefone nas mãos de meu primo, procurando uma chamada que não tinha acontecido.
— Deviam ter me contado antes — ele falou.
Virei o rosto.
— Sobre a dívida?
Rocco assentiu.
— Eu teria procurado entender. Poderia ter ajudado a encontrar uma solução sem chegar a isso.
Olhou para a passagem novamente.
— Agora ele está lá dentro.
Eu conhecia aquela necessidade de revisar cada palavra, procurando o instante em que seria possível impedir o que aconteceu. Tinha feito o mesmo durante o caminho atrás da ambulância de Moon.
— Nós não sabíamos que ele passaria mal.
Rocco esfregou as mãos e não respondeu.
Os passos de nossa avó nos fizeram levantar o rosto. Helena vinha com o lenço perto da boca. Parou diante de nós e olhou primeiro para Rocco.
— Você precisava ter falado daquele jeito?
Meu primo se afastou da parede.
— Vó, agora não.
— Ele está doente. Você sabe disso. Não podia ter esperado?
Uma pessoa sentada adiante ergueu os olhos.
Aproximei-me.
— Vamos conversar em outro lugar.
Helena me encarou.
— Vocês se juntaram para fazer aquilo e agora querem conversar em outro lugar?
Senti o corte repuxar sob o curativo quando fechei a mão.
— Nós respondemos a uma cobrança que começou dentro do quarto das meninas. Não fomos procurar uma discussão com ele.
— Se alguma coisa acontecer com seu avô…
— Não termina essa frase — Rocco pediu.
Ela se calou.
Meu primo respirou fundo, olhando por um instante para o chão antes de continuar.
— Estou com medo também. Mas não vou aceitar que use isso para me obrigar a voltar atrás.
Helena apertou o lenço entre os dedos.
Avisei à enfermagem que ficaríamos na sala reservada e passei pelo quarto antes de acompanhá-los. Moon estava acordada. Quando me viu, estendeu os dedos sobre o lençol, e fui até ela.
— Alguma notícia? — perguntou.
— Ainda estão atendendo.
Sua mão se fechou na minha.
— Você está bem?
Olhei para os curativos, depois para seu rosto.
— Cansado.
Ela acariciou meu polegar.
A simplicidade daquele contato me fez querer sentar e permanecer ali. Eu conseguia vê-la respirar. Conseguia ouvi-la perguntar por mim. Pouco antes, tinha implorado por qualquer um daqueles movimentos.
Inclinei-me e beijei sua testa.
— Vou conversar com minha avó aqui perto. Se precisar, pede para me chamarem.
Sakura confirmou que ficaria com as duas. Agradeci antes de sair.
Na sala, Rocco deixou o telefone sobre a mesa. Helena se sentou diante dele, e puxei a outra cadeira. Meus braços ainda doíam, e a vontade de apoiar a cabeça em algum lugar aumentou quando finalmente parei de andar.
Esperei até conseguir organizar a primeira pergunta.
— Por que meu pai precisou pedir dinheiro emprestado?
Minha avó olhou para mim.
— Christian…
— Jussara disse que o pai dela emprestou dinheiro para os negócios de Lorenzo. Até hoje, eu não sabia que esse empréstimo existia.
Rocco apoiou os braços na mesa.
— E eu não sabia que meu casamento fazia parte do pagamento.
Helena baixou o lenço até o colo.
— Seu avô estava tentando resolver um problema.

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