POV/ CHRISTIAN
Rocco confirmou.
Ela cobriu o rosto, chorando de uma forma diferente. Ouvi meu nome e o de meu primo entre palavras que não consegui distinguir. Quando afastou as mãos, tentou sorrir.
— Mais bisnetos…
A emoção me alcançou. Eu também tinha chorado diante daquela descoberta, e ainda não conseguia pensar no bebê sem lembrar de Moon dentro do táxi.
Mas continuávamos sem respostas.
— Eles vão precisar da gente — falei.
Helena assentiu depressa.
— Espero que sejam crianças boas. Que tenham uma vida… diferente...
Sua voz falhou.
Rocco permaneceu olhando para ela.
— Uma vida diferente de quê?
Ela baixou o rosto.
Meu primo puxou o telefone para mais perto.
— Encontramos pagamentos anteriores à minha gestão. Empresas ligadas a Gouveia e Lacerda. Documentos com descrições que não correspondem umas às outras.
Helena ergueu os olhos.
— O que vocês viram?
— O suficiente para fazer perguntas — respondi.
Ela apertou os dedos na borda da mesa.
— Heitor não sabe de tudo.
Fiquei imóvel.
— De tudo o quê?
Minha avó negou com a cabeça, mas não respondeu.
Rocco se inclinou.
— O que a senhora está escondendo?
Esperei até ela voltar a olhar para nós antes de continuar.
— Também sabemos que meu tio estava reunindo informações sobre a autoria da Zenitê. Que combinou um encontro com Otávio para trocar documentos.
Helena ficou de pé, empurrando a cadeira com as pernas.
Rocco acompanhou seu movimento.
— E sabemos que o carro que explodiu foi o do meu pai.
Minha avó olhou para a porta fechada.
— Vocês não deviam ter descoberto assim.
Senti um desconforto frio no estômago.
Rocco se levantou devagar.
— Assim como?
Helena começou a chorar novamente, mas dessa vez nenhum de nós tentou encerrar a conversa.
Esperei minha avó responder.
Ela continuava junto à cadeira, com os dedos apertados sobre o lenço e os olhos na porta. Christian permanecia sentado, acompanhando seus movimentos.
— A senhora disse que não devíamos ter descoberto assim — falei. — Descoberto o quê?
Helena se voltou para mim.
— Eu queria proteger vocês.
Senti a vontade de gritar, mas a presença de meu avô em algum lugar daquele hospital ainda estava perto demais. Apoiei a mão no encosto da cadeira e procurei manter a voz firme.
— Então conta o que sabe.
Ela voltou a se sentar.
O lenço caiu quando tentou acomodá-lo no colo. Minha avó olhou para o chão, mas não se abaixou para pegá-lo.
— Depois que seus pais morreram, havia coisas para organizar.
Meu peito apertou.
— Que coisas?
— Papéis do seu pai. Pastas, documentos que ele guardava. Eu não conseguia parar de pensar naquela noite. Queria entender no que estava trabalhando, por que tinha ido até lá.
Christian apoiou os antebraços na mesa.
Helena passou os dedos sobre a própria mão.
— Encontrei referências a pagamentos. Contratos, valores que ele estava tentando conferir. Não compreendi tudo, mas guardei aquelas informações na cabeça.

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