POV/CHRISTIAN
Rocco me encontrou no hospital antes que eu conseguisse responder à mensagem que tinha acabado de receber.
Eu segurava o telefone entre as mãos, olhando para o nome de Moon na tela. Ela perguntava se estava tudo bem. A pergunta me pareceu simples demais para o que eu precisava dizer, e fiquei tentando encontrar uma resposta que não a assustasse.
Quando levantei o rosto e vi meu primo, minha boca se abriu sem que nenhuma palavra saísse.
Rocco me abraçou.
Segurei sua camisa com força e tentei explicar o que tinha acontecido.
— Eu estava com ele.
— Eu sei.
— Ele saiu. Eu fui atrás, chamei…
A lembrança da buzina interrompeu minha voz. Rocco manteve a mão em minhas costas enquanto eu procurava ar suficiente para continuar.
Não consegui.
Ele ficou comigo durante a espera e me acompanhou quando fomos chamados. Ouvi o médico falar das lesões, do atendimento e de tudo o que tinham tentado fazer.
Depois ouvi que Lorenzo não tinha resistido.
Olhei para o rosto do profissional, esperando que acrescentasse alguma coisa. Uma orientação, um procedimento, qualquer possibilidade que me permitisse continuar fazendo alguma coisa por ele.
Meu pai estava morto.
Precisei me sentar.
O choro veio antes que eu conseguisse esconder o rosto. Apoiei os cotovelos nos joelhos, e as lágrimas caíram entre minhas mãos. Tentei responder a uma pergunta, mas não consegui entender o que tinha sido dito.
Rocco pediu um momento.
Ficou ao meu lado até eu conseguir levantar a cabeça.
As providências começaram depois. Havia informações para confirmar, pessoas a avisar e perguntas sobre o atropelamento. Respondi ao que tinha presenciado. O motorista permanecera no local, e outras pessoas também tinham visto a colisão.
Eu não conseguia parar de pensar que estava perto.
Tinha estendido a mão.
Se tivesse alcançado seu braço, se ele tivesse me ouvido antes, se eu não tivesse chamado naquele instante…
— Christian.
Olhei para Rocco.
Ele segurava meu telefone, que tinha começado a tocar sobre a cadeira.
Moon.
Peguei o aparelho e atendi.
Ela reconheceu minha voz antes de eu contar.
— O que aconteceu?
Encostei a mão na parede.
— Meu pai morreu.
Ouvi sua respiração do outro lado. Depois meu nome, dito baixo, como se ela estivesse tentando se aproximar pela ligação.
Contei o que conseguia.
Quando perguntei se podia continuar com ela no telefone por mais alguns minutos, Moon não tentou apressar a conversa.
— Estou aqui, amor.
Fiquei ouvindo sua voz até conseguir responder novamente.
Mais tarde, precisei ligar para Evelyn.
Procurei o número entre os contatos e permaneci olhando para ele. Fazia tempo que nossas conversas eram breves, quase sempre ligadas a alguma data ou notícia que alguém achava importante compartilhar.
Ela atendeu chamando meu nome.
— Aconteceu alguma coisa?
Fechei os olhos.
— É sobre Lorenzo.
Contei do encontro, do atropelamento e da confirmação da morte. As palavras saíram aos poucos, e precisei parar quando ouvi seu choro.
Evelyn ficou sem falar durante alguns segundos.
— Eu sinto muito, meu filho.
A maneira como me chamou fez minha garganta apertar.
Expliquei o que precisava sobre as providências e o velório. Não consegui repetir a conversa inteira do restaurante. Disse apenas que tínhamos falado de coisas que eu precisava ouvir e que ainda não sabia como organizar.
Ela escutou.
— Ele foi o homem da minha vida — falou depois. — E foi o pai do meu filho. Eu passei anos tentando entender como podia amar tanto alguém e não conseguir permanecer perto dele.
Apoiei a mão sobre a mesa.
— Eu sei que você descobriu.
Evelyn chorou mais forte.


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