POV/CHRISTIAN
Arthur nos levou ao Erotic Boys.
Eu não tinha pensado no lugar até reconhecer a entrada. Parei por um instante antes de descer do carro, olhando para a fachada enquanto Rocco esperava ao meu lado.
Tanta coisa tinha acontecido desde que aquele lugar começou a fazer parte da nossa história que me pareceu estranho chegar ali usando a mesma roupa do enterro de meu pai.
Arthur abriu a porta.
— Vamos ficar num canto mais tranquilo.
Charlotte estava lá dentro. Veio até mim sem fazer perguntas e me abraçou com cuidado.
— Sinto muito.
Agradeci perto de seu ombro.
Eu conhecia parte do que ela e Arthur tinham enfrentado depois do acidente e da perda de memória. Não precisava que me explicassem o que era tentar continuar uma vida enquanto uma pessoa importante deixava de estar acessível da forma que se conhecia.
Arthur nos acomodou numa área mais reservada. Nathan e Diego chegaram pouco depois.
Antes de me sentar, mandei uma mensagem para Moon.
Ela respondeu quase imediatamente, dizendo que estava com Sky, Sakura e Alex. Pediu que comesse alguma coisa e avisasse quando quisesse voltar.
Guardei o telefone.
Rocco afrouxou o colarinho da camisa e se sentou perto de mim.
Por alguns minutos, ninguém tentou conduzir a conversa. Arthur trouxe água, depois perguntou o que queríamos beber. Aceitei uma dose, mais pela necessidade de segurar alguma coisa do que pela vontade.
O primeiro gole ardeu.
Apoiei o copo na mesa e fiquei observando meus dedos.
— Nem sei se ele deixou testamento.
Rocco se voltou para mim.
— Os profissionais vão conferir.
Assenti.
Eu sabia que havia providências a cumprir antes de tratar qualquer patrimônio como meu. Ainda assim, a pergunta seguinte já estava dentro de mim desde o hospital.
— Vou precisar entender o que ficou. Os negócios, os postos… Tudo.
Meu primo esperou.
Passei o polegar pela borda do copo.
— Acho que vou vender o que me couber. A parte de lá também.
— Você não precisa decidir isso hoje.
Levantei os olhos.
— Preciso começar a pensar em como vou pagar você.
Rocco permaneceu imóvel.
A conversa de Nathan e Diego diminuiu do outro lado da mesa. Arthur se afastou um pouco, deixando que ficássemos com espaço.
— Me pagar o quê? — meu primo perguntou.
Engoli antes de responder.
— O dinheiro que meu pai tirou. O que foi para os negócios dele. Se eu receber alguma coisa disso, não consigo fingir que não sei de onde veio.
Rocco apoiou o copo e virou o corpo para mim.
— Não quero que transforme o que ele fez numa dívida sua comigo.
Baixei os olhos.
— Mas o dinheiro saiu da empresa que você…
— Eu sei o que os documentos mostram.
A voz dele permaneceu firme, sem aumentar.
— Os profissionais vão separar as obrigações da empresa, o que precisa ser regularizado e o que pertence a outras pessoas. Isso continua. Estou falando de você achar que precisa passar a vida me pagando pelo que Lorenzo fez.
Senti a garganta apertar.
Eu não conseguia deixar de pensar em meu pai sem procurar alguma responsabilidade que pudesse assumir no lugar dele.

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