POV/CHRISTIAN
Na primeira manhã depois do enterro, acordei antes de Moon.
Fiquei alguns segundos sem lembrar por que estava tão cansado. Depois me virei, vi o telefone sobre a mesa e procurei uma mensagem que não viria.
A lembrança chegou inteira.
Meu pai estava morto.
Permaneci deitado, com a mão sobre o lençol, até sentir os dedos de Moon encontrarem os meus.
Ela ainda estava de olhos fechados.
Aproximei-me e beijei seus cabelos.
Não precisei começar o dia explicando tudo.
Nos dias seguintes, minha tristeza apareceu em momentos que eu não sabia prever. Às vezes, durante uma reunião, conseguia falar sobre documentos sem dificuldade. Depois abria uma mensagem antiga de Lorenzo por engano e precisava sair da sala.
Moon percebeu algumas dessas pausas.
Não me seguia imediatamente nem exigia que eu falasse. Quando me aproximava de novo, havia espaço ao seu lado.
Eu também fui aprendendo a dizer quando precisava.
Numa noite, perguntei se podia abraçá-la antes de dormir. Ela afastou a manta e me puxou com cuidado, sem fazer uma pergunta que eu ainda não conseguiria responder.
Fiquei ali, com o rosto perto de seu pescoço, até parar de tentar segurar o choro.
Durante o dia, a casa continuava funcionando.
Sakura acompanhava as amigas no que podia, Alex aparecia para ajudar e Diego tentava organizar os próprios compromissos sem transformar a sala numa extensão da empresa. Nathan precisava lembrá-lo disso com uma frequência que nos fazia rir.
Rocco dividia o tempo entre Sky e as providências sobre os negócios.
Nossa conversa no Erotic Boys não ficou esquecida. Começamos a encaminhar os levantamentos necessários para estudar as vendas, mas não chegamos às meninas anunciando que tínhamos decidido onde todos morariam.
Falamos da vontade de mudar de vida.
O restante precisaria ser construído com elas.
Sky escutou Rocco dizer que queria morar num lugar mais tranquilo e perguntou se aquilo significava que ele pretendia passar o dia inteiro interferindo no trabalho dela.
Meu primo ficou olhando para ela por um instante.
— Eu estava tentando ser romântico.
— Eu estou tentando proteger minha produtividade.
Moon começou a rir ao meu lado.
Olhei para seu rosto e consegui sorrir sem sentir culpa por isso.
As avaliações médicas continuaram. Eu a acompanhava quando era possível e guardava as orientações que recebíamos. A gestação exigia seguimento, assim como sua recuperação. Não confundi o fato de estarmos em casa com o fim de todos os cuidados.
Sky também mantinha seu acompanhamento.
Numa tarde, apareceu na sala puxando o tecido da roupa perto da cintura e perguntou se estávamos percebendo alguma diferença.
Rocco se levantou antes de responder.
Ela apontou para o sofá.
— Pode falar daí. Não precisa fazer uma inspeção.
Meu primo parou no meio do caminho.
Rimos, e Sky acabou sorrindo também, com uma das mãos sobre a barriga.
Eu queria ver Moon viver aqueles momentos sem medo. Sabia, porém, que não conseguiria apressar isso oferecendo uma garantia que ninguém tinha.
Podia estar perto.
Podia ouvir.
Era o que tentava fazer.
Ravi continuou dividindo o tempo entre os avós e as visitas que conseguia fazer. Mantinha-nos informados sobre Heitor, e eu agradecia cada mensagem. Não usei sua presença no hospital para abandonar as notícias, mas também não me obriguei a uma reconciliação que ainda não existia.
Helena permanecia muito abatida.
Eu sabia que tinha perdido o filho. Também sabia o que escondera para protegê-lo. As duas coisas continuavam verdadeiras, e não consegui transformá-las numa conversa simples.
Na empresa, os documentos seguiram para os profissionais responsáveis.
Diego me chamou quando havia alguma informação a confirmar, e participei do que dependia de mim. Meu relato sobre a conversa no restaurante foi encaminhado de forma adequada, junto das questões que precisavam de apuração.
Não queria que a morte de Lorenzo apagasse a verdade que tinha admitido.
Também não passei meus dias tentando repetir aquela conversa para encontrar uma frase que mudasse seu desfecho.

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