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A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário romance Capítulo 615

POV/SKY

A mão de Rocco estava quente sobre a minha, mas meus dedos continuavam frios quando atravessamos a entrada do fórum.

Eu conhecia aquele lugar. Conhecia o desconforto das cadeiras, o cheiro do corredor, a sensação de ser chamada pelo nome e precisar me levantar mesmo quando tudo em mim queria permanecer sentada. Da última vez, saí dali com mais medo do que respostas. Agora, havia uma pasta organizada pelo advogado, documentos que eu finalmente tinha conseguido ler e um homem ao meu lado que diminuía o passo sempre que eu precisava.

— Está enjoada? — Rocco perguntou.

Neguei.

— Estou tentando decidir se quero vomitar ou fugir.

Ele olhou para a porta por onde tínhamos entrado.

— Fugir vai dar trabalho. Acabei de estacionar.

Soltei uma risada curta. Era uma piada ruim, e ele sabia. Talvez por isso tenha funcionado.

Rocco parou antes de chegarmos ao corredor principal e ajeitou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.

— Você não precisa responder por tudo o que fizeram com vocês. Fala o que viveu. O resto está nos documentos.

Assenti, embora minha atenção já tivesse passado por seu ombro.

Paulo Gouveia estava perto de uma janela, conversando com o advogado. Victor permanecia ao lado dele, com as mãos nos bolsos. Sofia olhou para mim e imediatamente desviou o rosto. Mais adiante, reconheci Lacerda e Gael.

Meu estômago se contraiu.

Durante muito tempo, a presença daquelas pessoas tinha sido suficiente para me fazer conferir a roupa, baixar a voz ou procurar algum erro em mim. Naquela manhã, olhei para minha própria mão dentro da de Rocco e continuei andando.

Moon veio logo atrás com Christian. Ela parecia tão pálida quanto eu me sentia, mas ergueu o queixo quando percebeu Paulo.

Alex tocou meu braço.

— Quer que eu invente alguma emergência e tire vocês daqui por cinco minutos?

— Não. Se eu sair agora, não volto.

Ele assentiu e permaneceu perto.

Depois da anulação do concurso, Alex pediu demissão da Gouveia. Não quis continuar num lugar que usou nosso trabalho e nossa amizade daquela maneira. Estava acertando sua entrada na equipe da Blackwood, embora as conversas sobre a possível venda do prédio e do Ambrosia ainda estivessem acontecendo.

Eu tinha ouvido o nome Oliver Ferraz algumas vezes. Nada estava concluído. Rocco fazia questão de repetir que havia funcionários, contratos e responsabilidades que não desapareceriam porque ele queria mudar de vida.

Mesmo assim, pensar que ele estava disposto a reorganizar tanta coisa para ter uma vida diferente comigo ainda me emocionava.

Eu também estava mudando.

Continuava gostando de arquitetura. Ainda reparava na luz atravessando uma janela e sentia vontade de corrigir mentalmente a circulação de qualquer ambiente mal distribuído. Mas, nos últimos dias, descobri que podia passar uma manhã inteira imaginando dois rostinhos sem sentir que estava desperdiçando meu talento.

Queria trabalhar. Queria criar. Também queria estar presente.

Talvez o ponto mais alto da minha vida não fosse um prédio com meu nome na entrada. Talvez, naquele momento, fosse conseguir acordar ao lado de Rocco, acompanhar meus filhos crescendo e não passar cada dia com medo de perder alguém.

Isso não diminuía os sonhos que tive antes. Só mostrava o quanto eu tinha vivido desde que os escolhi.

— Sua avó está com seu avô? — perguntei enquanto nos sentávamos.

Rocco assentiu.

— Ravi também está lá. Meu avô passou a noite estável.

A resposta trouxe algum alívio. Helena tinha feito sua visita, pedido desculpas e ido embora sem que eu soubesse o que dizer. Não voltei a vê-la. Saber que Heitor estava melhor não apagava o resto, mas eu não desejava mais uma perda para aquela família.

Christian se sentou do outro lado de Moon. Havia um cansaço diferente no rosto dele desde o enterro. Às vezes, eu o encontrava olhando para o telefone sem fazer nada. Moon tocava seu braço, e ele voltava a prestar atenção no ambiente.

Naquela manhã, foi ele quem procurou a mão dela primeiro.

Nosso advogado se aproximou para explicar novamente o que seria discutido. A cobrança de Paulo, o contrato que assinei aos quinze anos e os pedidos relacionados ao patrimônio estavam acompanhados dos documentos apresentados pela equipe. Os responsáveis pelas outras medidas já tinham recebido o material correspondente.

Não seria uma única audiência capaz de dar uma sentença para todos os crimes. Também não precisávamos esperar cada investigação terminar para enfrentar a cobrança que nos trouxe até ali.

— As propostas apresentadas pelos outros advogados estão na pasta — ele lembrou. — Nenhuma será aceita sem a concordância de vocês.

Eu tinha lido os valores na noite anterior. Ainda pareciam pertencer à vida de outra pessoa.

Antes que pudesse perguntar alguma coisa, ouvi meu nome.

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