POV: SKY BITTENCOURT
Fiquei deitada no meio daquela cama de seda preta por longos minutos, encarando a escuridão por trás da venda, esperando que a minha alma dignasse a voltar para o meu corpo. O som da porta batendo ainda ecoava na minha mente junto com aquela voz metálica, rouca e absurdamente autoritária do tal Dom Nível Zero.
Quando finalmente criei coragem, puxei a venda de seda e pisquei várias vezes, tentando me acostumar com a luz fraca do quarto 404.
— Mas que porra foi essa?! — sussurrei para o teto, com o coração ainda na garganta.
Eu estava lá, só de lingerie de renda vermelha, jogada no colchão como se tivesse sido atingida por um raio. O homem não tinha feito praticamente nada. Não teve chicote, não teve algema, não teve dor. Mas quando olhei para a minha coxa branca, engoli em seco. A marca exata dos dedos dele estava ali, desenhada na minha pele.
E o pior? Estava com uma vergonha monumental, porque a minha calcinha estava completamente molhada. Meu corpo inteiro ainda estava vibrando, revirando por dentro de um jeito que eu nunca tinha sentido na vida. Eu gostei daquilo? Meu Deus do céu, eu estava gostando de um completo estranho com voz de ciborgue?
E que negócio era aquele de contrato? Eu não sabia nada de BDSM, não sabia como funcionava, queria ter experiência... Eu pensava tanta coisa, imaginava tantas coisas e, no fim, ele só me acariciou. Minha pele ainda formigava. Eu queria mais? Será? E ainda foi diferente das sensações que experimentei com Rocco, mas igualmente eletrizantes.
Respirei fundo, juntei o que restava da minha dignidade que estava esparramada por aí e vesti aquele vestido dourado de lantejoulas. Saí do quarto por uma porta lateral, exclusiva para as submissas, morrendo de medo de cruzar com alguém que pudesse me reconhecer.
Caminhei até o bar principal do Ambrosia, que estava lotado, e avistei a Eleonora. Aproximei-me tentando fingir que minhas pernas não pareciam dois pudins de gelatina.
— Fox, querida — Eleonora sorriu, estendendo um envelope pardo e um papel. — O seu Dom me pediu para te entregar isso. É o modelo do contrato. Leve para casa, leia com calma e, se estiver de acordo, assine.
— Obrigada... — gaguejei, pegando o envelope como se fosse uma bomba-relógio.
— Ah, e preciso dos seus dados bancários. O Nível Zero solicitou o depósito da sua parcela de hoje. Ele estipulou o valor em cinco mil reais.
Eu quase me engasguei com a própria saliva.
— Cinco... cinco mil reais? — perguntei, de olhos arregalados. — Mas ele não fez nada!
— Ele gostou muito de tudo, não sei o que ele fez, mas ele gostou — Eleonora piscou, misteriosa.
Cinco mil reais. Santo Deus, aquele dinheiro ia direto para pagar os tubos de oxigênio do meu pai e garantir que a minha irmã, Moon, continuasse bem. Adeus, ideia de querer, de pensar desesperada de vender a virgindade! Pelo menos agora eu tinha um emprego extra... bem peculiar, mas altamente rentável.
Resolvi sentar em uma banqueta no bar para esperar o Alex. Ele tinha me trazer e estava ocupado com alguma coisa do clube. Fiquei olhando para os lados, subitamente tensa, mantendo o envelope pardo bem apertado na minha mão. Eu sabia perfeitamente que aquela boate era do Rocco Blackwood. O playboy prepotente que não saía da minha cabeça.
Eu quero ver ele? Não. Quer dizer, se eu visse, ia dar um gelo nele... mas é melhor não ver. É muito melhor não ver! — pensei, batendo os dedos no balcão sobre o envelope.
Decidi que nunca mais ia beber álcool, ainda mais se estivesse sozinha. Minha mente insistia em voltar para o Rocco, e eu já estava me xingando mentalmente de burra por isso. Acabei de ter uma experiência com outro homem bem intenso e agora estou aqui pensando em outro.
Muito assanhadinha, Sky. — disse a mim mesma em silêncio.
— Moço, me dá uma garrafa de Coca-Cola, por favor — pedi ao barman, precisando de algo para refrescar a garganta.
O homem me entregou a garrafa de vidro. Eu estava tão aérea, pensando no contrato e segurando o envelope na mão, que quando me virei na banqueta, dei de cara com uma parede de linho escuro.
— E aí, Bittencourt?
Dei um sobressalto tão grande com a voz do Rocco que a garrafa de vidro escorregou da minha mão, caindo no chão e estourando em mil pedaços.
— Ai, meu Deus! — exclamei, mas antes que eu pudesse tentar me afastar dos cacos, as mãos grandes do Rocco seguraram minha cintura, me suspendendo no ar e me sentando direto em cima do balcão do bar.
Ele estava bem entre as minhas pernas, o rosto a centímetros do meu.
— Você está bem? — ele perguntou, fitando-me com aqueles olhos verdes intensos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Virgem Traída Contratou um Gigolô e Ele era um Bilionário